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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Curtas: Obama I


Foram de discórdia a maior parte das reacções ao Prémio Nobel da Paz recebido por Obama.

Para a generalidade da opinião pública os esforços do Presidente Americano são, até à data, diminutos face aos valores que o prémio pretende laurear.

Obama fechou fisicamente um símbolo político da governação Bush (Guantanamo) mas subsiste a impressão que a Convenção de Genébra continua por respeitar.
Obama não ordenou a retirada dos cenários de Guerra onde os EUA estão envolvidos, pelo contrário, o contingente americano foi reforçado em 20 mil homens no Afeganistão.

Porquê então premiar Obama?

Se para muitos o prémio é uma consequência do seu novo discurso e esforços diplomáticos, para mim, é um inteligente condicionamento que a Academia Sueca impõe à politica externa norte-americana para os próximos anos.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tragédia Bush


Um erro de casting.

Numa alusão à mitologia grega poderemos estabelecer uma analogia entre George W. Bush e a figura de Ícaro.

Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e de maior engenho de Atenas. Em comum Pai e filho tinham o anseio da superação, juntos criariam um par de asas tão perfeitas como as das aves, capazes de catapultar o homem para vôos mais altos. Coube a Ícaro testar a invenção do seu Pai, com a ajuda de alguns fios e de cera Dédalo fixou as asas ao corpo do seu filho. Não deixou porém de o advertir, Ícaro não poderia nem voar muito baixo porque o mar molharia as asas nem muito alto porque o Sol derreteria as junções feitas em cera.

Tomado pela sensação de liberdade e omnipotência Ícaro ignorou os conselhos do seu Pai, inspirado pela luz magnetizadora do Sol voou no seu encalço. Acabou por perder a vida despenhando-se no fundo do mar.

Troquemos o nome de Dédalo por George Herbert Bush, o de Ícaro por George W. Bush, as asas pela presidência dos Estados Unidos e teremos uma história de paralelismo perfeito.

Tal como na politica, também na vida George W. Bush lutou pela definição de si mesmo nunca conseguindo afastar a sombra da influência do seu pai; um magistério de influência do qual nunca se conseguiu distanciar desde a adolescência e que se repercutiu em muitas das suas decisões politicas.

O carisma do seu Pai foi sempre para Bush uma força opressora e inibidora do seu próprio desenvolvimento e crescimento emocional.

A missão de se emancipar segundo cânones paternais obrigariam um jovem estudante mediano, intelectualmente preguiçoso a superar-se. Não foram pois de estranhar as constantes crises de identidade durante o seu trajecto de vida. Bush desertou o exército de forma a fugir à guerra do Vietname, teve problemas com álcool e drogas, geriu de forma danosa as empresas petrolíferas da própria família.

Desenganem-se aqueles que pensam que o pior inimigo de Bush foi Bin Laden ou mesmo Saddam Hussein foi-o sim a sua interioridade, o desejo permanente de se emancipar politicamente em relação ao seu pai.

Um estudo do pai da psicanálise permite-nos compreender algumas das tomadas de decisão que Bush teve ao longo dos seus dois mandatos.

Em 1966, Sigmund Freud e William Bullitt elaboraram um estudo de avaliação psicológica do 28º Presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Apesar dos mais de quarenta anos que separam esse estudo da actualidade há nele algo que assenta que nem uma luva na personalidade e no percurso de vida de George Bush, uma só citação a ligar as duas histórias de vida.

«Quando comparamos a força do homem com a magnitude da tarefa a que tinha metido ombros essa paixão é de tal forma avassaladora que se sobrepõe à realidade»

É público que George Bush foi o presidente dos EUA com o QI mais baixo mas foi sobretudo a sua fragilidade emocional que precipitaram o seu colapso. De forma a suprir as suas próprias limitações Bush rodeou-se de um circulo que rapidamente deixou de ser apenas um grupo de conselheiros para integrarem o seu circulo mais intimo: Cheney, Condoleeza Rice, Karl Rove, Collin Powell.

Após ter revelado dificuldades enquanto governador do Texas, Bush apenas se inteirou de politica internacional depois dos 40 anos ao ponto de desconhecer se a Alemanha integrava a NATO (pergunta feita a P.Wolfowitz em 1999), onde ficava o Paquistão, o que eram talibãs e mesmo de ter chamado aos naturais do Kosovo «kosovarianos».

