Mostrar mensagens com a etiqueta Iraque. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Iraque. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tragédia Bush


Um erro de casting.

Numa alusão à mitologia grega poderemos estabelecer uma analogia entre George W. Bush e a figura de Ícaro.

Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e de maior engenho de Atenas. Em comum Pai e filho tinham o anseio da superação, juntos criariam um par de asas tão perfeitas como as das aves, capazes de catapultar o homem para vôos mais altos. Coube a Ícaro testar a invenção do seu Pai, com a ajuda de alguns fios e de cera Dédalo fixou as asas ao corpo do seu filho. Não deixou porém de o advertir, Ícaro não poderia nem voar muito baixo porque o mar molharia as asas nem muito alto porque o Sol derreteria as junções feitas em cera.

Tomado pela sensação de liberdade e omnipotência Ícaro ignorou os conselhos do seu Pai, inspirado pela luz magnetizadora do Sol voou no seu encalço. Acabou por perder a vida despenhando-se no fundo do mar.

Troquemos o nome de Dédalo por George Herbert Bush, o de Ícaro por George W. Bush, as asas pela presidência dos Estados Unidos e teremos uma história de paralelismo perfeito.

Tal como na politica, também na vida George W. Bush lutou pela definição de si mesmo nunca conseguindo afastar a sombra da influência do seu pai; um magistério de influência do qual nunca se conseguiu distanciar desde a adolescência e que se repercutiu em muitas das suas decisões politicas.

O carisma do seu Pai foi sempre para Bush uma força opressora e inibidora do seu próprio desenvolvimento e crescimento emocional.

A missão de se emancipar segundo cânones paternais obrigariam um jovem estudante mediano, intelectualmente preguiçoso a superar-se. Não foram pois de estranhar as constantes crises de identidade durante o seu trajecto de vida. Bush desertou o exército de forma a fugir à guerra do Vietname, teve problemas com álcool e drogas, geriu de forma danosa as empresas petrolíferas da própria família.

Desenganem-se aqueles que pensam que o pior inimigo de Bush foi Bin Laden ou mesmo Saddam Hussein foi-o sim a sua interioridade, o desejo permanente de se emancipar politicamente em relação ao seu pai.

Um estudo do pai da psicanálise permite-nos compreender algumas das tomadas de decisão que Bush teve ao longo dos seus dois mandatos.

Em 1966, Sigmund Freud e William Bullitt elaboraram um estudo de avaliação psicológica do 28º Presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Apesar dos mais de quarenta anos que separam esse estudo da actualidade há nele algo que assenta que nem uma luva na personalidade e no percurso de vida de George Bush, uma só citação a ligar as duas histórias de vida.

«Quando comparamos a força do homem com a magnitude da tarefa a que tinha metido ombros essa paixão é de tal forma avassaladora que se sobrepõe à realidade»

É público que George Bush foi o presidente dos EUA com o QI mais baixo mas foi sobretudo a sua fragilidade emocional que precipitaram o seu colapso. De forma a suprir as suas próprias limitações Bush rodeou-se de um circulo que rapidamente deixou de ser apenas um grupo de conselheiros para integrarem o seu circulo mais intimo: Cheney, Condoleeza Rice, Karl Rove, Collin Powell.

Após ter revelado dificuldades enquanto governador do Texas, Bush apenas se inteirou de politica internacional depois dos 40 anos ao ponto de desconhecer se a Alemanha integrava a NATO (pergunta feita a P.Wolfowitz em 1999), onde ficava o Paquistão, o que eram talibãs e mesmo de ter chamado aos naturais do Kosovo «kosovarianos».

Estas notórias dificuldades de George W. Bush ajudam a explicar que a pasta das relações internacionais tenha sido delegada em Powell, num primeiro mandato e em Rice, no segundo.

Bem aconselhado ou não aquilo que sabemos é que o mundo mudou após oito anos de Governação Bush. Vivemos num espaço marcado pela instabilidade tanto económica com em clivagem civilizacional.

Com a América ferida no seu âmago por atentados terroristas de contornos, no mínimo duvidosos, George Bush encetou uma autêntica caça ao Homem (Bin Laden) que rapidamente se alastrou a toda a comunidade árabe. Ao escolher um alvo de pele escura, vestido com turbante e de longas barbas, Bush declarou guerra a uma sinédoque de toda a civilização árabe, ,uma poderossima guerra psicológica discriminatória.

Embuído no seu espírito de democratização do Mundo George W. Bush invadiu o Afeganistão no encalço de Bin Laden. Bin Laden continua por localizar, o Afeganistão por democratizar.

