quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Liga: Tragédia Grega


O país parou por causa de um empurrão e de um dedo em riste.

Katsouranis e Luisão, ambos jogadores do Benfica, foram os protagonistas do episódio bizarro da semana.

Mas este artigo não visa analisar o incidente em si nem tomar partido nem do Grego nem do Brasileiro, nem sequer aferir quem, dentro da estrutura do clube, terá que acartar com as responsabilidades. Aquilo que pretendo evidenciar é a falta de ética desportiva da Liga de Clubes, entidade que gere os casos de indisciplina no Futebol Português.

Que se saiba Portugal é um Estado de Direito e que, curiosamente, segundo o artigo 13 da Constituição da Portuguesa, denominado de Principio de Igualdade, está contemplado o principio de que «Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei».

Agora pergunto, porque é que a Comissão Disciplinar da Liga (CD) é recorrente no desrespeito por este principio?

Estará o futebol acima do direito e das leis?

Após o incidente que envolveu Katsouranis o jogador foi alvo de processo disciplinar imposto pelo Benfica a que se veio juntar um processo sumaríssimo instaurado pela Liga.

Para que se perceba o processo sumaríssimo apenas é instaurado caso um acto atentatório para a ética desportiva passe despercebido à equipa de arbitragem. Neste caso a Comissão Disciplinar da Liga baseia-se nas imagens televisivas para decidir os castigos a aplicar.

A comissão disciplina considerou a conduta de Katsouranis "grave" e punível com o artigo 126º do regulamento disciplinar que contempla que "os jogadores que usem expressões (..) ou gestos de carácter injurioso, difamatório ou grosseiro devem ser punidos.». O relatório da CD acrescenta que, para a tomada de decisão recorreu «às fotografias e imagens do jogo»

É aqui que a porca torce o rabo.

Katsouranis foi suspenso por causa de uma foto do jornal "A Bola", não pelas imagens televisivas.

Em Portugal, à excepção dos jogos que envolvem os três grandes poucos são os que têm transmissão televisiva e uma grande cobertura mediática.

Aquilo que está em causa não é a legitimidade do castigo de Katsouranis, é o principio de igualdade entre todos os atletas dado que nem todos os encontros da liga estão munidos de meios técnicos que permitam detectar comportamentos semelhantes.

Ou se abandona esta prática ou se dotam todos os Estádios dos mesmo meios de forma a garantir um tratamento equitativo dos atletas.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Vamos ajudar o David

O David é um menino portador de uma doença rarissima, a doença de Sanfilippo (Mucopolissacaridose tipo IIIB). É caso único deste tipo de doença em Portugal.

Neste momento ainda não há cura para ela, apenas um medicamento que retarda os sintomas.

Cada medicamento com 84 cápsulas custa 8986.74€ e o David precisa de 3 cápsulas por dia.

O ensaio clínico para um tratamento definitivo só está previsto para 2010/2015 pelo que é necessário retardar os efeitos da doença até lá.

Podemos todos ajudar o David.


N° conta BES: 0007 0000 00235781975 23
IBAN: PT50 0007 0000 0023 5781 9752 3

Nº conta Millenium:
0033 0000 45347789061 05
IBAN:
PT50 0033 0000 4534 7789 0610 5

David Lopes Santos
Campo de Besteiros
davidsanfilippo@sapo.pt
Viseu

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Português de Portugal


"Moleque", "Cafajeste", "
Ônibus", "Trem", "Banheiro" "Transar", "Malhação".

Poucos serão os Portugueses de Portugal (passo a redundância) que não entenderão estas expressões oriundas do Brasil.

Muitos destes termos têm-nos entrado em casa através dos ecrãs. Ao longo das últimas décadas temo-nos mostrado receptivos às novelas vindas do outro lado do Atlântico. Quase ser darmos por isso fomos adoptando e incorporando, no nosso vocabulário, as terminologias do país irmão.