Estas notórias dificuldades de George W. Bush ajudam a explicar que a pasta das relações internacionais tenha sido delegada em Powell, num primeiro mandato e em Rice, no segundo.

Bem aconselhado ou não aquilo que sabemos é que o mundo mudou após oito anos de Governação Bush. Vivemos num espaço marcado pela instabilidade tanto económica com em clivagem civilizacional.

Com a América ferida no seu âmago por atentados terroristas de contornos, no mínimo duvidosos, George Bush encetou uma autêntica caça ao Homem (Bin Laden) que rapidamente se alastrou a toda a comunidade árabe. Ao escolher um alvo de pele escura, vestido com turbante e de longas barbas, Bush declarou guerra a uma sinédoque de toda a civilização árabe, ,uma poderossima guerra psicológica discriminatória.

Embuído no seu espírito de democratização do Mundo George W. Bush invadiu o Afeganistão no encalço de Bin Laden. Bin Laden continua por localizar, o Afeganistão por democratizar.

Em 2003 a administração Bush apontou baterias para o Iraque, mais do que a geopolítica ou a ameaça por parte de Saddam de armas de destruição massiva o Iraque foi uma questão pessoal para a família Bush, uma meta decisiva para, pela primeira vez Bush exorcizar os seus próprios fantasmas de incompetência politica e se demarcar do seu pai.

À luz do que sabemos hoje será consensual afirmar que para lá dos objectivos económicos (é a segunda maior reserva de petróleo do Mundo) o Iraque foi invadido para que a família de Bush fosse vingada. Completando a missão que o Pai tinha deixado a meio no inicio dos anos 90 e derrubando Saddam Bush teria a sua primeira grande vitória política.

As consequências da governação Bush são desastrosas.

As politicas da sua administração reduziram a liberdade dos cidadãos em prol da sua segurança, hoje é possível prender sem mandado de captura, é possível deter por tempo indeterminado, sem respeito pelas convenções de Genébra, hoje as nossas comunicações são mais vigiadas, sofremos as consequências ambientais por Bush ter recusado seguir directrizes ambientais do tratado de Quioto, vivemos com mais dificuldades porque a tensão bélica causou instabilidade nos mercados energético, financeiro, comercial, capitalista.

Bush ascendeu a presidente em 2000 com menos votos que o candidato democrata Al Gore mas com mais delegados eleitos no colégio eleitoral. A sua vitória não foi uma vitória democrática mas uma criminosa campanha urdida num bastião da família Bush onde a recontagem dos votos no Estado da Flórida (administrada por um primo seu) foi decisiva.

Bush saboreou ao longo dos mandatos um decréscimo na sua popularidade (a mais baixa de sempre na historia dos presidentes) e tornou-se um presidente em descrédito numa América que perdeu o seu papel hegemónico a nível politico, económico e diplomático.

Tal como Ícaro Bush almejou voar até ao Sol; acabou por se afundar nas profundas águas do descrédito.

Este artigo pode também ser lido no Portal PTGate

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Especial 11 Setembro: Torres Gémeas 2



Poderia um gigante de aço cair tal qual um castelo de cartas?

Neste último vídeo é posta em cheque a queda das Torres Gémeas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Especial 11 Setembro: Torres Gémeas 1



Foi certamente o atentado com mais cobertura mediática da história mas teremos visto tudo aquilo que aconteceu no dia 11 de Setembro?

Qual foi a verdadeira causa para o colapso das Torres? Avião? Incêndios? Ou algo que escapou à nossa percepção?

Veja a primeira parte deste vídeo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Especial 11 Setembro: Video 1



É uma opinião unânime entre todos: o 11 de Setembro mudou o Mundo e a forma como encaramos o futuro.

Apesar da cobertura
massiva que teve por parte dos órgãos de comunicação há dúvidas que permanecem por deslindar.

Há no 11 de Setembro factos dúbios, explicações técnicas pouco convincentes, relatórios de comissões demasiado superficiais para a dimensão da tragédia.

Este é o primeiro de uma série de vídeos que se vai debruçar sobre o 11 de Setembro e sobre as mais variadas teorias de conspiração que assolam a cessante administração Bush.

Podemos não acreditar nelas mas afinal a dúvida é a base de todo o conhecimento.

sábado, 13 de outubro de 2007

Al Gore: Uma Vitória Inconveniente


"O que a nos pertence a nós retorna". A figura de Al Gore poderia muito bem ser traduzida por esta expressão.