Em 2003 a administração Bush apontou baterias para o Iraque, mais do que a geopolítica ou a ameaça por parte de Saddam de armas de destruição massiva o Iraque foi uma questão pessoal para a família Bush, uma meta decisiva para, pela primeira vez Bush exorcizar os seus próprios fantasmas de incompetência politica e se demarcar do seu pai.

À luz do que sabemos hoje será consensual afirmar que para lá dos objectivos económicos (é a segunda maior reserva de petróleo do Mundo) o Iraque foi invadido para que a família de Bush fosse vingada. Completando a missão que o Pai tinha deixado a meio no inicio dos anos 90 e derrubando Saddam Bush teria a sua primeira grande vitória política.

As consequências da governação Bush são desastrosas.

As politicas da sua administração reduziram a liberdade dos cidadãos em prol da sua segurança, hoje é possível prender sem mandado de captura, é possível deter por tempo indeterminado, sem respeito pelas convenções de Genébra, hoje as nossas comunicações são mais vigiadas, sofremos as consequências ambientais por Bush ter recusado seguir directrizes ambientais do tratado de Quioto, vivemos com mais dificuldades porque a tensão bélica causou instabilidade nos mercados energético, financeiro, comercial, capitalista.

Bush ascendeu a presidente em 2000 com menos votos que o candidato democrata Al Gore mas com mais delegados eleitos no colégio eleitoral. A sua vitória não foi uma vitória democrática mas uma criminosa campanha urdida num bastião da família Bush onde a recontagem dos votos no Estado da Flórida (administrada por um primo seu) foi decisiva.

Bush saboreou ao longo dos mandatos um decréscimo na sua popularidade (a mais baixa de sempre na historia dos presidentes) e tornou-se um presidente em descrédito numa América que perdeu o seu papel hegemónico a nível politico, económico e diplomático.

Tal como Ícaro Bush almejou voar até ao Sol; acabou por se afundar nas profundas águas do descrédito.

Este artigo pode também ser lido no Portal PTGate

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Guerra das Liberdades


O que têm em comum os anos 64 d.C, 1933 e 2001 ? O que poderão ter em comum o Imperador Romano Nero, Adolph Hitler e George Bush? Até onde alguém está disposto a ir para ver o seu poder aumentado?




Seria na noite de 18 de Julho do ano 64 d.C. que o núcleo comercial da capital do império romano, Roma, seria fustigado por um violento incêndio. Nero, o imperador romano, atribuiu as culpas do incêndio aos Cristãos. O que terá levado Nero a acusar a comunidade cristã?


Segundo alguns historiadores, o movimento cristão encontrava-se em clara
expansão e constituía uma ameaça a um Império politeísta que não abdicava do seu culto. Os professantes do cristianismo estavam a ocupar cargos públicos e a reforçar a sua posição na sociedade. Uma outra versão refere que a sanidade mental de Nero há muito que estava em causa e que este terá incendiado Roma apenas com o intuito de a reconstruir a seu bel-prazer.


Em 1933, Adolph Hitler formou um governo de coligação constituído por nazis, nacionalistas, independentes e católicos. Da sua chegada ao poder até à instauração de um regime ditatorial foi um pequeno passo. Segundo o historiador William Shirer, a 27 de Fevereiro de 1933, Hitler terá orquestrado o incêndio ao parlamento alemão (Reichtag) para, logo depois, atribuir as responsabilidades aos Comunistas.


O povo alemão acreditou nesta acusação e reforçou os poderes do
Reich através da aprovação de uma lei de autoridade que concedeu poderes de ditador a Hitler. Por seu turno, o partido nacional-socialista cimentou a sua posição no governo com 90% dos votos. Através desta consolidação de poderes Hitler passou a controlar a imprensa e suspendeu actividades dos partidos de esquerda.



Desde 1989, com a queda do muro de Berlim, os Estados Unidos passaram a dominar a ordem internacional. Para além de um mundo unipolarizado verificou-se um fenómeno raro; os EUA deixaram de ter um inimigo concreto. Era necessário um bode expiatório. O alvo do século XXI passou a incidir sobre os muçulmanos.


Em 1991, após o Iraque de Saddam Hussein ter invadido o Kuwait, com o intuito de controlar os poços de petróleo, soldados da ONU liderados pelos Estados Unidos iniciaram o processo de libertação do Kuwait.
Em Abril do mesmo ano a guerra terminaria. O Iraque aceitou o cessar-fogo imposto pelos EUA, porém sofreu duras sanções económicas por não entregar o seu armamento químico.
E quem era presidente dos Estados Unidos em 1991? Nada mais do que George Herbert Walker Bush, pai do actual presidente americano, George W. Bush.


