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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Curtas: Vitor Constâncio II


Quase anedótica a nomeação de Vítor Constâncio para a Vice-Presidência do Banco Central Europeu.
Só mesmo embuídos no espírito carnavalesco é que podemos achar crível a nomeação de um presidente de um Banco que fez, durante anos a fio, vista grossa em casos como o BPN e BPP.
Mais grave é esta promoção vir na sequência de «esforços diplomáticos». Nada como ter amigos destes..

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Verdades de Medina Carreira



Uma grande entrevista concedida pelo fiscalista à SIC Notícias que põe a nú o estado do Estado, da política e dos insucessos do sistema democrático português.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Boas Festas


Retrospectiva de 2008 e conjecturas sobre aquilo que nos espera em 2009:

Economia: Não se avizinham tempos fáceis. Vêm aí falências, despedimentos em massa, fusões para fugir à crise. 2008 será recordado como o ano do declínio irreversível do capitalismo selvagem. Num contexto de pouca liquidez e incerteza em relação aos agentes económicos levará o seu tempo até que banca e investidores voltem a confiar no novo sistema. Resta saber o que nos espera.

Politica: Menor margem de manobra. 2009 será um ano de fogo para a classe política. Pairam dúvidas sobre o papel da União Europeia a 27, sobre o rumo da política Norte-Americana e sobre o espectro expansionista do bloco Chinês. As sucessivas crises económica, social e identitária criaram um terreno fértil à ascensão dos regimes extremistas, com especial ênfase para a Direita. Ou os Estados se tornam mais sociais ou então deveremos levar o aviso dos jovens gregos bem a sério.

Futebol: O pós-Scolari deveria ter sido acautelado de outra forma. A Equipa Nacional sofre de uma carência de liderança dentro e fora do campo. Depois da saída de muitos jogadores históricos não se vislumbram sucessores óbvios aos seus lugares. Com a crise a chegar também ao Futebol é bom que os clubes nacionais apostem menos na compra e mais na formação. A Selecção e o Futebol Português agradecerão.

Educação: Quando no sistema de educação se discute mais a figura do professor do que a do aluno algo vai mal. Que se trabalhe no sentir da concertação, educação ainda pode ser um sector de prestígio, haja bom senso.

Cultura: Em tempos de crise, os cortes orçamentais fazem-se sentir com mais acuidade no campo artístico. Sem pretensões a ser o ópio do povo é necessário investir-se mais na arte. Qualquer área que seja evasiva ajudará a dissipar, mesmo que por instantes, os pensamentos menos optimistas. O Homem sonha, o Mundo avança.

Desejo de Boas Festas a todos os leitores do Observador XXI.

sábado, 15 de novembro de 2008

Zé Polvinho


A política tal qual um Polvo.

Não é necessário ser-se um leitor atento para, olhando para a política nacional, se reconheça uma intensa teia de relações permiscuas entre órgãos governativos e diferentes poderes.

Como se de um Polvo se tratasse politica e poder económico alargam os seus tentáculos, contornam a legislação e estabelecem um esquema de favorecimentos mútuos que escapa às malhas da Justiça.

Aquilo que se verifica em Portugal é uma absorção, por parte do sector privado, dos grandes cérebros da Gestão, Economia, Engenharias e Advocacia, que são altamente remunerados, com uma carreira estável e independente de ciclos politico-partidários. Pelo contrário quem governa, terá de o fazer um autêntico jogo de expectativas, mediado através da comunicação social (tendencialmente contra-poder) o que se repercute em mandatos curtos que dificilmente excedem duas legislaturas e redunda no descrédito público das figuras governativas.

Manda a lógica que qualquer profissional que se preze, principalmente em conjunturas económicas instáveis, zela pele estabilidade na sua carreira.

Assim sendo enveredar pela carreira politica afigura-se um exercício desgastante e pouco apetecível quando comparado com o auspicioso sector privado. Assistimos então à chegada ao poder de uma segunda linha de dirigentes políticos, mal remunerados e por isso permeavéis a influências.

Representam uma classe politica incapaz de chegar aos compensatórios cargos privados mas que a todo o custo aspira lá chegar e o faz através de concessões múltiplas.


Se olharmos para a proveniência e passado profissional de muitos políticos, que na última vintena de anos, têm passado pela Assembleia da Republica verificamos aquilo que se poderá apelidar de «conflitualidade de poderes».

Falo pois de Advogados, Juristas e profissionais de outros ramos pertencentes a grandes grupos e sociedades que, pela natureza do seu cargo, deveriam zelar pelo bem público mas que, por serem representantes em Portugal de multinacionais, produtos ou marcas, acabam por, de uma forma ardilosa. alterar pontualmente a constituição de forma e aprovar negócios nos quais têm interesse atendível.

Iberdrola, BCP, Mota-Engil, Portucale, Bragaparques, Casino Lisboa, BPN são tantos os exemplos de relações dúbias entre política e poder económico.