O ex-vice presidente da administração Clinton (1993-2001) foi lançado para a ribalta politica quando, no ano de 2000, foi eleito nas primárias para ser o candidato democrata à Casa Branca.


Nesse mesmo ano enfrentaria o candidato republicano, George W. Bush, numas eleições que levantaram fortes suspeições sobre a autenticidade do acto eleitoral e descredibilizaram o sistema politico americano.


Sistema Eleitoral Americano: Al Gore Versus George Bush

O sistema eleitoral americano tem determinadas particularidades que convém dissecar.


Para que um candidato vença as eleições ele tem que conseguir eleger, no mínimo, 270 dos 538 deputados para o Colégio eleitoral.


Cada Estado Americano terá os seus deputados eleitos numa razão proporcional à sua população. Este factor redunda numa grave fragmentação do país, sobretudo entre litoral e interior, dado que nem todos os Estados têm o mesmo interesse político.


Se uma vitória na Califórnia representa a eleição de 55 deputados, Texas (34), Nova Iorque (31), Flórida (27) outros Estados do interior raramente ultrapassam a fasquia dos 10 deputados. Devido a este facto, a luta mediática pelos votos é feita sobretudos nos grandes aglomerados urbanos, deixando o restante país relegado ao esquecimento.


Acontece que a vitória nestes Estados é crucial para a concecussão da vitória eleitoral. A titulo exemplificativo, caso o candidato Democrata vença na Califórnia ele conseguirá eleger 57 deputados sendo que o candidato Republicano não irá eleger nenhum.


É precisamente este sistema proporcional que causa maior estranheza. Nos Estados Unidos um candidato poderá ter a maior quantidade de votos efectivos mas ser o derrotado das eleições dado que perdeu nos Estados mais representativos.


Foi precisamente isto que aconteceu, em 2000, nas eleições que opuseram Al Gore a George W. Bush.


Embora o candidato Democrata (Al Gore) tenha atingido 48,31% (50.158.094 votos) e George Bush apenas 47,99% (49.820.518 votos), Bush conseguiria eleger 271 deputados face aos 267 de Al Gore.


Envolto em suspeitas, sucessivas recontagens de votos e acções legais, o Estado da Flórida seria o decisor, em favor de Bush, das eleições de 2000.


Al Gore: Take 2

Porém, o grande mérito de Al Gore foi perceber que o processo de legitimação política não se esgota na chegada à presidência.


Tidos como poderes sociais crescentes, a acção cívica e a participação social pró-activa ganham terreno à participação política. Al Gore tem-nos usado para difundir a sua mensagem pró-ambiente.


Al Gore inverteu mesmo a lógica do processo de comunicação política. Enquanto que a grande tendência desse processo é fragmentar os públicos de acordo com os seus interesses (para mais fácil controlo), o ex-vice presidente americano lançou um repto colectivo no qual só uma acção conjunta poderá salvar o planeta.


Mas não só nos aspectos supra-referidos Al Gore é um visionário. Para difundir a sua mensagem Al Gore apoiou-se nas novas plataformas de comunicação: a internet, sobretudo através do vídeo.


Primeiro ao promover a espírito de iniciativa do cidadão-repórter através da sua Current TV. Depois através de um filme que a espaços quase parece um Home made movie.


Num contexto em que o Youtube se afirma como um colosso da comunicação global Al Gore compreendeu a filosofia que está por detrás dele. O seu filme/documentário "Uma Verdade Inconveniente" está impregnado por essas características.


A uma comunicação política institucionalizada, rígida, formal, Al Gore contrapôs um documentário narrado num estilo informal, quase familiar. E por entre suspiros e uma voz embargada Al Gore fez o que poucos políticos conseguem: colocar-se ao mesmo nível que o povo mostrando que a luta ambiental depende de todos e de cada um.


O seu documentário tem uma dose propagandistica subliminar.


Paralelamente à luta pelo ambiente, "Uma Verdade Inconveniente" serve como plataforma de promoção a Gore. Ao longo de pouco mais de 100 minutos o filme alterna entre a situação ambiental do globo e o papel que Al Gore tem tido na sua defesa ao longo do seu trajecto político. No fundo o documentário pretende associar a figura do ex-vice presidente a uma das temáticas de maior acuidade actual. Os objectivos foram claros tornar Al Gore a figura proeminente do movimento pró-terra e consequentemente torná-lo numa figura de relevo na agenda mundial.


