Mostrar mensagens com a etiqueta Madeleine McCann. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Madeleine McCann. Mostrar todas as mensagens
sábado, 24 de novembro de 2007
McCann: Máquina da Verdade
Os direitos do sistema de análise de voz pertencem à Voice Analysis Technologies http://www.voiceanalysistech.com
Etiquetas:
Caso Madeleine,
Gerry McCann,
Kate McCann,
Maddie,
Madeleine,
Madeleine McCann
domingo, 3 de junho de 2007
Madeleine: Jornalismo do Vazio
O que é jornalismo? Que acontecimentos devem ser constituidos notícia?
Entre os valores-notícia basilares para a validação de um acontecimento um deles é comum a todos os teóricos do jornalismo: a novidade.
Sem novidade, sem factor surpresa, sem acontecimentos que extravasem a rotina, sem actualidade, o jornalismo perde todo o seu propósito e razão de existir.
Recuemos até ao dia 3 de Maio de 2007, dia do desaparecimento de Madeleine McCann.
Jornalismo Hollywoodesco
O desaparecimento da pequena Madeleine McCann constituiu aquilo a que Mar de Fontcuberta define como «what-a-story», um acontecimento que faz fervilhar e mobilizar redacções inteiras, um acontecimento não previsto e que constitui uma ruptura com os padrões normais da sociedade ocidental.
Segundo Nélson Traquina «embora o jornalismo inclua muita rotina, o inesperado é o momento mágico e incontornável de qualquer filme de Hollywood».
A notícia criada em volta de Maddie foi um autêntico ícone cinematográfico, digna de um qualquer argumento de Hollywood, construída com base num jogo de palavras com conotações ambivalentes no nosso imaginário.
A pacata Aldeia da Luz, terra de pescadores humildes e tingida pelo azul do mar, vê-se, subitamente, confrontada com um crime sórdido e obscuro. Uma criança inocente e frágil é arrancada aos seus pais, no silêncio da noite, por um psicopata desconhecido. Os pais da criança jantam tranquilamente a metros do local do crime até, minutos depois, se confrontarem com a terrível tragédia. Não há testemunhas, não há pistas ou indícios do raptor.
A narrativa usada para reportar o caso Maddie em tudo foi buscar inspiração à dramaturgia ficcional. Trata-se de um jornalismo centrado nos protagonistas e não na acção, assente no uso de arquétipos e que, através de uma perspectiva maniqueísta, relata o acontecimento como que se de um confronto de forças (bem contra o mal) se tratasse.
O drama da pequena Maddie permite usar a fórmula encontrada por Vladimir Propp nos contos populares: estórias com heróis (Kate e Gerry McCann), lutando por objectos ou objectivos (Madeleine), coadjuvantes (policia portuguesa e britânica, civis anónimos, populares) e oponentes (redes pedófilas internacionais)
Este jogo semiótico que se faz valer da força das palavras para enfatizar o acontecimento/noticia só tem servido para desvirtuar a real função informativa do jornalismo e aproximá-lo do lirismo barroco.
Jornalismo do Directo
Tem sido recorrente no caso Madeleine o uso do directo para fazer o ponto da situação.
Segundo Nélson Traquina «Os membros da comunidade jornalística querem noticias tão quentes quanto possível» de preferência «em primeira mão». «O valor do imediatismo dá primazia, nesta era do audiovisual, ao directo estado puro do imediatismo».
É usual nos meios de comunicação dizer-se que a reportagem é o género nobre do jornalismo. Então porque é que na cobertura do caso Maddie, que tantos jornalistas destacou para o Algarve, se opta insistentemente pelo directo televisivo?
A resposta é: não há nada para reportar. E não havendo nada que mereça uma reportagem é preferível apontar a câmara para o enviado especial e deixá-lo usar a retórica e repetir-se até à exaustão. De resto, quando os directos se centram essencialmente no repórter é sinal de que não há sinais palpáveis de noticias. No fundo, entramos naquilo que Jean Baudrillard apelida de simulacro, em que o jornalismo «finge ter o que não tem» e «em vez de comunicar, esgota-se na encenação da comunicação» e «é cada vez mais invadido por esta espécie de conteúdo fantasma, de transplantação homeopática, de sonho acordado da comunicação».
