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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Curtas: Bósnia


A escolha de um Estádio a 70 Km da capital, de um recinto digno de um clube do terceiro escalão português, de um relvado estilo 'campo minado'.

Um país onde fecham postos fronteiriços para atrasar a chegada do adversário. Um Aeroporto Internacional onde as malas dos jogadores são inspeccionadas uma-a-uma, onde os adeptos portugueses são obrigados a permanecer no exterior enquanto os Bósnios insultam e cospem nos jogadores lusos.

Um treinador Bósnio que incentiva os seus jogadores dizendo algo como «atacar Portugal como Lobos esfomeados»

Um público que agride um árbitro assistente e desrespeita de forma vergonhosa um Hino Nacional de um País.

Por todas estas e mais algumas razões: Ainda bem que não vamos ter a Bósnia no Mundial da África do Sul

sexta-feira, 20 de março de 2009

Trinta e Um Nacional

Liedson na Selecção: solução para uns, trinta e um para outros.

O reinado de Luis Filipe Scolari ao comando da Selecção das Quinas abriu um precedente na equipa nacional portuguesa, a sua abertura a jogadores nacionalizados.

Não pelo facto em si, não por qualquer manifestação xenófoba, mas sim pelo que ele significa, a abertura do critério de convocação de jogadores nacionalizados para a equipa de Portugal traduziu-se no período penoso que o futebol atravessa neste momento.

Ao utilizar jogadores brasileiros naturalizados, independentemente da sua mais valia desportiva, Scolari deixou cair o Futebol de formação e as selecções mais jovens no puro esquecimento.

Os resultados estão à vista: selecção em processo de renovação, uma segunda linha de opções de qualidade inferior e com pouca rotina ao mais alto nível.

Muitos poderão argumentar que a única condição para se ter direita à prerrogativa de jogar de Quinas ao peito será a obtenção da nacionalidade Portuguesa, logo trata-se de uma barreira meramente jurídica.

O problema é bem mais lato do que uma formalidade burocrática.

Quem quer que esteja à frente dos destinos do Futebol Português deverá ter um apertado critério para a definição daquilo que se quer para o Futebol Luso.

Não é o facto de ter havido excepções que elas se irão legitimar enquanto regra.

Mesmo não concordando totalmente com a nacionalização e convocação de Deco, aceito-a uma vez que foi um jogador que fez um percurso no Futebol Português. Em relação a Pepe é, porventura, o caso em que mais facilmente verificamos o sentimento de pertença, identificação e desejo de representação do País de acolhimento. O passado desportivo de Pepe foi feito em Portugal e o jogador preocupa-se em aproximar o registo oral do seu Português ao Português continental.

Um processo de naturalização traz a estes futebolistas inúmeras vantagens no que toca a cidadania mais sobretudo desportivamente falando.

Com identificação lusa, jogadores como Deco tornam-se jogadores comunitários (existem limitações para jogadores estrangeiros na maioria dos campeonatos), o seu passe desportivo é valorizado, o seu clube de origem receberá mais em caso de transferência e passa a ter mais possibilidades de valorização uma vez que poderá passar a actuar nas mais importantes competições que envolvam Selecções Nacionais.

Nos últimos tempos tem vindo à baila o nome de Liedson.

Portugal sofre de uma carência crónica de ter avançados goleadores mas nem por isso Portugal deverá ceder à tentação de convocar o Levezinho.

Já com mais de 30 anos, com a maior parte da carreira feita no Brasil, ser relações de linhagem familiar ou antecedentes genealógicos que o liguem a Portugal a nacionalização de Liedson é apenas uma formalidade que lhe irá conferir legalmente uma dupla cidadania mas que em nada lhe irá trazer benesses em relação aos jogadores Portugueses.

O principio é simples. O que queremos fazer do Futebol Português?

Torná-lo uma cantera de formação ou um Supermercado onde nos vamos abastecendo consoante as necessidades?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

CR7: Chegar, Ver, Vencer


Uma inevitabilidade.

Assim poderemos descrever a consagração de Cristiano Ronaldo como o melhor jogador do Mundo, um Prémio atribuído pela revista France Football.