Al Gore tornou-se um autêntico "Globetrotter ambiental" promovendo ciclos de conferências nos quais alertava os diferentes países para as consequências nefastas das alterações climáticas.


Talvez o maior mérito de Al Gore foi ter persuadido a indústria global que, todos nós sabemos, é quem mais tem contribuído para as emissões de dióxido de carbono para atmosfera.


Al Gore conseguiu perpassar a mensagem de que o crescimento económico não se poderia alcançar a qualquer custo e que seria mais vantajoso para as economias mundiais optarem por tecnologias pró-ambiente do que remendar os crescentes malefícios provocados pelas emissões. Al Gore colocou definitiva e irremediavelmente o ambiente na agenda política.


O filme de Gore tornou-se mesmo o 3º documentário mais vendido nos Estados Unidos e seria, sem grande surpresa, que Davis Guggenheim receberia o óscar da academia pela sua realização.


2007 foi o ano de consagração de Al Gore. Aos inúmeros galardões recebidos pela sua campanha, Al Gore recebeu a distinção do prémio Nobel para a paz um prémio que partilhará com a GIEC, um grupo da ONU que se ocupa igualmente das questões ambientais.


«Este é o problema mais perigoso que temos de enfrentar, mas temos também a grande oportunidade de mudar algo. (..) Temos de arranjar uma forma rápida de mudar a consciência do mundo em relação a este tema importante» sublinhou Al Gore.


Numa altura em que George W. Bush bate, segundo uma sondagem da Associated Press-Ipsos, os níveis mínimos (31% de aprovação) que um Presidente jamais teve nos Estados Unidos Al Gore vê reposta a justiça que faltou ao processo eleitoral de 2000. Muitos analistas conjecturam uma possível candidatura de Al Gore às próximas eleições de 2009. Mas mesmo que não se candidate Gore arrisca-se a ficar lembrado como uma das figuras deste século.


Gore confirma uma das máximas mais consensuais. Não importa o poder que se tem mas sim o que se faz como ele. O Nobel atribuído a Gore é sem dúvida uma vitória inconveniente para muita gente.


Tal como comecei "o que a nós pertence a nós retorna".


Num próximo artigo analisarei o documentário "Uma Verdade Inconveniente" sob a perspectiva da comunicação.


Terry Mosher The Montreal Gazette


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domingo, 22 de julho de 2007

SOS: Planeta Terra


Há muito que se sabe que o planeta está doente.


Os climas alteram-se, as amplitudes térmicas aumentam, os Verões provocam secas intensas, os inversos trazem enxurradas que varrem tudo à sua passagem. Furações, tsunamis, tremores de terra todos estes sintomas não auguram nada de bom se tudo continuar como até agora.


Em 1997, a cidade de Quioto no Japão receberia os líderes dos países mais industrializados para negociações visando uma redução nas emissões de gases com efeito de estufa. Ratificado a 15 de Março de 1999 o tratado exigia aos signatários uma redução de emissões de pelo menos 5,2% (relativamente aos valores registados em 1990) até 2012. O protocolo incentivava igualmente os países a reformarem os sectores da energia e dos transportes, a optarem por energias renováveis e a limitarem as emissões de metano.


Entre os Países mais industrializados apenas Austrália e Estados Unidos da América rejeitaram o protocolo.


George W. Bush chegou mesmo a acusar o tratado de ser "desleal e inútil" porque deixava de fora 80 por cento do mundo e porque "causava sérios prejuízos à
economia norte-americana".


De acordo com relatórios da OCDE os países mais industrializados são responsáveis por 90% da produção de resíduos entre os quais se contabilizam dois mil milhões de toneladas de resíduos nocivos (tóxicos e nucleares).


Segundo Inacio Ramonet (Guerras do Século XXI), em 2010, a cobertura florestal poderá ter diminuído 40% relativamente aos valores de 1990. Em 2040, a
acumulação de gases de efeito de estufa pode originar um aquecimento de 1ºC ou 2ºC de temperatura média do planeta e uma subida de 0,2 metros a 1,5 metros do nível das águas dos oceanos.