E nisso o caso Madeleine tem sido paradigmático, no Jornalismo do Não-Acontecimento. Directos que Miguel Sousa Tavares (Expresso, 21 Maio) diz constituírem um «luxo de ter noticias a dizer que não se passou nada e ainda chamar a isso jornalismo» e ainda regressar «três vezes à Praia da Luz para que os enviados especiais façam novo ponto da situação - que é exactamente o mesmo que às 21.15, do que era às 20:40 e do que era às 20:03».
Os directos servem para conferir autenticidade à história e dão, ao espectador, a sensação voyeurista de estar permanentemente em cima do acontecimento, quase tendo acesso privilegiado à informação.
O rapto da menina, o desespero dos pais, as buscas da polícia, a mobilização de familiares e os primeiros suspeitos são, até este momento, os únicos factos sustentáveis, o resto não passou de especulação jornalística.
Agenda Mediática
Os jornalistas, nomeadamente os estrangeiros, estão já a desmobilizar da Praia da Luz devido à escassez de desenvolvimentos.
Tem sido notório o desespero de Jerry e Kate McCann para manter este assunto na Agenda Mediática.
Devidamente assessorado, o Casal McCan tem repartido o seu tempo em «photo-opportunities» e «quoting sentences», fazendo-se acompanhar pelo urso de peluche da filha e organizando missas na Aldeia da Luz, em Fátima e até uma sessão com o Papa de forma a manter o interesse pela história.
Ana Caldeira (Público, 31 Maio) refere que o caso Maddie é um autêntico «case study» sobre «a utilização dos media» e para a «constatação do poder real da comunicação social para manter um qualquer assunto nas agendas mediáticas e até mesmo agindo como um verdadeiro agente de pressão».
Acontece porém que os media vivem de acontecimentos e, por mais forte que o lobby dos McCann consiga ser, a televisão será seduzida por outros acontecimentos que constituam aquilo que o discurso jornalístico realmente pretende: a realidade, a veracidade e, sobretudo, a actualidade.
Artigos Relacionados:
Dossier Madeleine
Madeleine: Para Inglês Ver
Entre os valores-notícia basilares para a validação de um acontecimento um deles é comum a todos os teóricos do jornalismo: a novidade.
Sem novidade, sem factor surpresa, sem acontecimentos que extravasem a rotina, sem actualidade, o jornalismo perde todo o seu propósito e razão de existir.
Recuemos até ao dia 3 de Maio de 2007, dia do desaparecimento de Madeleine McCann.
Jornalismo Hollywoodesco
O desaparecimento da pequena Madeleine McCann constituiu aquilo a que Mar de Fontcuberta define como «what-a-story», um acontecimento que faz fervilhar e mobilizar redacções inteiras, um acontecimento não previsto e que constitui uma ruptura com os padrões normais da sociedade ocidental.
Segundo Nélson Traquina «embora o jornalismo inclua muita rotina, o inesperado é o momento mágico e incontornável de qualquer filme de Hollywood».
A notícia criada em volta de Maddie foi um autêntico ícone cinematográfico, digna de um qualquer argumento de Hollywood, construída com base num jogo de palavras com conotações ambivalentes no nosso imaginário.
A pacata Aldeia da Luz, terra de pescadores humildes e tingida pelo azul do mar, vê-se, subitamente, confrontada com um crime sórdido e obscuro. Uma criança inocente e frágil é arrancada aos seus pais, no silêncio da noite, por um psicopata desconhecido. Os pais da criança jantam tranquilamente a metros do local do crime até, minutos depois, se confrontarem com a terrível tragédia. Não há testemunhas, não há pistas ou indícios do raptor.
A narrativa usada para reportar o caso Maddie em tudo foi buscar inspiração à dramaturgia ficcional. Trata-se de um jornalismo centrado nos protagonistas e não na acção, assente no uso de arquétipos e que, através de uma perspectiva maniqueísta, relata o acontecimento como que se de um confronto de forças (bem contra o mal) se tratasse.
O drama da pequena Maddie permite usar a fórmula encontrada por Vladimir Propp nos contos populares: estórias com heróis (Kate e Gerry McCann), lutando por objectos ou objectivos (Madeleine), coadjuvantes (policia portuguesa e britânica, civis anónimos, populares) e oponentes (redes pedófilas internacionais)
Este jogo semiótico que se faz valer da força das palavras para enfatizar o acontecimento/noticia só tem servido para desvirtuar a real função informativa do jornalismo e aproximá-lo do lirismo barroco.
Jornalismo do Directo
Tem sido recorrente no caso Madeleine o uso do directo para fazer o ponto da situação.
