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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Maitê Proença


O vídeo em questão poderia ser mais um a juntar à colectânea "bizarro" no Youtube.

O vídeo em questão poderia ser apenas um vídeo caseiro de uma turista a evidenciar um desconhecimento sobre a história do país que visita.

Sendo o conteúdo em si reprovável mas irrelevante, é ao verificarmos o seu autor que a perplexidade nos envolve e ficamos atónitos: Maitê Proença.

Maitê, à semelhança de muitos actores Brasileiros, tornou-se uma cara conhecida em Portugal depois de décadas de novelas de Globo. Ao conhecida acrescento o adjectivo "respeitada". Os produtos de ficção brasileiros ajudaram ao estreitar de laços entre Portugal e Brasil, conferindo enorme prestigio aos seus protagonistas.

Maitê mais do que ninguém sabe disso.
Não sendo a primeira vez que se deslocou ao nosso país, já terá sentido na pele o reconhecimento que o seu trabalho lhe foi conferindo ao longo destes anos. Parece que afinal os 'esquisitos dos Portugueses' apreciam o desempenho profissional da senhora..

Olhando os curtos minutos do vídeo filmado para o programa 'Saia Justa' do GNT aquilo que me apraz definir como 'justa' é mesmo a cultura geral da actriz brasileira. Se não fosse ofensivo o vídeo seria um autêntico hino à sua atroz ignorância.

Em primeiro lugar há que sublinhar a falta de profissionalismo de Maitê. Sendo um vídeo que, supostamente, visa mostrar alguns aspectos da cultura portuguesa aos brasileiros a actriz exibe jocosamente a sua ignorância, não sabendo distinguir Vilas de Cidades, Pinheiros de Ciprestes, Rios de Mares, atropela noções históricas, tenta fazer chacota com pormenores esotéricos, ridiculariza os Portugueses, cospe num dos seus monumentos mais relevantes.

Não poderia haver melhor imagem metafórica para descrever o sentimento que invadiu o nosso País, afinal Maitê cuspiu num prato que a tem alimentado.

Uma figura pública como o é Maitê Proença está envolta de uma responsabilidade ética a que o comum dos brasileiros não está sujeito. O seu comportamento até seria menos condenável se o vídeo fosse para efeitos privados e, por um desleixo, tivesse vindo parar à Internet. Sendo que o mesmo tinha como propósito a divulgação pública ele só enfatiza a falta de carácter da personagem.

Maitê esquece-se que também é sustentada pelos contratos de compra das novelas da Globo que Portugal paga, esquece-se que os Portugueses enchem as salas de teatro quando cá vem estrear peças, esquece-se que há portugueses que compram os seus livros.

Mas, pior do que isto, foi a falta de respeito reprovável que teve para com a comunidade brasileira residente em Portugal.
Ao desrespeitar um país como o nosso, este episódio poderá servir para acirrar alguns comportamentos xenófobos e criar clivagens numa convivência que tem sido, na maior parte dos casos, totalmente pacifica.

Podemos ser esquisitos mas somos honrados e dificilmente voltamos a ter em boa conta quem nos passa a perna
Pense três (3) vezes antes de cá voltar, ou ainda sairá mais invertida do que o número na porta de Sintra.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Especial 11 Setembro: Torres Gémeas 2



Poderia um gigante de aço cair tal qual um castelo de cartas?

Neste último vídeo é posta em cheque a queda das Torres Gémeas.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Cho Seung: NBC - O pender da balança


A decisão da NBC de publicar as imagens enviadas por Cho Seung-hui tem gerado polémica nos EUA. Teria a cadeia televisiva legitimidade para o fazer? A sua decisão foi lícita?


23 páginas de texto, 28 vídeos e 43 fotos são estes os motivos da discórdia.


Sabemos hoje que a correspondência foi enviada pelo homicida entre os dois ataques que compuseram o massacre. Após ter assassinado duas pessoas no dormitório da Universidade Cho colocou o pacote no correio com a morada da NBC, pouco depois, dirigiu-se para o edifício da Faculdade de Engenharia onde viria a matar 30 pessoas.


Um erro no código postal levou a correspondência a atrasar dois dias.


Qualquer dúvida que poderia subsistir foi dissipada. Seung preparava este ataque há meses.