E para aqueles que ainda não se consciencializaram do dramatismo da situação em
que o planeta se encontra devem fixar estes números:


- 6 milhões de hectares de terras aráveis desaparecem todos os anos

- Nos últimos dez anos, 14 milhões de quilómetros quadrados (trinta vezes a superfície de Espanha) transformaram-se em desertos

- Todos os anos 6 mil espécies animais são erradicadas do planeta

- As reservas de água per capita entre 1960 e 1989 passaram de 3430m3 para 667m3

- Um litro de água é já mais caro do que um litro de combustível



Em 2007, aquando da reunião do G8, a mesma administração Bush que, durante dois mandatos, desrespeitou o tratado de Quioto
defendeu a adopção de um plano de longo prazo no qual os quinze maiores emissores de poluentes do mundo, liderados pelos EUA, China e Índia, realizariam reduções nas emissões de CO2.


O plano de Bush para liderar o movimento de luta pelo ambiente mereceu duras críticas por parte de Stavros Dimas, Comissário para o Meio Ambiente «A declaração proferida pelo presidente Bush repete basicamente a linha clássica norte-americana a respeito das mudanças climáticas - nada de reduções obrigatórias e objectivos vagos.»


A militância contra os efeitos nefastos que o homem tem produzido na natureza ganhou novo alento com um americano. O seu nome é Al Gore e trata-se de um dos maiores exemplos contemporâneos daquilo que deve ser a cidadania activa.


Num próximo artigo analisarei a figura do ex-vice Presidente americano bem como o seu filme "Uma Verdade Inconveniente" que retrata as alterações climáticas.


Ross P. Keetle www.dorkinglabs.com


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sexta-feira, 15 de junho de 2007

Guerra das Liberdades


O que têm em comum os anos 64 d.C, 1933 e 2001 ? O que poderão ter em comum o Imperador Romano Nero, Adolph Hitler e George Bush? Até onde alguém está disposto a ir para ver o seu poder aumentado?




Seria na noite de 18 de Julho do ano 64 d.C. que o núcleo comercial da capital do império romano, Roma, seria fustigado por um violento incêndio. Nero, o imperador romano, atribuiu as culpas do incêndio aos Cristãos. O que terá levado Nero a acusar a comunidade cristã?


Segundo alguns historiadores, o movimento cristão encontrava-se em clara
expansão e constituía uma ameaça a um Império politeísta que não abdicava do seu culto. Os professantes do cristianismo estavam a ocupar cargos públicos e a reforçar a sua posição na sociedade. Uma outra versão refere que a sanidade mental de Nero há muito que estava em causa e que este terá incendiado Roma apenas com o intuito de a reconstruir a seu bel-prazer.


Em 1933, Adolph Hitler formou um governo de coligação constituído por nazis, nacionalistas, independentes e católicos. Da sua chegada ao poder até à instauração de um regime ditatorial foi um pequeno passo. Segundo o historiador William Shirer, a 27 de Fevereiro de 1933, Hitler terá orquestrado o incêndio ao parlamento alemão (Reichtag) para, logo depois, atribuir as responsabilidades aos Comunistas.


O povo alemão acreditou nesta acusação e reforçou os poderes do
Reich através da aprovação de uma lei de autoridade que concedeu poderes de ditador a Hitler. Por seu turno, o partido nacional-socialista cimentou a sua posição no governo com 90% dos votos. Através desta consolidação de poderes Hitler passou a controlar a imprensa e suspendeu actividades dos partidos de esquerda.



Desde 1989, com a queda do muro de Berlim, os Estados Unidos passaram a dominar a ordem internacional. Para além de um mundo unipolarizado verificou-se um fenómeno raro; os EUA deixaram de ter um inimigo concreto. Era necessário um bode expiatório. O alvo do século XXI passou a incidir sobre os muçulmanos.


Em 1991, após o Iraque de Saddam Hussein ter invadido o Kuwait, com o intuito de controlar os poços de petróleo, soldados da ONU liderados pelos Estados Unidos iniciaram o processo de libertação do Kuwait.
Em Abril do mesmo ano a guerra terminaria. O Iraque aceitou o cessar-fogo imposto pelos EUA, porém sofreu duras sanções económicas por não entregar o seu armamento químico.
E quem era presidente dos Estados Unidos em 1991? Nada mais do que George Herbert Walker Bush, pai do actual presidente americano, George W. Bush.