No prime-time português as Chicas da Silva, os Roque Santeiro, as Rainhas da Sucata, os Donos do Gado tiveram lugar de destaque sobrepondo-se, quase sempre, à produção e aos intervenientes nacionais.

Quantas lições nos deram os Brasileiros..

O PROJAC, Hollywood brasileiro, tornou-se mais do que um projecto cultural e empresarial, um projecto linguístico. Portugal tem vindo a perder mais um comboio, desta vez o da língua portuguesa.

Com a profusão das novelas brasileiras nas televisões portuguesas fomos adoptando o modus vivendi, as expressões, fomo-nos familiarizando com o "star system" brasileiro, legitimando a sua cultura e criando terreno arável para que mais e mais produções brasileiras irrompessem, todos os dias, pelas nossas casas adentro.

Inadvertidamente, o Português falado no Brasil tornou-se o maior motor da língua portuguesa, o ponto de referência. Isto ao ponto de o Português lusitano ser rejeitado e mesmo incompreendido no Brasil.

Para a maioria dos estrangeiros, falar em Português remete imediatamente para o Brasil e se lhes pedirmos para proferirem algo na nosso língua, a probabilidade de ouvirmos um português melodioso de vogais abertas é elevadíssima.

Ao contrário dos nossos amigos Brasileiros, dificilmente conseguimos levar a que uma produção portuguesa tenha aceitação em terras de Vera Cruz, resta-nos exportar alguns actores e fazer co-produções como tem sido prática corrente das produtoras nacionais.

Aquilo que nos separa do Brasil é a mundividência, a projecção para o futuro. Enquanto que o Brasil reinventou a língua e recriou-se através da língua, criando neologismos, suprindo entraves de sintaxe e gramática, tornou a língua mais oral e garantiu a componente apelativa essencial para que ela fosse apreendida. O Brasil criou mitos globais em todas as áreas, na música, no teatro, na moda, no desporto. Exportou uma imagem de um país de sorriso fácil e de energia vibrante.

Pelo contrário, Portugal encarcerou-se nos pilares e fantasmas Salazaristas: Fado, Futebol e Fátima.

O país reduziu-se à memória de si mesmo. Literatura foi reduzida a Camões, Pessoa, Eça e pouco mais. O choro da guitarra portuguesa, adornado pelos choros e lamúrias fadistas, tornou-se o nosso único marco musical. Aos vindouros, como motivo de orgulho, só temos a dizer que temos Sol todo o ano e um Cristiano Ronaldo que faz a cabeça em água aos defesas contrários.

Muitos afirmam que o facto do Português do Brasil estar a ganhar terreno em relação ao Português de Portugal se deve a razões mercadológicas. Afinal porquê produzir para 10 milhões quando se pode produzir para 186 milhões de Brasileiros? (Census de 2006)

Quem quer que responda nestes termos deve ser português e deve ter culpas no cartório. O Espanhol (Castelhano) continua a ser rei apesar de só ter 44 milhões de falantes em Espanha contrastando com os cerca de 280 milhões espalhados pelo globo.

O que está em causa são medidas de proteccionismo, uma consciência da língua enquanto património.

O novo acordo ortográfico, previsto para 2008, é o coroar da irreversibilidade do predominância do Brasil sobre Portugal. Com este novo acordo a língua portuguesa aproxima-se à do Brasil. "Acção" passar-se-á a escrever "Ação", "Vêem" passará a ser "Veem", o hifen cai na maior parte das expressões e o alfabeto passa a ter 26 letras com a inclusão do K,W,Y.

O Português terá novamente uma projecção internacional digna da sexta língua mais falada no Mundo.

Obrigado aos amigos Brasileiros pois o mérito é inteiramente vosso.


Como vivemos da memória, vão rezar os livros que fomos nós a levar o Português ao Brasil mas nas Wikis e Enciclopédias Digitais virá assente que foi o Brasil que levou o Português ao Mundo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Capitão Moutinho


Enverga o número 28 mas causaram-lhe um grande "31".