Uma das fotografias enviada sugere mesmo que Cho ter-se-á inspirado no filme OldBoy, do realizador Coreano Park Chan-Wook, vencedor de um prémio no Festival de Cannes em 2004. O filme retrata a história de um homem preso sem qualquer tipo de justificação.



Após 15 anos de cativeiro ele procura vingar-se de quem orquestrou o seu aprisionamento.


É um filme de violência física e psicológica explicita. Um filme que aborda questões como vingança, amor, a ultra-violência, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, tudo isso envolto em tabus sexuais. As semelhanças com a vida de Cho são notórias.




Muito para além do homicídio, Cho pretendeu que o seu acto tivesse ainda maior impacto. Ele próprio foi mensageiro dos seus actos e intenções, foi porta-voz da sua revolta contra os "ricos e mimados". Antecipou-se à grande máquina mediática saciando a sua voraz curiosidade e respondendo à questão mais anseada pelos jornalistas:"porquê?".


A divulgação do vídeo pela NBC gerou uma acesa troca de criticas na sociedade americana. De acordo com Steve Capus, presidente da cadeia televisiva, a NBC "reflectiu muito" antes de tornar o material público. Capus revelou ainda que "há material que não foi publicado" e que "o mais apropriado é que o seu conteúdo não seja revelado".
Após ter enviado o material às autoridades federais a NBC fez uma triagem no material a ser publicado o que se afigurou como uma decisão "muito difícil".


Como retaliação a NBC viu serem-lhe canceladas a maior parte das entrevistas de pais e amigos das vitimas. A decisão também mereceu criticas por parte da policia. "Não gosto de pensar que pessoas que não estão acostumadas a esse tipo de imagens tenham sido obrigadas a vê-las" afirmou SteveFlaherty, chefe da policia da Virginia.


Numa entrevista ao Newsday, Ellis Henica, especialista na critica aos media, acusou a NBC de "fingir que a sua decisão foi difícil ao levar as imagens para o ar para terem uma melhoria na audiência". As críticas espalharam-se quer pelos órgãos de comunicação social, quer por toda a blogosfera.


É ponto assente que a divulgação das imagens contribuiu para sensionalizar o acontecimento e que há o risco dos actos de Cho Seung-hui serem um incentivo para que outros o imitem. Aquilo que está em discussão é se o dever de informar se pode sobrepor aos princípios éticos que devem reger a prática do jornalismo.


Nenhuma redacção do mundo deixaria de publicar as fotos e vídeos em questão, principalmente quando se tem o exclusivo e o material nos foi enviado pelo próprio homicida. Há um valor informativo subjacente ao material enviado quer permite esclarecer a opinião pública sobre as motivações e o desvio normativo do assassino.


Mark Fisher, do Washington Post refere que "os jornalistas não têm o direito de esconder o material que é tão essencial para compreender um episódio de grande interesse público. Em casos emocionalmente difíceis como este, o público tem o direito de ver aquilo que nos ajuda a compreender quão descolado da realidade este sujeito estava e que tipo de sintomas este tipo de psicose apresenta".


Apesar do presidente da NBC ter referido que a estação tentou ser "o mais respeitosa possível com as famílias envolvidas" é certo que a cadeia televisiva teve falhas grosseiras.


As primeiras imagens do vídeo foram exibidas pelo programa Nightly News, um programa em horário nobre. Se a preocupação da estação tivesse sido a de respeitar a sensibilidade dos espectadores elas deveriam ter sido exibidas num horário mais apropriado impedindo o seu acesso a crianças.


A violência nas imagens é essencialmente de índole psicológica. Não houve, por parte da NBC, um único aviso sobre a possibilidade das imagens ferirem a sensibilidade dos espectadores. Numa sociedade em que o "parental advisory" é tão recorrente é estranho não ter sido aplicado nesta situação.


A divulgação das imagens constituiu aquilo que Clint Van Zandt, ex-agente do FBI, referiu na NBC durante a apresentação das imagens "a última vitória de Cho".


Cho venceu um departamento psiquiátrico, venceu um serviço de saúde, venceu um sistema escolar, venceu autoridades inertes, venceu um país obcecado com as ameaças exteriores e que deixa os seus cidadãos caidos no esquecimento.


Para todos os que deixaram que Cho Seung-hui vencesse cito Henry Ford "O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência."

Veja o Vídeo do manifesto de Cho Seung-hui:



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