Tal como afirma Saldanha Sanches «A corrupção em Portugal é particularmente paralisadora, uma vez que apenas procura obter o máximo do Estado»

Não auguro nenhuma melhoria neste campo nos próximos anos.

Com a crise capitalista que enfrentamos e a necessidade de retoma economica veremos um Estado assegurar uma dupla função. Em primeiro lugar um papel mais interventivo do Estado enquanto agente económico, abandonando a postura neutral em relação ao mercado, assegurando maior inventimento , injectando capital e sendo estimulador económico principalmente através de grandes obras públicas. Por outro lado, teremos um Estado mais manietado perante os custos crescentes com a vertente social (desemprego, saúde).

As impediosas metas económicas tornarão o Governo, seja ele qual for, ávido a avultados investimentos de forma a evitar recessões. Isto significará certamente alimentar as indústrias de base do País, sobretudo a construção cívil.

Aproximam-se tempos díficeis mas certamente não faltarão obras faraónicas: pontes, aeroportos, TGV.


Governar cada vez menos significa adoptar políticas mas sim gerir interesses.


sábado, 1 de novembro de 2008

Crise: Hoje, Ontem, Amanhã

Para que haja um futuro amanhã temos hoje que resolver o futuro de ontem!

A crise financeira, tema de que tanto se tem falado “um pouco” por todo o mundo… Uma crise que até já foi comparada pelo Governador do BCE como de proporções idênticas àquela que a Europa sofreu no pós Segunda Guerra Mundial. Uma crise que foi criada pelo mundo financeiro que, ao longo da última década, exponencializou os seus lucros de uma forma absolutamente insustentável enriquecendo à custa de um sistema canibal de especulação e crédito – crédito habitação, crédito ao consumo, crédito ao crédito e crédito ao crédito para crédito…

Diz-se agora que o subprime não foi uma crise, mas antes o sintoma de uma crise que se avizinhava e a própria crise dos combustíveis parece ter perdido relevância (excepto para todos os que com ela perderam dinheiro nos seus investimentos). Hoje o problema de liquidez entre os bancos piorou, o dinheiro ficou mais caro, os investimentos retraíram com receio desta conjuntura de incerteza, as bolsas ressentiram-se profundamente revelando quedas de proporções avassaladoras, o sistema bancário entrou em colapso e muitas pessoas iniciaram uma corrida aos balcões dos seus bancos com medo de perder o seu dinheiro.

Observámos também nas últimas semanas as primeiras reacções a esta crise a nível mundial. Tivemos um corte das taxas de juro pelo BCE, FED e Reino Unido em 0,5 pontos percentuais (…) e agora os governos tornaram-se fiadores dos bancos criando uma almofada de 20.000Meur, o que tal como o Ricardo Araújo Pereira evidência na sua crónica semanal na revista Visão cria um interessante sistema em que “A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos.”

É de facto irónico que numa crise com esta dimensão, os primeiros a quem tenhamos que deitar a mão sejam os principais responsáveis pela própria crise e o sector que na última década mais cresceu com lucros cujos valores podem apenas ser classificados pelo comum mortal como absolutamente pornográficos.

No meio de tudo isto certo será que 2008 entra para a história como um ano negro na economia mundial, mas será só isso?

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown no seu artigo de opinião no Washington Post fala em aproveitar esta crise para “construiu um mundo novo”. E em sintonia com ele penso que de facto 2008 não será apenas o ano da maior crise económica mundial conhecida desde a Segunda Guerra Mundial. De facto esta será o ano em que economia muda uma vez mais o mundo.

Se pensarmos mais uma vez no pós-Segunda Guerra Mundial, e recordarmos os efeitos do Plano Marshall no mundo podemos perceber o enorme impacto cultural que a Europa sofreu, afinal se não fosse a inundação de capital americano será que hoje estaríamos a comer Big Mac’s no McDonalds em todas as cidades europeias?

Mais tarde e por resultado de outras crises de dimensões diversas, a Europa percebeu que para poder continuar a ocupar o seu lugar no mundo teria que caminhar para um sistema mais global em que os seus países deitariam por terra as suas fronteiras abrindo lugar a um mercado global de livre-trânsito de produtos, serviços e trabalhadores assim como criando um sistema monetário comum… surgiu a União Europeia e posteriormente o Euro.

Hoje a Europa está novamente em dificuldades, mas o capital americano deixou de ser uma solução porque simplesmente não existe.

Não é fácil prever o que acontecerá, talvez até sejam os capitais asiáticos a ajudar-nos desta vez… E essa é uma ideia um pouco assustadora visto que as diferenças culturais entre os nossos continentes são abismais e um choque cultural desta envergadura poderia ser bastante complicado de gerir para a Europa.

Ainda assim, não é uma hipótese a descartar de imediato ainda que seja talvez improvável uma vez que países como a China têm imensos problemas, especialmente de escala nomeadamente no que toca à população, destruição ecológica e escassez alimentar. Isto já para não mencionar o mau timing na sua industrialização que ainda que os tenha tornado numa potência mundial, fê-lo numa altura em que esse parece ser um modelo económico ultrapassado.

