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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Curtas: Política II



O calendário escolhido para as Autárquicas deixou novamente Cavaco Silva mal na Fotografia.

Com apenas duas semanas a separar Eleições, a agenda mediática foi ocupada com as reacções ao primeiro acto eleitoral e análises aos prolongados silêncios do Presidente da República.

Com pouco mais de uma semana de campanha para as Autárquicas, a discussão dos grandes temas do poder local foi completamente obliterada ao não se dar tempo de antena às novas propostas e intervenientes.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Curtas: Política I


Estranha democracia esta onde situações verificadas em 2002 (Caso Freeport) são trazidas à baila, em 2009, meses antes de umas eleições legislativas que envolvem José Sócrates.

Estranha democracia esta quando, em 2009, após Paulo Portas, o líder do CDS-PP, ter conseguido o maior resultado de sempre, se toma de assalto escritórios de advogados por suspeitas de corrupção num processo de compra de Submarinos que remonta a 2004.
Estranha democracia esta..

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Curtas: Cavaco Silva II


Ao demitir o assessor Fernando Lima em vésperas de eleições, o Presidente da República, Cavaco Silva, deitou por terra a sua tão propagada «estabilidade do sistema politico democrático».

É da competência do Presidente da República zelar pelo bom funcionamento das instituições. Optar pelo silêncio e lançar um clima de suspeição sobre o acto eleitoral não ajuda ninguém.

Se ao recorrer ao silêncio Cavaco procurou não interferir nas Legislativas enganou-se, já o fez.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Verdades de Medina Carreira



Uma grande entrevista concedida pelo fiscalista à SIC Notícias que põe a nú o estado do Estado, da política e dos insucessos do sistema democrático português.

domingo, 14 de junho de 2009

Curtas: Cavaco Silva I


Já ninguém fica surpreendido quando um líder político decide dar a sua opinião sobre coisas para as quais não tem a mínima competência.

Cavaco Silva considerou que os valores pagos pelo Real Madrid por Cristiano Ronaldo «passaram os limites razoáveis».

Todos gostariamos de ter um Presidente menos preocupado com a indústria futebolistica e mais interventivo em temas como a utilização de dinheiros públicos para tapar os milionários desfalques bancários ou os cartéis das empresas energéticas que multiplicam lucros em tempos de crise.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Deputadas: Digam lá 33


Porque insistimos em fazer leis quando não estamos preparados para as cumprir ?

Quando as coisas são iguais para quê uma lei que as torna diferentes?

A polémica surgiu esta semana com uma alegada tentativa do PSD para contornar a lei da paridade no que toca à lista para as Europeias. Como a nova lei exige, deverá ser intercalada uma candidata do sexo feminino por cada três deputados do sexo masculino.

A congeminação social democrata demonstra um dos argumentos supra-referidos: a impreparação social para cumprir leis promulgadas.

Segundo aquilo que foi veiculado na imprensa, a estratégia do partido passaria por intercalar a quota de mulheres indicada pela lei mas, à posteriori, fazer com que elas renunciassem ao seus cargos.


O ridículo é que a própria lei sobre a paridade é, ela mesma, uma lei segregacionista, uma vez que divide define o género como uma variável de acesso ao poder em detrimento das competências que são alheias à diferenciação sexual.

A lei aprovada em 2006 pelo Presidente da República Cavaco Silva acaba por estar redundada ao ridículo.

Se atentarmos num dos documentos basilares para a cidadania, verificamos que já a 10 de Dezembro de 1948 a Declaração Universal dos Direitos do Homem proclamava:

«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. (..) Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país.»


Isto significa que durante 58 anos as mulheres tiveram consagrado um estatuto que em tudo era igual ao dos Homens, mas foi preciso, em Portugal, criar uma lei para, por um lado, distingui-las sexualmente e, por outro, enfatizar que são pelo menos 33% iguais aos homens.

Das duas uma. Ou assumimos que somos uma sociedade livre e igualitária, de livre acesso a cargos públicos ou então insistiremos numa teatralização democrática por quotas, por parcelas, pois leis impositivas e discriminatórias.

Rotular os detentores para lá daquilo que sejam as suas competências tecnocratas é desvirtuar o desempenho dos cargos políticos.

Bem mais útil seria implementar uma lei que obrigasse os executivos a cumprirem, pelo menos, 33% das promessas eleitorais.

Uma lei, por si só, não faz uma regra prevalecer, a mentalidade sim.

Ora digam lá trinta e três.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Boas Festas


Retrospectiva de 2008 e conjecturas sobre aquilo que nos espera em 2009:

Economia: Não se avizinham tempos fáceis. Vêm aí falências, despedimentos em massa, fusões para fugir à crise. 2008 será recordado como o ano do declínio irreversível do capitalismo selvagem. Num contexto de pouca liquidez e incerteza em relação aos agentes económicos levará o seu tempo até que banca e investidores voltem a confiar no novo sistema. Resta saber o que nos espera.

Politica: Menor margem de manobra. 2009 será um ano de fogo para a classe política. Pairam dúvidas sobre o papel da União Europeia a 27, sobre o rumo da política Norte-Americana e sobre o espectro expansionista do bloco Chinês. As sucessivas crises económica, social e identitária criaram um terreno fértil à ascensão dos regimes extremistas, com especial ênfase para a Direita. Ou os Estados se tornam mais sociais ou então deveremos levar o aviso dos jovens gregos bem a sério.

Futebol: O pós-Scolari deveria ter sido acautelado de outra forma. A Equipa Nacional sofre de uma carência de liderança dentro e fora do campo. Depois da saída de muitos jogadores históricos não se vislumbram sucessores óbvios aos seus lugares. Com a crise a chegar também ao Futebol é bom que os clubes nacionais apostem menos na compra e mais na formação. A Selecção e o Futebol Português agradecerão.

Educação: Quando no sistema de educação se discute mais a figura do professor do que a do aluno algo vai mal. Que se trabalhe no sentir da concertação, educação ainda pode ser um sector de prestígio, haja bom senso.

Cultura: Em tempos de crise, os cortes orçamentais fazem-se sentir com mais acuidade no campo artístico. Sem pretensões a ser o ópio do povo é necessário investir-se mais na arte. Qualquer área que seja evasiva ajudará a dissipar, mesmo que por instantes, os pensamentos menos optimistas. O Homem sonha, o Mundo avança.

Desejo de Boas Festas a todos os leitores do Observador XXI.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Educação: Déjà Vu


Está a precisar de emprego ou apenas descontente com o que tem neste momento?


Imagine uma profissão em que ter vocação não é um imperativo para que a exerça, imagine uma profissão em que não terá contrapartidas negativas mesmo que não a execute com todo o profissionalismo devido, uma profissão em que todos os que nela ingressam podem aspirar ao topo da hierarquia, uma profissão em que a progressão é automática, uma profissão em que é a variável tempo que determina a subida de estatuto e não a qualidade do serviço prestado, em que a fiscalização é esporádica e pouco rigorosa.

Interessado?