Seria uma autêntica heresia futebolística não atribuir este prémio ao jogador português. Se anos houve em que a votação para melhor do mundo foi pautada por indefinições causadas por performances equivalentes entre os candidatos era sabido que, para edição deste ano, Cristiano Ronaldo levava uma imensa vantagem. Só uma votação inquinada por critérios muito subjectivos ou lobbies federativos poderia retirar ao português o título.

Cristiano Ronaldo fez uma temporada a roçar o perfeito, tanto a nível colectivo como individual.

Foi seguramente o melhor jogador a actuar em Inglaterra, foi concomitantemente o melhor jovem, o melhor marcador no campeonato, um dos melhores assistentes para golo, o melhor marcador dos campeonatos europeus, o melhor marcador da Liga dos Campeões, o vencedor do campeonato Inglês, o vencedor da Liga dos Campeões, marcou de cabeça, marcou de pé esquerdo, marcou de direito, marcou de calcanhar, marcou de livre, marcou, marcou, marcou por 42 vezes.

É sabido que no futebol o talento não é tudo e que, em muitos dos casos, anda de braço dado com a sorte.

Ronaldo soube sempre aproveitar as oportunidades que teve quando despontou no Sporting, pelas mãos de Lazlo Boloni em 2002. De corpo franzino mas com velocidade estonteante, fintas arrojadas e sem medo de arriscar Ronaldo dissipou de imediato as dúvidas de quem não lhe augurava um futuro promissor.

O talento formado na academia leonina, apesar da tenra idade, voltou a não se deixar intimidar pelos adversários e numa exibição que podemos apelidar, com as devidas ressalvas, de arrogante, trucidou os jogadores do Manchester United aquando da inauguração do Alvalade XXI. Alex Fergusson, experimentado treinador nas lides do futebol não o deixaria escapar.

Chegado a Manchester com apenas 18 anos e sem dominar o idioma poderíamos esperar que Ronaldo ficasse na sombra, remetido para os escalões secundários do clube britânico até surgir uma hipótese na equipa principal. Ronaldo não só foi integrado de pronto na primeira equipa como teve uma demonstração impar de abnegação, carácter e superação que fizeram dele o jogador que é hoje em dia. É pública a dedicação quase excessiva de Ronaldo pelo treino, pelo aprimoramento de gestos técnicos, pelo treino físico.

Ronaldo tornou-se génio porque não dormiu à sombra do seu talento, pelo contrário, soube potenciá-lo e -lo no clube certo.

Com pouco mais de 20 anos Ronaldo atingiu o topo do Olimpo.

Há no entanto aspectos perversos no jogador Português que importa ressalvar.

Se no início da sua carreira o seu comportamento foi pautado por um discurso marcadamente para a valorização da estrutura familiar, nomeadamente pela importância da mãe e do falecido pai nos últimos tempos Ronaldo tem-se visto envolvido por um circulo mediático que nada abona em seu favor.

Ao expor a sua vida privada, ao austentar riqueza supérflua e esbanjamento de dinheiro em futilidades após um passado de privação, ao criar por sua própria iniciativa uma guerra entre dois clubes e federações devido ao seu interesse por jogar no campeonato espanhol, ao demonstrar uma faceta birrenta pela transferência ter saído gorada, ao desrespeitar um clube e uns adeptos que lhe proporcionaram tudo o que hoje tem Ronaldo perdeu fora do campo o crédito que vem ganhando dentro dele.

Queira ou não Ronaldo deverá consciencializar-se de que é sinédoque da imagem de Portugal a nível internacional. Tem não só no seu braço a braçadeira de capitão da Selecção nacional mas é o maior embaixador do seu país e por mais que não se queira imiscuir nessa responsabilidade ela não lhe será retirada.

Terá Ronaldo um estofo mental para suster tamanha pressão?

Que se lembre que o difícil não é atingirmos o topo..é mantermo-nos lá.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Padrinho

No Futebol tal como na vida dá jeito ter um padrinho.

Scolari sempre primou por deixar bem patente o porquê do cognome “Sargentão” marcando posições de força, mostrando ser um treinador ávido por criar conflitos antes de cada competição afastando nomes sonantes das suas convocatórias.

Em 2002 deixou Romário de fora do Mundial Coreia-Japão, em 2004, já ao serviço de Portugal, afastou Vítor Baia, em 2008 não convocou Maniche.
Ao longo dos anos em que esteve em Portugal Scolari demonstrou que privilegiaria sempre a coesão do grupo.

