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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Lisboa: A meter Água

Indonésia, Banda Aceh. Em 2004, ainda em plena quadra natalícia, fomos assolados por uma tragédia de dimensões monstruosas.

Uma deslocação anormal de placas tectónicas no Oceano Índico originou um maremoto que, com a força das águas e o arrastar de sedimentos, se viria a revelar uma das mais mortíferas tragédias naturais da história.


A onda gigante atingiu sete
países. As vítimas directas ascenderam a mais de 200 mil. Mais de 70 mil pessoas desapareceram. O avultado número de vítimas, apesar das dimensões assombrosas do desastre natural, só pode ser interpretado à luz das precárias condições de vida das populações do Sri Lanka, Indonésia, Tailândia, Malásia e Bangladesh, entre outros.

Falamos de países terceiro mundistas, com habitações amontoadas, sem fundações nem estruturas sólidas e geralmente feitas com materiais abundantes na
região: bambu, argila, madeira, chapas de zinco. Só com habitações deste género poderemos explicar o autêntico varrimento ocorrido e a maximização dos efeitos da catástrofe.

Em Fevereiro de 2008 a região de Lisboa não vivenciou a hecatombe de um tsunami mas umas meras horas de chuva foram o suficiente para deixar a região num estado de sítio.

Como foi referido em cima, as consequências de um qualquer incidente têm de ser devidamente contextualizadas.

Vamos por partes.


Portugal viveu dois anos consecutivos um clima de rarefacção da pluviosidade o que se repercute em secas severas e extremas, ou seja, não tem chuvido o suficiente.

Como explicar então as repercussões trágicas que algumas horas de chuva tiveram na região de Lisboa?


Uma breve leitura dos dados sobre os recursos hidridicos nacionais agudizam esta questão.


Em Lisboa, em Outubro de 2007 choveu quase um décimo do que é normal. Em Novembro apenas 60% do normal. Em Dezembro menos 58%. Em Janeiro de 2008 a pluviosidade esteve a 20% do número médio normal. Só neste mês de Fevereiro é que encontramos valores que quase dobram os valores médios de chuva nessa região.

Fonte: INAG

O estado calamitoso em que uma cidade como a de Lisboa ficou após um incremento da pluviosidade apenas pode ser explicado pela gritante falta de planeamento urbano e de ordenamento do território.

Numa cidade em que, pelo menos há mais de meio ano, nem de perto, chove o mínimo razoável só pelas condições deficitárias de escoamento e drenagem de águas, limpeza subterrânea e má ordenação do território urbano poderemos justificar a inundação de habitações, lojas, estradas e aluimentos de terras.

É de facto gritante o planeamento urbano da cidade de Lisboa e ainda se afigura pior nas regiões circundantes, chamadas cidades dormitório.

Apartamentos degradados que se amontoam ainda sem arruamentos e estruturas básicas construídas ou se as há, encontram-se em manifesta degradação.

À Lisboa que se mostra nos postais contrapõe-se uma outra suja, degradada, precária. Autênticos focos de marginalização urbana e social. Esquecidos e abandonados.


Infelizmente após as cheias, como já vem sendo habitual, ao invés de se assumirem culpas verificou-se mais um "jogo da batata quente" entre Governo e Munícipes sobre as responsabilidades na falta de limpeza dos recursos hídricos.

Não nos interessa de quem é a culpa, o que sabemos é que o poder político anda a meter muita água, muita mesmo.

sábado, 30 de junho de 2007

António Costa: Demagogias


Em pouco mais de um mês, António Costa passou de Ministro da Administração Interna a candidato à Câmara de Lisboa.


Olhando para aquilo que tem sido a sua campanha, ou o socialista ainda não consegue destrinçar os papéis que cumpriu (Ministro) e que está a cumprir (Candidato) ou então as suas propostas não passam da mais pura demagogia política.


Parece-me clara a manobra política por parte do Governo ao abrir um precedente para nova discussão sobre a localização do novo Aeroporto. É preciso fazer um grande esforço mental para recordar uma questão estrutural em que o Governo tenha recuado. Acontece que uma insistência irredutível na OTA prejudicaria a popularidade do Governo e do candidato Socialista.


A decisão da OTA fica adiada por seis meses e estuda-se a hipótese de construir um novo aeroporto mantendo o Aeroporto da Portela activo, aquilo que se tem apelidado de "Portela + 1".


A segunda demagogia foi protagonizada por Ana Sara Brito, a terceira da lista do PS às intercalares de Lisboa.


Num debate promovido pela ILGA (International Lesbian and Gay Association) a socialista disse que a candidatura de António Costa está a aberta à realização de casamentos civis entre homossexuais.


«O direito dos homossexuais ao casamento é um direito que nós defendemos»


Ana Sara Brito defendeu igualmente que os casamentos se deveriam realizar no Salão Nobre da Câmara e que os noivos poderiam casar numa cerimónia como os casamentos de Santo António. «Esta é a opinião da equipa liderada por António Costa» rematou.


O meu ponto de discórdia não se prende com qualquer preconceito homofóbico. Apenas com o facto desta medida não ser exequível.


Primeiro é pura demagogia tratar a questão do casamento entre homossexuais como uma questão local, apenas de interesse dos Lisboetas e não como uma questão nacional. O outro ponto prende-se com a capacidade de colocar este designo politico em marcha.


Para que sejam possíveis casamentos entre homossexuais esta medida terá obrigatoriamente que passar pelo Parlamento e Tribunal Constitucional, nunca poderia ser uma questão camarária.


António Costa foi protagonista de uma iniciativa de sensibilização inédita no inicio dos anos 90, na qual através de uma corrida entre um Burro e um Ferrari (que o Burro acabaria por vencer) demonstrou o trânsito caótico na Calçada de Carriche.


Na campanha para as intercalares de Lisboa as ideias urgem.