Temo que esta profissão tão apetecível esteja com os dias contados. Falava-vos da profissão de Professor até à entrada em cena da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Durante as três décadas que se sucederam ao 25 de Abril a educação tornou-se um sector estagnado.

Apesar de ter sido uma «paixão» de muitos executivos nenhum conseguiu instaurar as tão proclamadas reformas. Sempre que chegava a altura de proceder a mudanças estruturais e se consciencializavam da dimensão das repercussões politicas que teria reformar um sector que envolve um universo tão vasto (famílias inteiras, professores e pessoal não docente) o resultado foi sempre um, manter tudo na mesma.

Durante mais de 30 anos os professores mantiveram o seu status quo intocável, não souberam adaptar-se aos tempos e continuaram a ensinar nos mesmo moldes em que os seus antepassados foram ensinados e continuaram a conceber a escola como um depositário do trabalho individual e não como uma comunidade.

O professor, geralmente mostruário de conteúdos programáticos, apenas ganhou consciência de que integrava uma comunidade aquando de manifestações ou protestos para manter as suas regalias.


É assinalável verificar a imensa mobilização num sector que sempre esteve de costas voltadas para si mesmo

Durante mais de 30 anos pouco mais se exigiu aos professores para além de dar aulas.

Trinta anos depois o Mundo mudou, as crianças estão mais despertas para o que as rodeia, o trabalho em rede e em pares tornou-se um imperativo para o sucesso de qualquer organização, as carreiras deixaram de ser vitalícias (o tão afamado trabalho para a vida vem perdendo expressão) tendo vindo a transformar-se num sistema de trabalho especializado, sazonal e onde vêm a ganhar importância os sistemas meritórios de compensação, muitas vezes mediados por instituições externas.

Talvez a astronomia e astrofísica não sejam domínios de que a maioria dos professores esteja inteirado mas convém perceberem que o Mundo nunca parou de efectuar os seus movimentos de translação. Já não é necessário pagar-se indulgências para se conseguir um lugar no paraíso divino, já ninguém paga corveias para trabalhar nos grandes latifúndios, as mulheres já se emanciparam, o Mundo mudou..

Nos últimos meses temos assistido a greves, manifestações, protestos, motins. Mais do que propostas palpáveis, os acontecimentos mediáticos apenas têm visado criar ruído, denegrir a imagem pública de membros governativos, causar mossa política, criar forças de bloqueio para a execução das reformas, o objectivo não é discutir nada, é criar um ambiente tão hostil que torne as mudanças inviáveis, de preferência afastando a Ministra.

A política dos Sindicatos, encabeçada pelo líder da FENPROF, Mário Nogueira, tem sido essa, um autêntico braço-de-ferro que pretende jogar com os tempos mediático e político aproveitando a demagogia para interesses corporativos.

Num protesto feito de frases feitas, em que muitos protestam sem opinião formada ou sem consciência do que vai mudar, gera-se uma onda de repulsa à mudança porque ela acarreta perda de privilégios.

Os professores não querem ser avaliados pelos pares, não querem quotização na progressão das carreiras, não querem que os pais sejam envolvidos no processo de avaliação, apenas querem um «modelo de avaliação justo», de preferência em que sejam eles próprios a autoavaliar-se, um embuste de avaliação que de nada servirá.

Todos querem reformas menos quando elas colidem com as suas regalias.

Saberão os professores o que realmente querem? Tenho dúvidas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Zé Polvinho


A política tal qual um Polvo.

Não é necessário ser-se um leitor atento para, olhando para a política nacional, se reconheça uma intensa teia de relações permiscuas entre órgãos governativos e diferentes poderes.

Como se de um Polvo se tratasse politica e poder económico alargam os seus tentáculos, contornam a legislação e estabelecem um esquema de favorecimentos mútuos que escapa às malhas da Justiça.

Aquilo que se verifica em Portugal é uma absorção, por parte do sector privado, dos grandes cérebros da Gestão, Economia, Engenharias e Advocacia, que são altamente remunerados, com uma carreira estável e independente de ciclos politico-partidários. Pelo contrário quem governa, terá de o fazer um autêntico jogo de expectativas, mediado através da comunicação social (tendencialmente contra-poder) o que se repercute em mandatos curtos que dificilmente excedem duas legislaturas e redunda no descrédito público das figuras governativas.

Manda a lógica que qualquer profissional que se preze, principalmente em conjunturas económicas instáveis, zela pele estabilidade na sua carreira.

Assim sendo enveredar pela carreira politica afigura-se um exercício desgastante e pouco apetecível quando comparado com o auspicioso sector privado. Assistimos então à chegada ao poder de uma segunda linha de dirigentes políticos, mal remunerados e por isso permeavéis a influências.

Representam uma classe politica incapaz de chegar aos compensatórios cargos privados mas que a todo o custo aspira lá chegar e o faz através de concessões múltiplas.


Se olharmos para a proveniência e passado profissional de muitos políticos, que na última vintena de anos, têm passado pela Assembleia da Republica verificamos aquilo que se poderá apelidar de «conflitualidade de poderes».

Falo pois de Advogados, Juristas e profissionais de outros ramos pertencentes a grandes grupos e sociedades que, pela natureza do seu cargo, deveriam zelar pelo bem público mas que, por serem representantes em Portugal de multinacionais, produtos ou marcas, acabam por, de uma forma ardilosa. alterar pontualmente a constituição de forma e aprovar negócios nos quais têm interesse atendível.

Iberdrola, BCP, Mota-Engil, Portucale, Bragaparques, Casino Lisboa, BPN são tantos os exemplos de relações dúbias entre política e poder económico.

Tal como afirma Saldanha Sanches «A corrupção em Portugal é particularmente paralisadora, uma vez que apenas procura obter o máximo do Estado»

Não auguro nenhuma melhoria neste campo nos próximos anos.

Com a crise capitalista que enfrentamos e a necessidade de retoma economica veremos um Estado assegurar uma dupla função. Em primeiro lugar um papel mais interventivo do Estado enquanto agente económico, abandonando a postura neutral em relação ao mercado, assegurando maior inventimento , injectando capital e sendo estimulador económico principalmente através de grandes obras públicas. Por outro lado, teremos um Estado mais manietado perante os custos crescentes com a vertente social (desemprego, saúde).

As impediosas metas económicas tornarão o Governo, seja ele qual for, ávido a avultados investimentos de forma a evitar recessões. Isto significará certamente alimentar as indústrias de base do País, sobretudo a construção cívil.

Aproximam-se tempos díficeis mas certamente não faltarão obras faraónicas: pontes, aeroportos, TGV.


Governar cada vez menos significa adoptar políticas mas sim gerir interesses.


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama: Ventos de Mudança


Uma força avassaladora.


Barack Hussein Obama desafiou os incrédulos, superou os renitentes, destronou os cépticos.

Se recuássemos quatro anos atrás e o jovem Senador do Illinois manifestasse então o desejo de se tornar Presidente dos EUA as suas declarações seriam alvo de gracejo. Como poderia um cidadão negro, um político inexperiente, um homem não oriundo das dinastias politicas americanas sequer aspirar a tal cargo?