Em 2002, o New York Times desvendou alguns dos mais guardados segredos de manipulação mediática. O Pentágono terá criado o SIE (Serviço de de Informação Estratégica), sobre alçada de Ronald Rumsfeld, um organismo autorizado a praticar desinformação. O SIE tinha um acordo de 100 mil dólares com o Rendon Group, um organismo já havia sido contratado para a Guerra do Golfo e que foi responsável pelo testemunho de uma falsa enfermeira Kuwaitiana que afirmou ter visto soldados Iraquianos a saquear uma maternidade e "arrancar bebés das incubadoras e matá-los sem piedade". Este testemunho foi decisivo para que o Congresso aprovasse uma acção militar no Golfo.


O dia 7 de Outubro de 2001 marcou um outro momento histórico. Pela primeira vez na história uma coligação declarou guerra não a um País, não a um Estado mas a um único homem: Osama Bin Laden.


Se a justificação para a Guerra do Afeganistão foi discutível. O conflito no Iraque deixou exposta a manipulação levada a cabo pelos EUA para atingirem os seus intentos.
A invasão ao Iraque, justificada por Colin Powell e George W. Bush com a existência de "armas de destruição maciça", afigurou-se como uma mentira que os próprios já confirmaram.


As armas biológicas nunca foram encontradas.


A ligação de Saddam com a Al-Qaeda nunca foi provada.


Diga-se em abono da verdade que a Al-Qaeda é uma organização xiita, enquanto que Saddam era sunita.


Em pleno Conselho de Segurança da ONU, Colin Powell, munido de apresentações gráficas, dignas do filme «Minority Report» de Spielberg, defendeu a urgência de uma intervenção militar no Iraque.
Nas infografias apresentou o organigrama da Al-Qaeda e células de produção de armas de destruição maciça. Todas estas informações eram falsas.


Ainda relacionado com a Guerra do Iraque em 2003, o episódio envolvendo a soldado Jessica Lynch.


Supostamente capturada numa emboscada no deserto iraquiano, a soldado Jessica Lynch foi resgatada do hospital onde estava detida como prisioneira de guerra.


Irrompendo pelo hospital iraquiano ao som de explosivos e gritando "go, go, go" os militares americanos filmaram toda a acção hollywoodesca com cameras de raios infravermelhos.


Mas, segundo uma reportagem da BBC, Jessica Lynch terá recebido o melhor tratamento enquanto esteve hospitalizada tendo mesmo direito a enfermeira exclusiva. Enquanto que a versão governamental relatava que Jessica tinha sido baleada e esfaqueada, os relatórios médicos do hospital apenas indicavam fracturas num braço, uma perna e tornozelo deslocado fruto de um acidente de viação.


Pena é que Jessica sofra de uma severa crise de amnésia que não lhe permita reproduzir a emboscada do dia 23 de Março.


Jessica não se recordará porque toda esta operação não passou de um embuste, uma manobra de propaganda militar.



Quando um Estado é capaz de mentir para justificar um objectivo até onde ele poderá ir?


Relativamente ao 11 de Setembro muitas dúvidas subsistem. Atentado organizado por um agressor externo ou uma rebelião interna? O que embateu contra o Pentágono: um Boeing 767 ou um míssil cruzeiro? Porque ruíram as torres gémeas? Será um Estado capaz de se auto flagelar e matar os próprios cidadãos para a consecução dos seus objectivos?


Depois de terem forjado a entrevista com a enfermeira Kuwaitiana, o resgate da soldado Jessica Lynch e as provas sobre a armas de destruição maciça iraquianas quem nos garante que o aparelho de Estado americano não terá feito o mesmo com a gravação em que Bin Laden assume a autoria dos atentados?


O 11 de Setembro legitimou uma guerra, uma guerra contra a Democracia e Direitos Humanos, obrigou os americanos a abrirem mão de parte da sua liberdade em troca de uma maior segurança, reforçou os poderes de Serviços de Investigação e policiamento e do próprio Estado e legitimou cortes no orçamento com custos sociais em nome de duas guerras injustificáveis contra a comunidade muçulmana.

Citando Baptista-Bastos (Jornal de Negócios) "A mentira nunca sustentou o poder por muito tempo". Veremos até quando ela irá durar.


Mike Thompson, Detroit, Michigan, The Detroit Free Press