Em 2002, o New York Times desvendou alguns dos mais guardados segredos de manipulação mediática. O Pentágono terá criado o SIE (Serviço de de Informação Estratégica), sobre alçada de Ronald Rumsfeld, um organismo autorizado a praticar desinformação. O SIE tinha um acordo de 100 mil dólares com o Rendon Group, um organismo já havia sido contratado para a Guerra do Golfo e que foi responsável pelo testemunho de uma falsa enfermeira Kuwaitiana que afirmou ter visto soldados Iraquianos a saquear uma maternidade e "arrancar bebés das incubadoras e matá-los sem piedade". Este testemunho foi decisivo para que o Congresso aprovasse uma acção militar no Golfo.


O dia 7 de Outubro de 2001 marcou um outro momento histórico. Pela primeira vez na história uma coligação declarou guerra não a um País, não a um Estado mas a um único homem: Osama Bin Laden.


Se a justificação para a Guerra do Afeganistão foi discutível. O conflito no Iraque deixou exposta a manipulação levada a cabo pelos EUA para atingirem os seus intentos.
A invasão ao Iraque, justificada por Colin Powell e George W. Bush com a existência de "armas de destruição maciça", afigurou-se como uma mentira que os próprios já confirmaram.


As armas biológicas nunca foram encontradas.


A ligação de Saddam com a Al-Qaeda nunca foi provada.


Diga-se em abono da verdade que a Al-Qaeda é uma organização xiita, enquanto que Saddam era sunita.


Em pleno Conselho de Segurança da ONU, Colin Powell, munido de apresentações gráficas, dignas do filme «Minority Report» de Spielberg, defendeu a urgência de uma intervenção militar no Iraque.
Nas infografias apresentou o organigrama da Al-Qaeda e células de produção de armas de destruição maciça. Todas estas informações eram falsas.


Ainda relacionado com a Guerra do Iraque em 2003, o episódio envolvendo a soldado Jessica Lynch.


Supostamente capturada numa emboscada no deserto iraquiano, a soldado Jessica Lynch foi resgatada do hospital onde estava detida como prisioneira de guerra.


Irrompendo pelo hospital iraquiano ao som de explosivos e gritando "go, go, go" os militares americanos filmaram toda a acção hollywoodesca com cameras de raios infravermelhos.


Mas, segundo uma reportagem da BBC, Jessica Lynch terá recebido o melhor tratamento enquanto esteve hospitalizada tendo mesmo direito a enfermeira exclusiva. Enquanto que a versão governamental relatava que Jessica tinha sido baleada e esfaqueada, os relatórios médicos do hospital apenas indicavam fracturas num braço, uma perna e tornozelo deslocado fruto de um acidente de viação.


Pena é que Jessica sofra de uma severa crise de amnésia que não lhe permita reproduzir a emboscada do dia 23 de Março.


Jessica não se recordará porque toda esta operação não passou de um embuste, uma manobra de propaganda militar.



Quando um Estado é capaz de mentir para justificar um objectivo até onde ele poderá ir?


Relativamente ao 11 de Setembro muitas dúvidas subsistem. Atentado organizado por um agressor externo ou uma rebelião interna? O que embateu contra o Pentágono: um Boeing 767 ou um míssil cruzeiro? Porque ruíram as torres gémeas? Será um Estado capaz de se auto flagelar e matar os próprios cidadãos para a consecução dos seus objectivos?


Depois de terem forjado a entrevista com a enfermeira Kuwaitiana, o resgate da soldado Jessica Lynch e as provas sobre a armas de destruição maciça iraquianas quem nos garante que o aparelho de Estado americano não terá feito o mesmo com a gravação em que Bin Laden assume a autoria dos atentados?


O 11 de Setembro legitimou uma guerra, uma guerra contra a Democracia e Direitos Humanos, obrigou os americanos a abrirem mão de parte da sua liberdade em troca de uma maior segurança, reforçou os poderes de Serviços de Investigação e policiamento e do próprio Estado e legitimou cortes no orçamento com custos sociais em nome de duas guerras injustificáveis contra a comunidade muçulmana.

Citando Baptista-Bastos (Jornal de Negócios) "A mentira nunca sustentou o poder por muito tempo". Veremos até quando ela irá durar.


Mike Thompson, Detroit, Michigan, The Detroit Free Press