Não só o público em geral soltaria uma gargalhada como também Obama, no seu âmago, largaria um sorriso como que pedindo desculpa por tamanha ousadia.

Em 2008, vemos Obama irromper pela bruma da noite, ladeado por estandartes simétricos "Stars and Stripes", os holofotes estão sobre ele, a multidão ovaciona-o numa euforia tão genuina como arrebatadora. Será este momento real ou apenas mais uma das demonstrações do poder dos simulacros hollywoodescos? Obama de pronto nos dissipa as dúvidas.

«Se existe alguém quem ainda duvida que a América é um sítio onde todas as coisas são possíveis (..) que ainda questiona o poder da Democracia. Tem hoje, aqui, a resposta»

Barack Obama tem razão.

Não foi só uma grande vitória para os Democratas, foi uma vitória para a Democracia global, uma vitória que deveria ser vista por todos nós como um tónico para a mudança.

Não sei explicar o quê, mas há em Obama algo de magnetizador, uma vibrante energia positiva que só encontramos nos mais carismáticos líderes da história da humanidade, algo que perpassa nas suas palavras mas que as transcende.

Algo que mobilizou, como nunca antes na história dos EUA, os cidadãos para as mesas de voto, algo que os fez acreditar na importância da participação cívica e na importância de cada voto singular na mudança de rumo do país, algo que devolveu aos jovens a vontade de ter expressão pública, algo que, numa conjuntura de crise, reuniu ricos e pobres, brancos e negros, novos e velhos,autóctones e imigrantes, católicos e islâmicos na convicção de que a «sua voz poderia ser a diferença».

É este o poder da verdadeira Democracia, unir na diferença.


Um discurso irrepreensível, sem a efusividade que muitos esperariam, mas à inércia postural Obama contrapôs uma cadência rítmica, palavras incisivas ditas com a profundidade de quem quer provocar rupturas.

Obama recordou que nunca foi o candidato provável, que a sua campanha se iniciou com poucos recursos e donativos, que cresceu em razão proporcional à vontade de mudança de cidadãos anónimos, homens e mulheres que viram nele o epicentro de toda a mudança. Alertou para os desafios que se avizinham, propôs reconstruir a América «bloco-a-bloco», lançou o repto à união e ao envolvimento dos cidadãos nesse processo, não cidadãos enquanto indivíduos, mas sim enquanto massas unidas capazes de debelar as feridas profundas causadas por oito anos trágicos.

Num discurso temporalmente tripartido Obama lembrou o passado, acentuou as dificuldades presentes mas remeteu para o futuro uma palavra de esperança, a retoma do sonho americano.

Mais do que uma vitória sem precedentes a história de Obama é a concretização do espírito de missão, do desejo de ir mais além, do desafiar de dogmas, convenções e preconceitos, um poder que está em todos nós e que depende do nosso espírito de iniciativa para vingar.

Obama tem condições para se tornar num dos mais marcantes líderes políticos da história, as suas ideias são inovadoras, o seu discurso optimista, a sua postura humilde.


A história de Obama extravasa o contexto político, é bem mais do que isso, uma lição que nos faz acreditar que podemos mudar o rumo dos acontecimentos mesmo quando ninguém nos dá crédito ou não nos vaticina sorte.

As mudanças afinal começam e acabam em nós mesmos, basta acreditarmos. Obama acreditou e faz-nos acreditar.


Tal como Obama proferiu vezes sem conta «Sim nós podemos!»

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tragédia Bush


Um erro de casting.

Numa alusão à mitologia grega poderemos estabelecer uma analogia entre George W. Bush e a figura de Ícaro.

Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e de maior engenho de Atenas. Em comum Pai e filho tinham o anseio da superação, juntos criariam um par de asas tão perfeitas como as das aves, capazes de catapultar o homem para vôos mais altos. Coube a Ícaro testar a invenção do seu Pai, com a ajuda de alguns fios e de cera Dédalo fixou as asas ao corpo do seu filho. Não deixou porém de o advertir, Ícaro não poderia nem voar muito baixo porque o mar molharia as asas nem muito alto porque o Sol derreteria as junções feitas em cera.

Tomado pela sensação de liberdade e omnipotência Ícaro ignorou os conselhos do seu Pai, inspirado pela luz magnetizadora do Sol voou no seu encalço. Acabou por perder a vida despenhando-se no fundo do mar.

Troquemos o nome de Dédalo por George Herbert Bush, o de Ícaro por George W. Bush, as asas pela presidência dos Estados Unidos e teremos uma história de paralelismo perfeito.

Tal como na politica, também na vida George W. Bush lutou pela definição de si mesmo nunca conseguindo afastar a sombra da influência do seu pai; um magistério de influência do qual nunca se conseguiu distanciar desde a adolescência e que se repercutiu em muitas das suas decisões politicas.

O carisma do seu Pai foi sempre para Bush uma força opressora e inibidora do seu próprio desenvolvimento e crescimento emocional.

A missão de se emancipar segundo cânones paternais obrigariam um jovem estudante mediano, intelectualmente preguiçoso a superar-se. Não foram pois de estranhar as constantes crises de identidade durante o seu trajecto de vida. Bush desertou o exército de forma a fugir à guerra do Vietname, teve problemas com álcool e drogas, geriu de forma danosa as empresas petrolíferas da própria família.

Desenganem-se aqueles que pensam que o pior inimigo de Bush foi Bin Laden ou mesmo Saddam Hussein foi-o sim a sua interioridade, o desejo permanente de se emancipar politicamente em relação ao seu pai.

Um estudo do pai da psicanálise permite-nos compreender algumas das tomadas de decisão que Bush teve ao longo dos seus dois mandatos.

Em 1966, Sigmund Freud e William Bullitt elaboraram um estudo de avaliação psicológica do 28º Presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Apesar dos mais de quarenta anos que separam esse estudo da actualidade há nele algo que assenta que nem uma luva na personalidade e no percurso de vida de George Bush, uma só citação a ligar as duas histórias de vida.

«Quando comparamos a força do homem com a magnitude da tarefa a que tinha metido ombros essa paixão é de tal forma avassaladora que se sobrepõe à realidade»

É público que George Bush foi o presidente dos EUA com o QI mais baixo mas foi sobretudo a sua fragilidade emocional que precipitaram o seu colapso. De forma a suprir as suas próprias limitações Bush rodeou-se de um circulo que rapidamente deixou de ser apenas um grupo de conselheiros para integrarem o seu circulo mais intimo: Cheney, Condoleeza Rice, Karl Rove, Collin Powell.

Após ter revelado dificuldades enquanto governador do Texas, Bush apenas se inteirou de politica internacional depois dos 40 anos ao ponto de desconhecer se a Alemanha integrava a NATO (pergunta feita a P.Wolfowitz em 1999), onde ficava o Paquistão, o que eram talibãs e mesmo de ter chamado aos naturais do Kosovo «kosovarianos».