Enquanto treinador criou o conceito de “Família Scolari”, uma autêntica blindagem do colectivo, que quase sempre prejudicou jogadores em melhor forma e que trariam outras soluções à equipa das Quinas. No gráfico abaixo poderá ver a evolução das convocatórias de Scolari ao longo das 3 competições que disputou (Euro 2004, Mundial 2006 e Euro 2008)

(Clique na imagem para aumentar)


Scolari convocou 25 jogadores para o Euro 2004 disputado em Portugal. Dois anos mais tarde, no Mundial da Alemanha o seleccionador nacional chamou 23 jogadores, 19 deles tinham estado no Europeu disputado em terras lusas e seriam certamente 20 caso Jorge Andrade não se tivesse lesionado com gravidade.

No espaço de dois anos (entre 2004 e 2006) Scolari não abriu as portas do seu balneário a nenhum talento que estivesse a despontar. Selou a selecção portuguesa a um grupo que detinha a sua restrita confiança.


Bastaria aos jogadores convocados reforçarem o espírito de grupo, integrarem a sua família, serem ordeiros e cumprirem objectivos mínimos para não mais abandonarem o grupo. Iniciou-se uma época de lugares cativos na selecção, de “vacas sagradas” pelo que qualquer jogador independentemente da sua condição física seria chamado por Scolari.

E são muitos os exemplos que se podem referir que demonstram a obsessão de Scolari pela manutenção do grupo. As constantes chamadas de Hélder Postiga mesmo tendo este estado parado a maior parte da época, a convocação de Costinha para o Mundial 2006 apesar do mesmo estar sem clube e em condição física duvidosa, a manutenção constante de Nuno Gomes sem olhar ao seu rendimento desportivo e físico no clube de proveniência e finalmente o autêntico braço de ferro travado para a defesa do guarda-redes Ricardo.


Este é porventura o exemplo mais flagrante da intransigência de Scolari. Ricardo tornou-se um autêntico afilhado do treinador brasileiro que o defendeu com unhas e dentes defendendo muitas vezes o indefensável.


Os anos mais recentes da carreira de Ricardo, entre Sporting, Selecção Nacional e Bétis de Sevilha demonstraram que estamos a falar de um atleta emocionalmente instável. Paulo Bento afastou-o da baliza do Sporting durante largas jornadas por esse mesmo motivo, na selecção provou que nos momentos cruciais falha, o treinador do Bétis de Sevilha relegou-o para o banco após, no início de época, o ter contratado para titular da equipa.

A um guarda-redes pede-se estofo mental e sangue frio qualidades que Ricardo decididamente não possui.


Ricardo falhou na final de 2004, frente à Grécia, num lance em que se esconde por detrás de um jogador ao invés de tentar destemidamente socar a bola e voltou a repetir o mesmo erro perante a Alemanha no Euro 2008. Uma equipa nacional tão aguerrida não merecia um guarda-redes tão displicente na abordagem às jogadas.

Scolari por este motivo e pelo modo como comunicou o abandono da selecção nacional saiu pela porta pequena e com ele caiu um mito chamado Ricardo.

A selecção parte em direcção ao Mundial 2010 com Carlos Queirós finalmente com um sentimento de instauração de critérios meritórios para as convocatórias.

Afinal como o novo seleccionador diz «A Selecção não é um espectáculo com lugares marcados»

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Selecção: A Soco-lari


«Voltou o mata ou morre». Foi desta forma que Scolari antecipou o embate entre a selecção das quinas e a Sérvia. Mas ao que parece o seleccionador nacional terá levado a semântica demasiado à letra. Uma agressão a soco a um jogador Sérvio poderá ter repercussões nefastas para o Seleccionador Brasileiro.


Com uma agressão ao Sérvio Dragutinovic, jogador do Sevilha, Scolari deu não só um murro no adversário, como poderá ter comprometido a sua liderança rumo ao Europeu de 2008.


Luis Felipe Scolari perdeu a cabeça quando o árbitro da partida, o alemão Markus Merk, validou um golo aos 87 minutos, golo esse envolto em grande polémica por pretenso fora-de-jogo não assinalado. «Ele estava dois metros fora-de-jogo e provavelmente vocês têm as imagens. Mais uma vez Markus Merk vem aqui e aproveita a oportunidade para dar o nó» disse o seleccionador à RTP.