Mas especulações à parte as mudanças já começaram um pouco por toda a Europa, e mudar é bom! Parece que caminhamos para um mundo onde as instituições financeiras serão maiores e mais globais, as economias mais unidas; anunciam-se realinhamentos geoestratégicos de potências e alianças, maior intervenção do estado com maiores preocupações sociais, uma maior consciencialização ambientalista dos povos, governos e indivíduos… será provavelmente o fim da história industrial no mundo, o inicio do fim dos combustíveis fósseis e o final na crença do tecnotriunfalismo.

Na Europa assiste-se agora a reposicionamentos dos países mais conservadores no que toca à união dos países europeus o que anuncia um futuro animador para a U.E. com mais união e coesão, sinais estes claríssimos nas declarações dos Primeiros-ministros da Suécia, Frederik Reinfeld e da Dinamarca, Anders Rasmussen, países estes que tinham rejeitado o Euro e que agora declaram que a crise está a revelar a importância de aderir à Moeda Única Europeia.

Esta é uma crise com um potencial enorme, algo que tinha que acontecer de forma a possibilitar o contínuo e sustentável crescimento da economia mundial (sublinhe-se aqui a palavra sustentável).

Os mercados serão limpos de todos os que para eles não tenham suficiente mais-valia, muitos desaparecerão mas os que sobreviverem serão melhores e mais funcionais, muitos vão sem dúvida sofrer com esta crise, mas esse é o processo darwinista que as economias precisam de tempos a tempos para assegurar o seu futuro.

Mesmo os nossos hábitos terão agora que mudar, teremos que atingir níveis mais elevados de eficiência nas nossas vidas pessoais e profissionais, teremos que aprender a usar o crédito de forma mais inteligente, teremos que investir mais e melhor, teremos nos próprios que ser melhores!

Para Portugal, esta crise se bem gerida pode representar uma oportunidade de convergir com o resto da Europa, convergir economicamente, culturalmente e mesmo geograficamente.

O mundo tal como o conhecemos hoje não existirá dentro de 3-5 anos, todas as economias serão diferentes e se trabalharmos para isso e tivermos alguma sorte, todos viveremos melhor.

Ricardo Madeira

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

No Smoke


Alguma vez pensou que a sua saúde pode ser uma mais valia económica?

É certo que já lá vão os tempos da Idade Média em que as epidemias eram a forma de regular demograficamente as sociedades e equilibrar a equação entre recursos e população. Apesar de distante e inusitada ainda na era em que nos encontramos a saúde das populações pode ser visto como um principio regulador.

Tomemos o tabaco como exemplo.

O que leva um Estado a lançar, de um momento para o outro, uma autêntica "caça às bruxas" contra os fumadores?

Sendo um dos vicios que, através da tributação, mais lucros trás para o Estado como explicar esta série de medidas restritivas?

Quem nunca ouviu falar na máxima clássica "Mente sana en cuerpo sano"? A lógica contemporânea impregnada pelos conceitos do marketing e da economia levou até à dimensão laboral as exigências de uma sociedade saudável.

As variáveis são simples. Segundo este principio um funcionário que preze pela sua saúde será, à partida, mais eficaz que os restantes, terá menos pausas durante o horário de expediente já para não falar da sua durabilidade.

No fundo estas alterações da lei do tabaco fundam-se na crise do modelo Estado Social. O provimento de serviços públicos nas sociedades democráticas ocidentais começou a entrar em crise, estranhe-se, devido às melhorias das condições de vida e dos avanços na medicina.

Quero com isto dizer que o modelo contributivo começou a entrar em crise no momento em que a esperança média de vida aumentou e os rendimentos da população activa começaram a afigurar-se diminutos face aos custos crescentes com a população não-activa. Caso as coisas se mantivessem conforme estavam o sistema da segurança social iria falir num futuro próximo.

Como relacionar isto com a nova lei do tabaco?

Simples.

A lei do tabaco deve ser vista como uma de várias medidas faseadas. A primeira foi o aumento da idade de reforma para os 65 como garantia de mais contribuições por parte da população activa durante mais anos. As restantes medidas incidem sobre vários dominios que vão desde a alimentação à prática desportiva.

O combate à fast-food e ao consumo de álcool e o incentivo à prática desportiva através da aplicação da taxa mínima de IVA em ginásios representam medidas que têm como fim melhorar a saúde dos cidadãos. Um cidadão que cuide da sua saúde terá uma durabilidade maior, logo mais anos contributivos, logo será um garante para o equilibrio das finanças públicas.

A nova lei do tabaco denota uma aproximação entre a Economia quantitativa e a Sociologia comportamental ao analisar os fenómenos contemporâneos à luz do pensamento económico. No fundo representa o regresso da ciência económica às origens, ou seja, a aplicação dos estudos de Adam Smith enquanto influência do capitalismo no comportamento humano.

ps - Se puder deixe mesmo de fumar. Todos ganham com isso