Estas notórias dificuldades de George W. Bush ajudam a explicar que a pasta das relações internacionais tenha sido delegada em Powell, num primeiro mandato e em Rice, no segundo.

Bem aconselhado ou não aquilo que sabemos é que o mundo mudou após oito anos de Governação Bush. Vivemos num espaço marcado pela instabilidade tanto económica com em clivagem civilizacional.

Com a América ferida no seu âmago por atentados terroristas de contornos, no mínimo duvidosos, George Bush encetou uma autêntica caça ao Homem (Bin Laden) que rapidamente se alastrou a toda a comunidade árabe. Ao escolher um alvo de pele escura, vestido com turbante e de longas barbas, Bush declarou guerra a uma sinédoque de toda a civilização árabe, ,uma poderossima guerra psicológica discriminatória.

Embuído no seu espírito de democratização do Mundo George W. Bush invadiu o Afeganistão no encalço de Bin Laden. Bin Laden continua por localizar, o Afeganistão por democratizar.

Em 2003 a administração Bush apontou baterias para o Iraque, mais do que a geopolítica ou a ameaça por parte de Saddam de armas de destruição massiva o Iraque foi uma questão pessoal para a família Bush, uma meta decisiva para, pela primeira vez Bush exorcizar os seus próprios fantasmas de incompetência politica e se demarcar do seu pai.

À luz do que sabemos hoje será consensual afirmar que para lá dos objectivos económicos (é a segunda maior reserva de petróleo do Mundo) o Iraque foi invadido para que a família de Bush fosse vingada. Completando a missão que o Pai tinha deixado a meio no inicio dos anos 90 e derrubando Saddam Bush teria a sua primeira grande vitória política.

As consequências da governação Bush são desastrosas.

As politicas da sua administração reduziram a liberdade dos cidadãos em prol da sua segurança, hoje é possível prender sem mandado de captura, é possível deter por tempo indeterminado, sem respeito pelas convenções de Genébra, hoje as nossas comunicações são mais vigiadas, sofremos as consequências ambientais por Bush ter recusado seguir directrizes ambientais do tratado de Quioto, vivemos com mais dificuldades porque a tensão bélica causou instabilidade nos mercados energético, financeiro, comercial, capitalista.

Bush ascendeu a presidente em 2000 com menos votos que o candidato democrata Al Gore mas com mais delegados eleitos no colégio eleitoral. A sua vitória não foi uma vitória democrática mas uma criminosa campanha urdida num bastião da família Bush onde a recontagem dos votos no Estado da Flórida (administrada por um primo seu) foi decisiva.

Bush saboreou ao longo dos mandatos um decréscimo na sua popularidade (a mais baixa de sempre na historia dos presidentes) e tornou-se um presidente em descrédito numa América que perdeu o seu papel hegemónico a nível politico, económico e diplomático.

Tal como Ícaro Bush almejou voar até ao Sol; acabou por se afundar nas profundas águas do descrédito.

Este artigo pode também ser lido no Portal PTGate

sábado, 1 de novembro de 2008

Crise: Hoje, Ontem, Amanhã

Para que haja um futuro amanhã temos hoje que resolver o futuro de ontem!

A crise financeira, tema de que tanto se tem falado “um pouco” por todo o mundo… Uma crise que até já foi comparada pelo Governador do BCE como de proporções idênticas àquela que a Europa sofreu no pós Segunda Guerra Mundial. Uma crise que foi criada pelo mundo financeiro que, ao longo da última década, exponencializou os seus lucros de uma forma absolutamente insustentável enriquecendo à custa de um sistema canibal de especulação e crédito – crédito habitação, crédito ao consumo, crédito ao crédito e crédito ao crédito para crédito…

Diz-se agora que o subprime não foi uma crise, mas antes o sintoma de uma crise que se avizinhava e a própria crise dos combustíveis parece ter perdido relevância (excepto para todos os que com ela perderam dinheiro nos seus investimentos). Hoje o problema de liquidez entre os bancos piorou, o dinheiro ficou mais caro, os investimentos retraíram com receio desta conjuntura de incerteza, as bolsas ressentiram-se profundamente revelando quedas de proporções avassaladoras, o sistema bancário entrou em colapso e muitas pessoas iniciaram uma corrida aos balcões dos seus bancos com medo de perder o seu dinheiro.

Observámos também nas últimas semanas as primeiras reacções a esta crise a nível mundial. Tivemos um corte das taxas de juro pelo BCE, FED e Reino Unido em 0,5 pontos percentuais (…) e agora os governos tornaram-se fiadores dos bancos criando uma almofada de 20.000Meur, o que tal como o Ricardo Araújo Pereira evidência na sua crónica semanal na revista Visão cria um interessante sistema em que “A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos.”

É de facto irónico que numa crise com esta dimensão, os primeiros a quem tenhamos que deitar a mão sejam os principais responsáveis pela própria crise e o sector que na última década mais cresceu com lucros cujos valores podem apenas ser classificados pelo comum mortal como absolutamente pornográficos.

No meio de tudo isto certo será que 2008 entra para a história como um ano negro na economia mundial, mas será só isso?

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown no seu artigo de opinião no Washington Post fala em aproveitar esta crise para “construiu um mundo novo”. E em sintonia com ele penso que de facto 2008 não será apenas o ano da maior crise económica mundial conhecida desde a Segunda Guerra Mundial. De facto esta será o ano em que economia muda uma vez mais o mundo.

Se pensarmos mais uma vez no pós-Segunda Guerra Mundial, e recordarmos os efeitos do Plano Marshall no mundo podemos perceber o enorme impacto cultural que a Europa sofreu, afinal se não fosse a inundação de capital americano será que hoje estaríamos a comer Big Mac’s no McDonalds em todas as cidades europeias?

Mais tarde e por resultado de outras crises de dimensões diversas, a Europa percebeu que para poder continuar a ocupar o seu lugar no mundo teria que caminhar para um sistema mais global em que os seus países deitariam por terra as suas fronteiras abrindo lugar a um mercado global de livre-trânsito de produtos, serviços e trabalhadores assim como criando um sistema monetário comum… surgiu a União Europeia e posteriormente o Euro.

Hoje a Europa está novamente em dificuldades, mas o capital americano deixou de ser uma solução porque simplesmente não existe.

Não é fácil prever o que acontecerá, talvez até sejam os capitais asiáticos a ajudar-nos desta vez… E essa é uma ideia um pouco assustadora visto que as diferenças culturais entre os nossos continentes são abismais e um choque cultural desta envergadura poderia ser bastante complicado de gerir para a Europa.

Ainda assim, não é uma hipótese a descartar de imediato ainda que seja talvez improvável uma vez que países como a China têm imensos problemas, especialmente de escala nomeadamente no que toca à população, destruição ecológica e escassez alimentar. Isto já para não mencionar o mau timing na sua industrialização que ainda que os tenha tornado numa potência mundial, fê-lo numa altura em que esse parece ser um modelo económico ultrapassado.