Depois da justa e expressiva vitória (3-0) do Sporting frente aos ucranianos do Dinamo de Kiev tudo levava a crer que se tratava de uma excelente oportunidade para que a equipa leonina fizesse as pazes com os adeptos depois de uma fase conturbada.

O capitão João Moutinho (por sinal um dos melhores em campo e autor do segundo golo da equipa) ,num acto que denota respeito pelo público, dirigiu-se à curva sul do Alvalade XXI para entregar a sua camisola. A luta ferina que se desenrolou na disputa da camisola "28" acabou por se traduzir num dos actos mais desrespeitosos para com um jogador que tem honrado as cores leoninas sem mácula.

Num acto de protesto um membro da claque juventude leonina fez questão de rejeitar a camisola de Moutinho arremessando-a para fora da bancada.

A principio julguei ter-se tratado de um acto isolado, não generalizável à Juventude Leonina enquanto grupo propriamente dito. Porém, um comunicado oficial no site da claque mostrou que aquilo que sucedeu não foi uma forma de protesto mas uma reacção.

É na alínea número cinco do comunicado da principal claque leonina, comunicado esse denominado de "Sem pudor" que podemos encontrar uma critica directa ao capitão sportinguista.


5. Porque, com a complacência do Presidente do Clube e da SAD sportinguista, o actual capitão de equipa regozijou-se, sem pudor, pelo facto ter sido benfiquista e de ter festejado, inclusivamente, os 3-6.

Aquilo que está em causa foram declarações proferidas por Moutinho aquando da apresentação do livro "Futebol e Rock N' Roll", um livro da autoria João Pombeiro, que relata um almoço entre o "camisola 28" e Sérgio Godinho. No decorrer da conferência de imprensa Moutinho terá dito que, em criança, «simpatizava com o benfica».

Será o teor desta declaração tão gravoso a ponto de justificar o que a Juveleo fez? Parece-me que se aplica mais uma máxima do senso comum, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

Moutinho é de longe um dos jogadores com maior carácter do futebol português, demonstrou sempre uma enorme maturidade apesar da tenra idade e deu sempre a cara pelo clube nas vitórias e nas derrotas. Não é por acaso que, apesar de ter pouco mais de 20 anos, é já capitão da equipa. Que adeptos são estes que põem todo um trabalho em causa por umas declarações que remontam à infância do jogador?

Respostas incongruentes são dadas pela claque. Dizem que apenas apoiam o Sporting "em honra do emblema", não os jogadores. Mas pergunto eu, não são as claques que envergam orgulhosamente, nos momentos bons, tarjas de incentivo a Sá Pinto, Liedson entre outros? Em que é que ficamos? Apoiam o clube ou os jogadores do plantel?

Tenho pena que se tenta desrespeitado um valor futebolístico e humano como o é Moutinho. Aquilo que deveria ter ido parar ao chão do Alvalade XXI não era a camisola de Moutinho mas se a gravata de Soares Franco. Um presidente que se tem alheado sempre das responsabilidades relativas à má gestão criando manobras de diversão sucessivas.

O exemplo mais recente foi a criação de um circo mediático em reacção a declarações de Carlos Queiróz totalmente retiradas do contexto.

Aquilo que Queiroz disse em entrevista à TVI não foi ipsis verbis isto, mas algo muito semelhante: "qualquer jogador português a actuar na primeira liga poderia vir a ser alvo do interesse do Manchester". O adjunto do Manchester United incorreu no erro de personalizar os possíveis alvos de interesse nomeando, entre outros, o nome de Miguel Veloso.

Soares Franco entendeu-o como um claro aliciamento ao jogador em vésperas de um jogo decisivo para os leões na Champions.

Seguiu-se uma troca de insultos que não foi mais do que um número circense usado por Soares Franco para desviar as atenções do mau momento vivido pela equipa. Invariavelmente em Portugal opta-se por esta manobras de diversão ao invés de se assumirem responsabilidades.

