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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Porto by Night


Lutas entre Gangs, disputa de territórios, tráfico ilegal de armas, carjacking, homicídios em série. Estarei a apresentar o novo GTA? Não. Tudo isto se tem passado no submundo da noite do Porto.



O clima de violência que a noite portuense tem vivido culminou na morte de Aurélio Palha, 42 anos, um dos mais conhecidos empresários do sector.


Há quem diga no meio que Aurélio Palha terá sido vítima de uma situação que ele próprio terá originado.


Aurélio tinha o perfil e o faro para o negócio da restauração. Começou ele próprio por trabalhar como segurança de espaços nocturnos, primeiro no Cais 447, em Matosinhos e no Dacasca em Cortegaça. Mas o passo decisivo para se afirmar no ramo foi quando se associou às Festas Académicas da cidade do Porto. Durante a década de 90, Aurélio garantiu sempre a segurança privada da Queima das Fitas portuense, mantendo, segundo a revista Sábado, «boas relações (..) com os dirigentes da Associação Académica do Porto».


Os problemas terão começado derivado à escassez de seguranças que a cidade invicta tinha há 15 anos atrás. O volume e a diversificação negócios e espaços nocturnos de Aurélio exigia recrutar mais vigilantes. À falta de seguranças qualificados, o "casting" foi feito em bairros problemáticos do Grande Porto.


Em entrevista à Sábado uma fonte da PJ afirma que a onda de violência que tem assolado a cidade se trata de «uma guerra entre marginais que têm como principal ocupação o tráfico de droga, a compra e venda de armas e o carjacking e que estão apostados em dominar a noite do Porto». Isso mesmo, dois gangues na disputa pelos espaços e territórios da noite da invicta, Ribeira contra Miragaia.


A morte de Aurélio terá sido mais uma retaliação entre Gangues que começou a 21 de Julho no "Number One" e teve novas sequelas no "El Sonero" e "Kizomba" a 13 de Julho e 7 de Agosto, respectivamente. O barramento de alguém à entrada de uma discoteca pode ser o rastilho para uma onda de retaliações sucessivas.


Na noite de 27 de Agosto, Aurélio foi morto na Zona industrial do Porto, junto de dois espaços nocturnos seus, a discoteca "Chic" e o restaurante "Boi na Brasa". O empresário foi alvejado por alguém que, de uma carrinha Mercedes com vidros fumados, disparou oito tiros, dois deles certeiros à cabeça de Aurélio. A morte foi imediata.


Embora episódico este incidente é preocupante.


Com o "boom" de espaços nocturnos, por todo o país, começou a ser impensável às forças policiais controlarem, porta a porta, todos os locais de diversão nocturna. A solução passou transpor essas tarefas para forças de segurança privada. Empresários, como Aurélio, souberam fazer uma leitura e aproveitar o nicho de mercado que rapidamente se tornaria num império.


A recruta de homens com cadastro para assegurarem o ambiente destes espaços nocturnos advém, segundo a Visão, de «fazer face a quem procura entrar em discotecas para vender droga, traficar armas ou arrebanhar clientes para as suas prostitutas. (..) Esses homens são eficazes, porque sabem com quem lidam e como ligar».


O modus-operandi destes seguranças é simples. Procedem a simples contactos pessoais com funcionários de espaços nocturno, propõem-lhes os préstimos e, caso lhes seja dada uma nega, partem para a violência psicológica e física. O mesmo se passa relativamente a organismos e instituições sociais «tentam influenciar - recorrendo à coacção - a escolha de pessoas de confiança para cargos directivos» (Visão nº757)


A influência destes seguranças é tal forma que, por vezes, passam a ser eles a gerir as casas onde trabalham sobrepondo-se aos próprios patrões.


Aos olhos de todos cresce um polvo que congrega criminosos, traficantes de armas e droga, gente ligada a redes de prostituição, claques de futebol. Tudo perante um Ministério da Administração Interna que apenas exige um atestado psicológico e cadastro limpo aos candidatos a segurança. Mas todos estes processos são feitos por uma empresa subcontratada.


Se tardarem medidas preventivas de controlo e fiscalização a este submundo qualquer dia não bastarão uns meros "arpões" para caçar o polvo.