Mas especulações à parte as mudanças já começaram um pouco por toda a Europa, e mudar é bom! Parece que caminhamos para um mundo onde as instituições financeiras serão maiores e mais globais, as economias mais unidas; anunciam-se realinhamentos geoestratégicos de potências e alianças, maior intervenção do estado com maiores preocupações sociais, uma maior consciencialização ambientalista dos povos, governos e indivíduos… será provavelmente o fim da história industrial no mundo, o inicio do fim dos combustíveis fósseis e o final na crença do tecnotriunfalismo.

Na Europa assiste-se agora a reposicionamentos dos países mais conservadores no que toca à união dos países europeus o que anuncia um futuro animador para a U.E. com mais união e coesão, sinais estes claríssimos nas declarações dos Primeiros-ministros da Suécia, Frederik Reinfeld e da Dinamarca, Anders Rasmussen, países estes que tinham rejeitado o Euro e que agora declaram que a crise está a revelar a importância de aderir à Moeda Única Europeia.

Esta é uma crise com um potencial enorme, algo que tinha que acontecer de forma a possibilitar o contínuo e sustentável crescimento da economia mundial (sublinhe-se aqui a palavra sustentável).

Os mercados serão limpos de todos os que para eles não tenham suficiente mais-valia, muitos desaparecerão mas os que sobreviverem serão melhores e mais funcionais, muitos vão sem dúvida sofrer com esta crise, mas esse é o processo darwinista que as economias precisam de tempos a tempos para assegurar o seu futuro.

Mesmo os nossos hábitos terão agora que mudar, teremos que atingir níveis mais elevados de eficiência nas nossas vidas pessoais e profissionais, teremos que aprender a usar o crédito de forma mais inteligente, teremos que investir mais e melhor, teremos nos próprios que ser melhores!

Para Portugal, esta crise se bem gerida pode representar uma oportunidade de convergir com o resto da Europa, convergir economicamente, culturalmente e mesmo geograficamente.

O mundo tal como o conhecemos hoje não existirá dentro de 3-5 anos, todas as economias serão diferentes e se trabalharmos para isso e tivermos alguma sorte, todos viveremos melhor.

Ricardo Madeira

sábado, 18 de outubro de 2008

Magalhães: Vírus Nacional

Em 1519 deu a volta ao mundo, em 2008 o Magalhães parece dar a volta à cabeça de muita gente.

A 27 de Junho escrevi aqui mesmo que seria «interessante ver a mudança de postura de José Sócrates, um Primeiro-Ministro que irá perpassar a imagem de menos colérico, mais tolerante (..) mais terra-a-terra». Meu dito, meu feito.

Naquele que foi o projecto que melhor congregou as duas grandes bandeiras do executivo socialista nesta legislatura (Educação e desenvolvimento tecnológico) assistimos a um PM radiante com a antecipação da quadra natalícia distribuindo portáteis pelas escolas, louvando as benesses que o novo aparelho traria à Escola.

Mecenas que é mecenas é narcisista. Nas vésperas de um ano crucial para as aspirações socialistas seria de espantar que o projecto Magalhães não ganhasse contornos de bom samaritanismo com o Governo a reclamar, para si, o mérito de algo tão pioneiro.

A visibilidade é um pré-requisito democrático e José Sócrates é ímpar na criação de eventos mediatizáveis. Condenável? Não me parece. Apenas a consciência de que na política pós-moderna não existe obra feita caso não haja obra visionada.

Ao contrário de muitas conferências que a antecederam a de apresentação do Magalhães não foi mais uma mera ocorrência tornada acontecimento. Tempos houve em que Sócrates, com toda a pompa e circunstância, anunciava a batalhões de jornalistas decréscimos de 0,4% na pendência processual. Desta vez o caso tinha razão de ser.

Centremos as atenções no que interessa.

Populista ou não, eleitoralista ou não, demagógica ou não o Projecto Magalhães é uma iniciativa meritória e visionária.

Será o pequeno computador a chave para a resolução da crise que se tem crescentemente agudizado? Certamente que não mas ele está embuido num espírito social, numa aposta na formação e inclusão das crianças portuguesas e da gratuitidade do ensino nacional.

Nos dias subsequentes à aparição pública do Primeiro Ministro veio-me à ideia a personagem interpretada por Nuno Lopes nos Contemporâneos. Sim esse tal do "vai mas é trabalhar", um individuo deambulante, que no seu ócio se entretém a criticar tudo e todos sem nexo.

Tudo serviu para criticar uma iniciativa tão ousada que nenhum outro executivo foi capaz sequer de projectar. Ele foram as irregularidades fiscais da empresa fabricante, o facto de os componentes não serem afinal totalmente feitos em Portugal, a fragilidade do computador, as acções de formação obrigatórias, o malhão-malhão do Magalhães.

Algo vai mal neste país. Trata-se de uma cultura que me apraz chamar de "erva daninha", quase como que um vírus informático, um criticismo irracional a tudo, uma desconfiança total em todas as iniciativas que vai minando quaisquer perspectivas de progresso.

Infelizmente este filme não é novo, alias ele encarna bem o espírito luso. Parece que os estou a ver, a gesticular enfurecidos contra as Caravelas lançando impropérios contra a imbecilidade de se navegar por "mares nunca dantes navegados". Esses mesmos, terão sidos os primeiros a receber aplaudindo efusivamente os navegadores portugueses vindos dos novos mundos carregados de ouro e especiarias

Tenho pena mas é o País que temos.

Uma vez mais a atitude de alguns professores vem dar razão a Maria de Lurdes Rodrigues. Para muitos professores, avessos ao espírito de mudança, um computador não é um aliado para os mais pequenos mas um objecto que vem acentuar a sua própria infoexclusão. Numa profissão em que alguns não souberam acompanhar os tempos e ainda ensinam nos mesmo moldes em que foram ensinados há meio século um computador é motivo de pânico presumo.

Para além de mais criticaram tudo aquilo que havia para criticar, a humidade nas paredes, a falta de giz, as refeições em pavilhões, a falta de pessoal não docente, a (não) progressão na carreira, a avaliação, o estatuto do aluno, os exames só faltava o pobre Magalhães para se juntar à lista negra.

Num país de maldizentes espero que o Magalhães sirva para formatar muitos sistemas decadentes e faça "Delete" a muita gente acomodada.

Este artigo pode ser também lido no Portal PTGate

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Jogos Sem Fronteiras

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos 2008 foi avassaladora.

No fundo ela pode ser considerada sinédoque daquilo que é a China: gigante, rigorosa, metódica, sincronizada, tradicional e militarizada.

A cerimónia, na minha opinião, candidata a evento do século foi uma demonstração do poderio organizacional do país do oriente, um refinado reavivar das origens e tradições chinesas que passaram pela invenção do papel, aos trajes típicos até às artes marciais.

Não foi propriamente um evento de exaltação do espirito olimpico e desportivo mas sim uma demonstração de força para todo o mundo ocidental.

Foi ver uma China a uma só voz, de extensos milhares de cidadãos anónimos numa sincronia desconcertante em prol de um só objectivo entensivel áquilo que é o país no domínio laboral.