Segundo Nélson Traquina «Os membros da comunidade jornalística querem noticias tão quentes quanto possível» de preferência «em primeira mão». «O valor do imediatismo dá primazia, nesta era do audiovisual, ao directo estado puro do imediatismo».
É usual nos meios de comunicação dizer-se que a reportagem é o género nobre do jornalismo. Então porque é que na cobertura do caso Maddie, que tantos jornalistas destacou para o Algarve, se opta insistentemente pelo directo televisivo?
A resposta é: não há nada para reportar. E não havendo nada que mereça uma reportagem é preferível apontar a câmara para o enviado especial e deixá-lo usar a retórica e repetir-se até à exaustão. De resto, quando os directos se centram essencialmente no repórter é sinal de que não há sinais palpáveis de noticias. No fundo, entramos naquilo que Jean Baudrillard apelida de simulacro, em que o jornalismo «finge ter o que não tem» e «em vez de comunicar, esgota-se na encenação da comunicação» e «é cada vez mais invadido por esta espécie de conteúdo fantasma, de transplantação homeopática, de sonho acordado da comunicação».
E nisso o caso Madeleine tem sido paradigmático, no Jornalismo do Não-Acontecimento. Directos que Miguel Sousa Tavares (Expresso, 21 Maio) diz constituírem um «luxo de ter noticias a dizer que não se passou nada e ainda chamar a isso jornalismo» e ainda regressar «três vezes à Praia da Luz para que os enviados especiais façam novo ponto da situação - que é exactamente o mesmo que às 21.15, do que era às 20:40 e do que era às 20:03».
Os directos servem para conferir autenticidade à história e dão, ao espectador, a sensação voyeurista de estar permanentemente em cima do acontecimento, quase tendo acesso privilegiado à informação.
O rapto da menina, o desespero dos pais, as buscas da polícia, a mobilização de familiares e os primeiros suspeitos são, até este momento, os únicos factos sustentáveis, o resto não passou de especulação jornalística.
Agenda Mediática
Os jornalistas, nomeadamente os estrangeiros, estão já a desmobilizar da Praia da Luz devido à escassez de desenvolvimentos.
Tem sido notório o desespero de Jerry e Kate McCann para manter este assunto na Agenda Mediática.
Devidamente assessorado, o Casal McCan tem repartido o seu tempo em «photo-opportunities» e «quoting sentences», fazendo-se acompanhar pelo urso de peluche da filha e organizando missas na Aldeia da Luz, em Fátima e até uma sessão com o Papa de forma a manter o interesse pela história.
Ana Caldeira (Público, 31 Maio) refere que o caso Maddie é um autêntico «case study» sobre «a utilização dos media» e para a «constatação do poder real da comunicação social para manter um qualquer assunto nas agendas mediáticas e até mesmo agindo como um verdadeiro agente de pressão».
Acontece porém que os media vivem de acontecimentos e, por mais forte que o lobby dos McCann consiga ser, a televisão será seduzida por outros acontecimentos que constituam aquilo que o discurso jornalístico realmente pretende: a realidade, a veracidade e, sobretudo, a actualidade.
Artigos Relacionados:
Dossier Madeleine
Madeleine: Para Inglês Ver
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Madeleine: Para Inglês ver
Enxames de jornalistas, directos que preenchem um terço dos telejornais, acções conjuntas de Polícias Portugueses e Internacionais, fotos da menina espalhadas por tudo que é local público e acções diplomáticas de parte a parte.
Mas será que Madeleine foi a única criança a desaparecer em Portugal?

O caso mais mediático de desaparecimentos envolvendo uma criança portuguesa foi o do Rui Pedro. Desaparecido no dia 4 de Março de 1998, à excepção do destaque dado pela TVI, quase passou despercebido.
Mas então porquê este ênfase melodramático excessivo em volta da pequena Maddie?
Em primeiro lugar pelos contornos bizarros da situação. O incidente ocorreu num país hospitaleiro, seguro, envolveu uma família pacata em férias e uma criança indefesa supostamente raptada.
O caso Madeleine envolve um dos sectores mais lucrativos do País, em que as despesas são residuais e são em muito superadas pelas receitas, um sector tido como prioritário para o Governo, um sector fundamental para os interesses da construção civil, um sector que, a braços dados com a restauração, emprega milhares de pessoas nas épocas áureas.