O presidente do Sporting cuspiu no prato do clube que, nas últimas épocas, tem sido o maior garante para os orçamentos do Sporting.

E já sabemos, a local onde somos mal servidos, dificilmente voltamos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

José Veiga: Persona non grata

Dia 7 de Dezembro José Veiga, empresário de futebol, lançará um livro.

Não admira então que um profundo conhecedor dos meandros dos negócios se faça valer de uma boa polémica para alimentar a sua imagem e arrecadar mais uns trocos com vendas. Há que pregar a obra de arte enquanto os subsidios de natal não se esfumam.

Uma vez mais vemos o mercado literário ser invadido por um género menor. Já nem chega a ser o problema de não serem pessoas idóneas a publicar livros, aquilo a que temos vindo a assistir é um uso de livros como meios de reclamação, de lançamento de denúncias e criação de climas de suspeição.

José Veiga lançará então um "livro", que tem como mote "Como tornar o Benfica campeão", uma obra que retrata algumas questões internas da gestão do clube
encarnado e constitui uma critica ao trabalho de Luís Filipe Vieira com quem Veiga se terá incompatibilizado.

Veiga concedeu uma entrevista à TVI, citada pelo jornal abola, lançando duras críticas à presidência benfiquista.
Talvez seja melhor dissecar alguns pontos as suas declarações:


«os grande inimigos com quem temos de lutar constantemente estão dentro do clube e o plantel tem de estar protegido de todas essas pessoas, que gostam de interferir, de mexer no futebol sem qualquer conhecimento, sem qualquer base ou experiência no futebol.»


José Veiga foi campeão pelo Benfica na época 2004/2005. Ocupava o lugar de Director-Geral do Benfica, o responsável máximo pelo futebol. Nessa época o Benfica foi o menos mau entre os péssimos. Venceu o campeonato não pela qualidade do seu futebol, mas pelo espírito combativo que demonstrou.
Há também a acrescentar que houve um Futebol Clube do Porto irreconhecível e totalmente descaracterizado daquele que vencera a liga dos campeões, ou seja pós-Mourinho, e um Sporting que, apesar de um final de temporada pujante, foi penalizado pelo mau arranque de campeonato.

José Veiga trouxe, na época de 04/05, para o Benfica jogadores como
Everson, Karadas, Paulo Almeida. Em 05/06 trouxe Manduca, Robert, Marcel, Beto. Nenhum destes jogadores se impôs, todos eles se revelaram medíocres (não me ocorre nada
mais pejorativo).

Se para Veiga é a «falta de conhecimento» de futebol que é inimiga do clube, que dizer de um profissional que, conhecendo esse mundo há décadas, não acerta na
maioria das contratações?


«Acho que o Benfica não se pode desculpar constantemente com o Apito Dourado para disfarçar os maus resultados alcançados ao longo dos anos»


Para quem não tem a memória limitada Veiga é o homem da «fruta» e do «café com leite» expressões-código usadas para falar dos préstimos sexuais prestados a árbitros no âmbito da corrupção desportiva.

De uma forma recorrente, quando lhe colocavam um microfone, Veiga critica invariavelmente a corrupção desportiva, «as mentiras dos últimos 25 anos no
futebol português», as ligações «aos Guímaros, aos Quinhentinhos, aos Silvanos, aos Chicos Silva, aos Calheiros», «as viagens para o Brasil».

Nunca nestas declarações foi feita uma distinção clara entre Veiga empresário e Veiga dirigente do
Sport Lisboa e Benfica. Todos sabemos como apelidar os casos em que se misturam divergências pessoais com a profissão que se exerce: Falta de Profissionalismo.


Esperemos que num próximo livro Veiga se lembre de abordar a razão pela qual foi "corrido" do Futebol Clube do Porto, explique as acusações de burla agravada no caso João Vieira Pinto/Sporting e o episódio do arresto na casa.

Quer uma sugestão para o titulo do livro? "Como banir pessoas inconvenientes do
Futebol?"

Fica a sugestão.