Segundo uma visão pró-ocidental muitos advogam que os Jogos Olímpicos serão um momento crucial para a abertura de fronteiras da China, para que a sua população se consciencialize de que é explorada e que vive muito abaixo dos padrões de qualidade de vida do ocidente, que o constactar desse facto leve essas multidões a criarem uma rebelião contra o Estado que arruine a coexistência de uma economia de mercado com uma organização laborial feudo-esclavagista.

Obviamente que nenhum destes aspectos foi olvidado pela meticulosa organização chinesa. O rol de restrições é imenso, os hotéis são passados a pente fino, a circulação em zonas populacionais é restricta, a própria comida levada pelo staff dos atletas é confiscada, não se pode fotografar um sem número de locais e até mesmo os desportistas são submetidos a um apertado código restrictivo que inclui estarem proibidos de treinar em locais privados. Treinos só nas instalações criadas propositadamente para o efeito.

Um controlo governamental musculado e implacável a fim de evitar o contágio democrático.

Depois de uma grande tensão internacional depois dos incidentes ocorridos no Tibete a realização destas Olimpiadas demonstra também alguma subserviência da comunidade internacional para com a China. Depois das criticas de amnistia internacional, dos relatos de práticas bárbaras, de detenções de contornos dúbios e mesmo de tortura por parte das autoridades chinesas qualquer país que não tivesse um peso económico tão significativo seria alvo de embargos e de punições. Aos Jogos Olímpicos de 2008 não foi colocada nenhuma barreira, apenas se verificaram alguns "raspanetes" politicamente correctos de líderes mundiais.

Já se falou do plano político, do plano económico, falta no fundo aquele que é naturalmente a razão de ser de um Jogos Olímpicos: o desportivo.

Demonstrar a superioridade física perante as outras nações, sobretudo em relação aos Estados Unidos será o objectivo maior desta competição.

Afinal a China nunca dá o peixe, ensina sempre a pescar.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pão e Circo


Todos os portugueses terão sentido um calafrio com o desaire da nossa selecção no Europeu, José Sócrates tê-lo-á sentido ainda mais.


José Eduardo Moniz, director geral da TVI, disse numa crónica ao diário desportivo Record que «A Sócrates este Europeu não podia ter corrido pior». Tomo-lhe o mote.


Se olharmos um pouco à nossa volta à excepção do Futebol, das romarias religiosas e Marchas Populares poucos são hoje os eventos dignos do exaltar do sentimento de pertença.


Pois é, tantos anos volvidos e continuamos a ser um país de “Fado, Futebol e Fátima”.


Mas é no Futebol que me concentro hoje.


Recordemos 2004 já que os últimos anos, por força da distância e dos resultados desportivos tiveram menor exuberância.


Bandeiras desfraldas nas janelas, milhares de pessoas envergando orgulhosamente o verde-rubro, cantando com fervor o nome de Portugal, um País unido em torno de um só objectivo, um País em que brancos e negros, cristãos e muçulmanos, ricos e pobres se uniram com o mesmo entusiasmo exaltando efusivamente os feitos da sua nação.


Se atendermos áquilo que tem sido a conjuntura do nosso Portugal nos últimos anos percebemos que o Futebol tem sido um escape para o défice, para o desemprego, para a fome.


Cada finta de um Cristiano Ronaldo, cada remate certeiro de um Nuno Gomes enche um País de entusiasmo, transmite-lhe sinais positivos, dá motivos para que até o menos bafejado pela sorte possa rejubilar de alegria.


É precisamente deste folclore que vive a politica: Massas, festa, adesão. Não admira pois que o poder político se tente por vezes imiscuir no mundo do Futebol, é a famosa máxima romana do “Pão e Circo”.


Infelizmente para José Sócrates o guarda-redes Ricardo teve uma noite desinspirada. A armada alemã derrubou as defesas lusas numa altura em que o governo socialista se encontrava debaixo de fogo com motins, greves, cortes de abastecimento e para desespero do Governo, como derrota portuguesa no Euro não é viável nem para audiências nem para vendas, a comunicação social voltou a apontar baterias à situação de Estado de sítio que o Pais atravessa.


Aproxima-se 2009 e com ele as eleições legislativas. Será interessante ver a mudança de postura de José Sócrates, um Primeiro-Ministro que irá perpassar a imagem de menos colérico, mais tolerante para com as exigências do povo, mais terra-a-terra. Só assim poderá evitar um aumento da Esquerda (PCP+BE) que lhe retirará a maioria absoluta.


Ou muito me engano ou ainda vai dar incentivos fiscais à Nereida para maiores ganhos de produtividade do nosso Ronaldo. A ver vamos.

sábado, 31 de maio de 2008

Fim de uma Era

Todos os dias um novo aumento.

Assim tem sido a escalada do preço dos combustíveis sem que haja qualquer sinal de abrandamento, muito pelo contrário.

Apraz-me dizer que neste processo todo há uma notória especulação e cartelização entre produtores.

Apesar do preço do barril de crude ser negociado em dólares americanos e o dólar estar nitidamente em queda face ao Euro, ao mínimo ajuste na moeda americana dá-se uma (suposta) correspondência na Europa.

Depois há aquilo a que podemos chamar o síndrome de desculpabilização dos aumentos. Tudo serve para justificar a cobrança de mais cêntimos no acto de depósito. Uma simples greve numa plataforma na Venezuela, uma tensão armada entre países vizinhos, umas chuvas na Nigéria, o surto gripal do presidente dos Emirados Árabes Unidos, tudo serve.

No epicentro deste vendaval encontram-se países como Portugal, inteiramente dependentes de energias que provêm de componentes fósseis.

Nos últimos dias temos assistido a reivindicações populares a fim do Governo baixar os denominados ISP, os impostos sobre produtos petrolíferos.

Tal como José Sócrates sublinhou é papel do Governo «não cair na demagogia» e «não dar sinais errados sobre o estado da economia». Descer o imposto sobre combustíveis seria tapar o sol com a peneira, uma medida pontual rapidamente inutilizada pelos aumentos que se avizinham, dizer aos portugueses as energias derivados do petróleo são o futuro.

No que concerne a combustíveis Portugal não necessita de medidas pontuais mas sim estruturais. Para começar que se mudem as mentalidades.

Em Portugal ter carro é ter estatuto, é comodismo.

Basta uma breve deslocação a algumas capitais europeias tais como Londres, Paris ou Amesterdão para desmistificar alguns dos complexos a que assistimos em Portugal. Nestas ditas metrópoles é vulgar vermos empresários deslocarem-se de transportes públicos e até mesmo de bicicleta para os seus empregos. As empresas em vez de oferecerem lugares de estacionamento oferecem passes multiplataforma.

A feira das vaidades portuguesa olha o transporte público com desdém, acha-o plebeu. Para estas pessoas é preferível acordar duas horas antes do início do trabalho, só para enfrentar um pára-arranca de trânsito caótico até ao emprego. Na melhor das hipóteses o Português faz figas para que a maior parte das pessoas opte pelo transporte colectivo só para ter menos carros na estrada a impedi-lo.