Depois falamos de uma região com algumas especificidades, o Algarve. De acordo com o Observatório do Algarve, dados relativos a 2005, revelam que a comunidade Inglesa a residir no Algarve é composta por mais de 10 mil cidadãos. Segundo dados do INE, o Algarve é o destino preferencial de 72,1% dos Ingleses que se deslocam a Portugal, os turistas do Reino Unido representam 7 milhões de dormidas anuais. Representam também avultados investimentos imobiliários, nos sectores da restauração e lazer. Os Ingleses constituiem também mais de 60% dos estrangeiros que aterram no Aeroporto Internacional de Faro. Os proveitos com turismo atingiram, no primeiro semestre de 2006, um valor de 729,8 milhões de euros.
O Ministério da Economia português tinha mesmo planeada, para dia 16 de Maio, uma operação de charme, em Londres, para o lançamento da marca "ALLGARVE". O programa que conta com um investimento na ordem dos 9 milhões de euros tinha garantida as presenças de José Mourinho e Cristiano Ronaldo.
Por considerar que o timing não seria o mais adequado o Governo Português decidiu adiar esta campanha.
José Dias, dirigente da Região de Turismo do Algarve (RTA), não escondeu a sua apreensão pelas «repercussões nefastas» que o desaparecimento da menina poderá ter para o Algarve enquanto destino de férias.
Mais do que uma criança desaparecida está em jogo o prestigio e a viabilidade económica de um sector de actividade, de uma região, de um País.
Não querendo obviamente depreciar o caso que envolve a menina britânica a exposição mediática que ele está a ter é exagerada e deixa latente o espírito subserviente e provinciano dos portugueses.

Enquanto que no caso Joana Cipriano as autoridades apenas iniciaram os trabalhos de campo nove dias após as suspeições, com Madeleine a acção foi imediata. Houve dois pesos e duas medidas.
Nos Call-Centers de operadoras de telemóveis existem mecanismos que permitem que os clientes que mais dinheiro dispendem sejam atendidos mais rapidamente. Espero que a condição económica dos pais da Maddie não tenha sido um factor para esta celeridade nos processos. Porque o grave não é a investigação do caso Maddie ter começado uma hora depois da denúncia, grave é que o caso de uma menina portuguesa pobre tenha tido que esperar nove dias.
Ao longo destes dias vão estar mais de 300 pessoas envolvidas nas buscas. São, segundo o Portugal Diário, 150 militares (GNR, equipas cinotécnicas, bombeiros), 100 inspectores da PJ , auxiliadas por um grupo de 50 voluntários, entre ingleses, residentes no Algarve, e portugueses. Há também a colaboração da Scotland Yard e de alguns membros da policia de Leicestershire, terra dos pais de Maddie. As buscas decorrem num espaço de 15 quilómetros através do controle das vias marítima, terrestre e aérea.
Rapto, tráfico sexual ou tráfico para adopção são estas as possibilidades apontadas pelas equipas de investigação.
Só mais uma nota para Gerald e Kate McCaan, os pais da criança.
Quem não se recorda da obra prima de Eça de Queiróz, "Os Maias" em que o Avô (Afonso da Maia) educou o neto (Carlos da Maia) segundo os moldes rígidos e austeros ingleses? Nem Eça de Queiróz, no expoente máximo do seu realismo ficcional, ousou separar avô e neto na hora das refeições.
Gerald e Kate McCaan incorrem numa pena de prisão que pode ir dos 2 aos 5 anos pela violação do artigo 138.º, 2, por exposição ou abandono de criança. Os pais deixaram os filhos a dormir, enquanto saíram para jantar, e foi nessa altura que Maddie desapareceu do quarto no R/C onde descansava.
Que pais são estes que deixam uma criança de três anos sozinha?
Sobre as insinuações que a imprensa britânica tem lançado sobre a actuação da polícia portuguesa, Miguel Sousa Tavares (Expresso nº1802) refere o seguinte: «a insinuição de que Portugal não pode, por natureza, ter uma policia criminal competente visa esconder outra perplexidade bem mais evidente, como é que um casal de dois médicos ingleses deixa três filhos de 2 e 3 anos sozinhos em casa, para ir jantar ao lado, num restaurante?»
Resta-nos esperar que as autoridades sejam lestas e a pequena seja encontrada sã e salva.
Artigos Relacionados:
Dossier Madeleine
Madeleine: Jornalismo do Vazio
Subscrever:
Mensagens (Atom)