Não há que escamutear a situação. Apesar de Scolari afirmar que «não existem dados que possam castigar-me» e que apenas terá intervindo para «defender Quaresma» as imagens mostram, indubitavelmente, uma agressão ao jogador Sérvio.


Um líder de uma Selecção não se pode justificar dizendo «tentei tapear o jogador que ia tentar tapear o Quaresma». Uma conduta anti-desportiva nunca poderá ser paga na mesma moeda.


Uma vez mais lanço uma critica ao conceito de "flash-interview" no futebol.


Após um incidente com esta gravidade não me parece sensato colocar um interveniente de uma agressão a falar perante as cameras. O estado de descompensação psicológica tira discernimento e Scolari pode ter assinado a sua sentença não revelando a humildade suficiente para reprimir os seus actos irreflectidos. A UEFA costuma ter mãos pesadas nestas situações.


É mais um episódio negro num rol de situações que em nada abonam a favor do futebol português.


Relativamente ao futebol jogado voltou o fatalismo do fado lusitano. Tem-se tornado recorrente Portugal complicar sempre as contas dos apuramentos para fases finais. Em três jogos Portugal poderia ter deitado tudo a perder com três empates consecutivos contra Arménia, Polónia e Sérvia, não tivessem os seus oponentes perdido pontos também.


Novamente teremos de andar com a famosa calculadora nas mãos.


sexta-feira, 13 de julho de 2007

Sub-20: Porta do Fundo


Uma vez mais uma equipa nacional portuguesa deixa a marca da sua selvajaria numa competição internacional.



Desta vez foram os Sub-20 que, no Mundial que se disputa no Canadá, foram um exemplo (a não imitar) daquilo que não deve ser o Futebol.


Mais uma vez veio à tona a mesquinha mentalidade portuguesa. Tido como favorito perante um grupo acessível - Nova Zelândia, México e Zâmbia - Portugal nunca mostrou as suas credenciais. Nunca houve colectivo, nunca houve esquema táctico sustentado, nunca houve interligação entre sectores, em suma, foi sempre uma equipa à deriva.


Mas, não é pelo insucesso desportivo que esta
Selecção merece um total repúdio, é pois pela conduta anti desportiva que evidenciou durante toda a competição.


Começou com o jogo contra o México no qual Pelé teve uma entrada violentíssima sobre um colega de profissão, passível de o lesionar.



Agora, nos oitavos-de-final, Mano agrediu um adversário e Zequinha, na tentativa de retirar o cartão vermelho do bolso do árbitro foi igualmente expulso. Perante a enorme massa de emigrantes portugueses que encheu os estádios, o mínimo que se pedia a esta equipa era hombridade.


Portugal manchou, uma vez mais, a sua reputação, demonstrou a falta de carácter dos seus atletas que evidenciaram, uma vez mais, não saber lidar com o insucesso desportivo
.


Culpas para estas pseudo-estrelas, para o pulso fraco de um treinador (José Couceiro) que já no Futebol Clube do Porto não soube lidar com os problemas de indisciplina e para os órgãos de comunicação que tendem a idolatrar meninos que não têm créditos firmados, nem nas selecções, nem nos clubes.




Acontece que casos de indisciplina não têm sido acontecimentos isolados nas Selecções Nacionais.


Não é necessário recuar muitos anos para nos lembrarmos dos empurrões dos jogadores lusos ao árbitro do Portugal - França do Euro 2000 (Europeu Bélgica/Holanda).




No Mundial 2002 (Coreia/Japão) João Vieira Pinto agrediu o árbitro argentino Ángel Sánchez o que lhe valeu uma suspensão da prática desportiva durante 6 meses.



Mais recentemente os Sub-21, num playoff de acesso ao Europeu da categoria, após a vitória sobre França, os jogadores portugueses vandalizaram o balneários do Estádio Gabriel-Montpied, em Clermont-Ferrand.


Apesar de Hermínio Loureiro ter condenado os incidentes, foi vergonhoso ver o jogador Tiago justificar os danos pelo facto de o tecto «ser muito baixo».



Esperemos que a mão da Federação Portuguesa de Futebol seja pesada e que estes meninos passem a ter mais respeito pela camisola que envergam, pois é o prestigio do país que colocam em causa.