Muitas destas pessoas não têm a consciência da dimensão destes aumentos. O que está em questão é muito mais do que mais alguns cêntimos na factura, é toda uma reformulação da forma como gerimos o nosso modus vivendus desde a segunda revolução industrial. Da energia, à construção civil, da confecção, à agricultura temos vivido numa era de petroleocentrismo sem nunca nos termos mentalizado da finitude deste recurso.

O bom disto tudo é que a rarefacção nos leva a ponderar sobre as nossas atitudes e a procurar alternativas.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PSD: Laranja Amarga


Da nomenclatura Partido Social DEMOcrata só se salvará mesmo o DEMO. É que no principal partido da oposição têm acontecido coisas que nem ao Diabo lembrariam.

Penso que não haverá discordância caso diga que a crise no PSD terá o seu marco cronológico na assunção, por parte de Durão Barroso, do cargo de Presidente da Comissão Europeia.

Depois de dois mandatos de Guterrismo, com a consequente corrosão política uma governação prolongada acarreta o PSD deveria ter aproveitado "o pântano" para emergir politicamente e sedimentar o seu estatuto de principal partido.

Melhor conjuntura não haveria certamente.

As bases do Partido Socialista, aqueles que foram os pilares do Guterrismo encontravam-se, passo a expressão, envoltos no lodo. Figuras socialistas proeminentes como Jorge Coelho, Maria de Belém, Maria Manuel Carrilho e o próprio José Sócrates enfrentavam um descrédito político que só um afastamento temporário ou renovação partidária são capazes de sarar.

Uma vez mais o Partido Social Democrata errou, errou devido a um problema que poderemos apelidar de congénito.

Desde a sua fundação o PSD sempre viveu de líderes carismáticos e não de uma base programática sólida e sustentada, as ditas "bandeiras de campanha". Fazendo uma analogia com o Futebol a blindagem de um líder do PSD esteve sempre umbilicalmente ligada aos seus desempenhos nas urnas. E sem vitórias, meus amigos, não há figura que se sustente por muito tempo.

Saido Durão Barroso o PSD optou por um líder mediático, arrisco, populista. A governação de Santana Lopes foi um reflexo de si mesmo, Santanalopocêntrica, nascisistisca até mais não. A Santana terá certamente faltado ler a Arte da Guerra de Sun Tzu, uma autêntica Bíblia na arte de bem guerrear. Ao centrar a política partidária na sua pessoa foi escudo humano para todas as farpas que se lhe apontavam. Acabou por se esfumar com a mesma receita com que se elevou políticamente: mediatismo e política brejeira.

Afinal como diz Sun Tzu "Ir à caça sem um guia é perder o dia".

O fosso que se cavou no seio do PSD após a dissolução da Assembleia, por parte do Presidente da República Jorge Sampaio, foi grande demais para que fosse o nanismo Marques Mendiano a conseguir tapá-lo.

Uma vez mais foram depositadas esperanças num líder mobilizador e relegou-se a componente programática para segundo plano. Marques Mendes foi apenas transitório, foi carne para o assadouro, o curativo até o sarar de feridas mais profundas.

Confesso que julguei que a liderança de Luís Filipe Menezes fosse o elixir de juvialidade que faltava ao Partido Social Democrata mas, uma vez mais, as querelas fracticidas internas no principal partido da oposição minaram qualquer possibilidade de isso acontecer. Não foi preciso bomba para que o líder do partido abandonasse as funções mas a notícia terá certamente caído que nem uma bomba.

Como que um barco à deriva o PSD fica novamente à mercê das figuras mais populistas uma vez que 2009 e as legislativas se aproximam a passos largos. Mais do que um líder no PSD urge encontrar um peso pesado para fazer face a um José Sócrates que já deve ter desaprendido o significado da expressão "oposição".

Rematando sobre a situação de convulsão no PSD e parafraseando novamente Sun Tzu, quando nos conhecemos a nós e ao inimigo as probabilidades de vencer são grandes, quando só nos conhecemos a nós e não o inimigo as nossas possibilidades de sucesso cifram-se nos 50%, quando nem nos conhecemos a nós nem ao inimigo a derrota é o cenário mais provável.

E os piores inimigos do PSD estão entre portas..


terça-feira, 20 de novembro de 2007

Paulo Portas: X-Files


61893. Terá sido este o número de páginas que Paulo Portas terá mandado fotocopiar antes de sair do Governo.


A noticia foi avançada pelo Semanário Expresso e dava conta de que Paulo Portas, ex-Ministro da Defesa, na última semana antes das eleições gerais (2005), terá mandado fotocopiar e digitalizar milhares de documentos. A tarefa exaustiva terá ficado a cargo de uma empresa especialmente contratada para o efeito.

Até aqui, apesar de bizarro, não de mal viria ao mundo.

Acontece que segundo o Expresso o ex-ministro teria, por entre as largas resmas de papelada, documentos classificados de "Confidenciais". Dossiers marcados com as expressões "Iraque", "Submarinos", "ONU", "NATO", ou seja, documentos de Estado que nunca deveriam sair do seu gabinete.

Confrontado com as suspeitas, Paulo Portas alegou que se tratavam exclusivamente de "notas pessoais", despachos que terá escrito entre a liderança do Partido Popular e tutela da pasta da Defesa. Ora, já que falamos em números, segundo os cálculos da Rádio Renascença, 60 mil documentos dá uma média impressionante de 24 páginas escritas por dia. E atenção! Serão 24 páginas/dia se incluirmos fins-de-semana e férias na contagem porque caso nos fiquemos por dias úteis a média aumentará significativamente.

Parece que a moda do jornalista/escritor está para ficar e há mais um interessado em se perpetuar entre as fileiras dos "best-sellers". Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos que se cuidem...

Se as notas eram realmente da autoria e pertença do autor para quê fotocopiar quando as podia trazer num caixote quando esvaziasse o gabinete?

Ou o senhor não consegue destrinçar o que é pessoal e do que é assunto de Estado ou então ainda não despiu totalmente a pele de jornalista do Independente e aponta tudo o que lhe apraz.

domingo, 11 de novembro de 2007

Independente: Incómodo Político

Outubro de 2007 ficou marcado pelo encerramento da Universidade Independente.

Em Fevereiro, o caso que inicialmente eclodiu como uma crise ligada à gestão de uma instituição superior de ensino privado logo ganhou contornos políticos quando veio à baila o nome do primeiro-ministro José Sócrates.

Aquilo que se afigurava uma "zanga de comadres" entre Luís Arouca e Rui Verde, reitor e vice-reitor respectivamente, tornou-se um escândalo político, uma luta de poderes, uma tentativa de golpe de Estado.

Nos bastidores de uma Universidade descredibilizada em hasta pública deu-se voz, na maioria dos casos, a quem dos queixosos tinha
interesses dúbios relativamente à continuidade da instituição.

Embuídos pelo espírito reivindicativo e em busca do protagonismo que alguns frames televisivos concedem retornaram ao ambiente nubloso os Sebastianistas."Alunos" que, na última década, se deve contar pelos dedos as vezes que entraram naquele estabelecimento, tomaram as rédeas do protesto assumindo-se como a pretensa voz dos alunos.


