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terça-feira, 10 de julho de 2007

6 Maravilhas + 1


Muralha da China (China), Taj Mahal (Índia), Petra (Jordânia) Machu Picchu (Perú), Chichén Itzá (México), Cristo Redentor (Brasil), Coliseu de Roma (Itália) são as novas 7 Maravilhas do Mundo.


Apesar da divulgação mediática que o evento e a Declaração das novas 7 maravilhas teve as suas repercussões serão maioritariamente económicas e políticas e não propriamente sociológicas e civilizacionais.


A vantagem de se democratizar o processo de votação, permitindo um sufrágio à escala global com cerca de 100 milhões de votos, levou a uma perda de objectividade na votação dado que critérios subjectivos (proximidade geográfica, consonância ideológica) se sobrepusessem a critérios objectivos (valor patrimonial, valor histórico).


Para os que duvidavam que a geopolítica iria influenciar a decisão basta atentar no facto que, à excepção da Índia, que tem uma clivagem com o Paquistão, nenhum dos países votados (Brasil, Peru, México, Jordânia, Itália, China) é um país marcadamente bélico e despoletador de conflitos.


Por outro lado, países que têm tido um papel activo na política internacional no que respeita a conflitos militares (Estados Unidos, Inglaterra e França) viram os seus monumentos (Estátua da Liberdade, Stonehenge e Torre Eiffel, respectivamente) serem afastados dos 7 mais votados.


Por entre as novas 7 maravilhas há claramente uma que destoa por pertencer à época moderna e, por isso, ser duvidável o seu valor de historicidade; falo pois no Cristo redentor, um monumento situado no morro do Corcovado, inaugurado apenas em 1931.


Não querendo colocar o seu valor estético nem o seu simbolismo em causa, estes parecem escassos quando comparados, por exemplo, com as Pirâmides de
Gizé, berço de uma civilização milenar, símbolo de uma construção Faraónica, edificada sem o auxilio de maquinaria pesada, apenas com o labor escravo e técnicas arcaicas.



Estranho também, pelo menos para mim, foi que, na primeira votação verdadeiramente global, o berço da democracia tivesse sido preterido: a Acrópole Grega.


Numa votação que irá, concerteza, aumentar o fluxo turístico para os países vencedores, as três economias mais pujantes do momento (Brasil, Índia e China) viram os seus monumentos figurarem no pódio.


Uma só nota negativa para a organização do evento que se realizou no Estádio da Luz. Perante notícias veiculadas nos órgãos de informação, que davam conta de que, pela simbologia da data (07/07/07) esta seria aliciante para que organizações terroristas perpetrassem um atentado, as autoridades reagiram com uma total permissividade. Na entrada para o Estádio poucas foram as revistas feitas, detector de metais nem vê-los, apenas a presença de polícia de choque como medida de resposta, não como prevenção.


Perante a presença de um corpo diplomático tão vasto e figuras tão mediáticas Portugal não pode continuar a apostar na sorte e a confiar que, por ser um país de brandos costumes, à beira mar plantado, é imune a este tipo de fenómenos.