Em
nome dos alunos fizeram-se as declarações mais pretensiosas, arrombaram-se portas, houve barricadas humanas, tudo em nome de uma maioria silenciosa. Tomou-se a parte pelo todo. Verde e Arouca, de candeias às avessas esgrimiram, na comunicação social, acusações reveladoras de mediocridade.

Acusações de falências fraudulentas, do uso de verbas da universidade para proveito pessoal, de falsificação de documentos, de avaliação de diamantes nas instalações da universidade.
Que futuro poderia ter uma instituição quando as suas autoridades máximas enveredam pela maldicência plebeia?

Num contexto de desaguisados na gestão e inviabilidade económica esqueceu-se o mais importante na estória: o capital humano da universidade.

Durante os meses em que o caso abriu telejornais e fez manchete nos diários a mesquinhez jornalística não soube separar as águas.

O suposto facilitismo académico concedido a José Sócrates criou, no imaginário dos espectadores, a ideia de uma Universidade vendedora de cursos.


O caso Independente não foi seguramente um caso académico foi um caso político. Não
foram os (fracos) índices académicos que precipitaram o seu encerramento, a universidade independente ficou associada a um cancro político e nada melhor que a silenciar para que mais nada viesse à tona.

Seria a situação da Independente tão grave ao ponto de ordenar um encerramento compulsivo no prazo de meio ano?

Tomemos como exemplo o também badalado caso Moderna.


Apesar de Mariano Gago ter prometido uma "acção urgente de acompanhamento", de a entidade instituidora, a Dinensino, estar em degradação há longos anos e estar em falência técnica, da universidade estar sem reitor, dos professores não oficializarem avaliações desde 2000, dos conselhos cientifico e pedagógico não funcionarem devidamente, de serem avultadas as dívidas ao fisco e segurança social, de
professores se demitirem em bloco, dos alunos terem passado de 10.000 (1997) para 700 (2006), de a Universidade estar ligada ao tráfico de influências, desvio de verbas para consumos de luxo (entre 1997 e 1999 foram gastos com cartões de crédito da Universidade 173 mil contos (862.920 euros), ao tráfico armas, à falsificação de documentos, à apropriação ilícita e financiamento de partidos políticos, de os seus fundadores terem sido condenados a vários anos de cadeira; apesar de tudo isto, a Universidade mantém as portas abertas.

Embora a gravosidade destes estes aspectos não seja mensurável em balança, os aspectos apontados à Independente, à primeira vista, não justificavam a urgência no seu
encerramento. À Independente "apenas" se apontaram suspeitas de fraude, burla e gestão danosa.

O motivo que Ministro Mariano Gago alegou para um encerramento compulsivo da Universidade Independente foi justificado por esta se encontrar em "manifesto processo de degradação pedagógica". Justificar o encerramento pela insuficiência académica relativamente ao número de docentes doutorados é uma mentira de todo o tamanho. Mariano Gago sabe que estas normas são apenas directrizes introduzidas com o processo de Bolonha que, naquela instituição, só foi aprovado para o ano lectivo de 2006/2007. Degradação pedagógica implicaria
demissão dos docentes relativamente às suas funções, ora mesmo não remunerados os docentes mantiveram-se na Universidade e garantiram a continuidade do semestre.

A verdadeira degradação pedagógica terá ocorrido, isso sim, quando o despacho foi proferido o que levou a uma debandada de alunos da instituição.
Mesmo que justificável o encerramento da Universidade Independente é um paradoxo governamental.

Um governo que se mostra tão preocupado com as qualificações académicas dos portugueses, que cria parcerias com a Microsoft, MIT, Carnegie Melon, que cria o programa novas oportunidades, castra assim o percurso
académico de 3000 alunos ditando o encerramento urgente de um estabelecimento sem criar alternativas?

O Governo não decretou a abertura de vagas excepcionais noutras universidades, deixou os alunos sozinhos, abandonados à sua iniciativa própria, à mercê das promessas de mundos e fundos da sede necrófega de outras instituições de ensino (privadas) que viram na crise da Independente uma oportunidade de negócio. Para muitos alunos foi certamente o fim de um sonho académico.


Já nada espanta num Governo que fecha urgências, fecha escolas, um Governo que fecha as maternidades às mulheres grávidas e, com o novo código penal, abre a cela aos criminosos.

Invariavelmente neste país quem menos culpa tem é quem mais penalizado é. Desta vez coube a fava aos alunos.

"Nem os cães são tratados assim..."
Cartoon da autoria de Luís Veloso

sábado, 30 de junho de 2007

António Costa: Demagogias


Em pouco mais de um mês, António Costa passou de Ministro da Administração Interna a candidato à Câmara de Lisboa.


Olhando para aquilo que tem sido a sua campanha, ou o socialista ainda não consegue destrinçar os papéis que cumpriu (Ministro) e que está a cumprir (Candidato) ou então as suas propostas não passam da mais pura demagogia política.


Parece-me clara a manobra política por parte do Governo ao abrir um precedente para nova discussão sobre a localização do novo Aeroporto. É preciso fazer um grande esforço mental para recordar uma questão estrutural em que o Governo tenha recuado. Acontece que uma insistência irredutível na OTA prejudicaria a popularidade do Governo e do candidato Socialista.


A decisão da OTA fica adiada por seis meses e estuda-se a hipótese de construir um novo aeroporto mantendo o Aeroporto da Portela activo, aquilo que se tem apelidado de "Portela + 1".


A segunda demagogia foi protagonizada por Ana Sara Brito, a terceira da lista do PS às intercalares de Lisboa.


Num debate promovido pela ILGA (International Lesbian and Gay Association) a socialista disse que a candidatura de António Costa está a aberta à realização de casamentos civis entre homossexuais.


«O direito dos homossexuais ao casamento é um direito que nós defendemos»


Ana Sara Brito defendeu igualmente que os casamentos se deveriam realizar no Salão Nobre da Câmara e que os noivos poderiam casar numa cerimónia como os casamentos de Santo António. «Esta é a opinião da equipa liderada por António Costa» rematou.


O meu ponto de discórdia não se prende com qualquer preconceito homofóbico. Apenas com o facto desta medida não ser exequível.


Primeiro é pura demagogia tratar a questão do casamento entre homossexuais como uma questão local, apenas de interesse dos Lisboetas e não como uma questão nacional. O outro ponto prende-se com a capacidade de colocar este designo politico em marcha.


Para que sejam possíveis casamentos entre homossexuais esta medida terá obrigatoriamente que passar pelo Parlamento e Tribunal Constitucional, nunca poderia ser uma questão camarária.


António Costa foi protagonista de uma iniciativa de sensibilização inédita no inicio dos anos 90, na qual através de uma corrida entre um Burro e um Ferrari (que o Burro acabaria por vencer) demonstrou o trânsito caótico na Calçada de Carriche.


Na campanha para as intercalares de Lisboa as ideias urgem.