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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Futebol à Portuguesa



Uma hilariante homenagem ao nosso Futebol e aos nossos "artistas".

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Benfica: Ai Jesus


Nova mudança, nova etapa no Benfica agora com Jorge Jesus ao leme da equipa.

O factor mais constante no Benfica dos últimos tempos tem sido mesmo esse, a constante mudança.

No clube da Luz temos assistido a uma dança incompreensível de treinadores, recrutados pelo nome sonante, por impulso, por desejo dos sócios mas muito poucas vezes tendo em conta um critério desportivo claramente definido.

O mal não esteve propriamente nas mudanças em si mesmas, mas sim na mudança sem critério, na falta de uma visão macro do Futebol desportivo do Benfica, não falta de uma concepção de jogo clara para a equipa.

Uma incongruente aposta desportiva "estável" em treinadores estrangeiros que, nem que fosse por razões meramente familiares, sabia-se à partida que não ficariam muito tempo pelas bandas da Luz.

A inconstância constante do Benfica deveu-se e muito a essa falta de pré-conceito desportivo que o tornou num carrossel de treinadores, jogadores e de métodos.

Talvez ainda preocupante que as constantes revoluções aquilo que assustava os seus adeptos era uma tendência quase auto-flageladora do clube recorrente nos mesmo erros ano após ano.

Parecem-me agora reunidas algumas condições essenciais para que o clube tenha, efectivamente, um novo rumo.

Em primeiro lugar existe estabilidade directiva. Luis Filipe Vieira eleito pela terceira vez, a terceira com uma margem de votos superior a 90%, viu o seu projecto legitimado pelos sócios.
Se os seus primeiros mandatos foram claramente para o estabelecimento das bases processuais, financeiras e logísticas para assegurarem o futuro do clube, o terceiro mandato ficará irremediavelmente ligado ao sucesso desportivo ou à falta dele. Os primeiro seis anos de Luís Filipe Vieira serviram para a credibilização do Benfica enquanto entidade, profissionalização do clube, relançamento da marca Benfica e criação das infraestruturas desportivas do clube (Estádio, Pavilhões e Centro de Estágio)
Ao proteger o seu calcanhar de Aquíles (a falta de conhecimento desportivo) e ao incumbir Rui Costa dessa responsabilidade sobrará a Luís Filipe Vieira maior margem de manobra para o mundo para o qual se lhe reconhecem mais méritos: a gestão empresarial do clube.

Em segundo lugar a mudança de politica desportiva iniciada com a aposta no futebol de formação e potenciada com a chegada de Rui Costa ao papel de director desportivo.
Começa-se a vislumbrar uma politica desportiva clara.
Manutenção das principais peças no plantel, compra de jogadores jovens com potencial, jogadores comprados tendo como base uma concepção de jogo na qual eles se irão encaixar, renovação com jogadores importantes, regresso de empréstimo de jogadores com potencial, integração em estágio de juniores. Jorge Jesus encontrará no Benfica seguramente uma estrutura mais coerente do que os seus antecessores.
O terceiro ponto prende-se precisamente com o treinador Jorge Jesus. Trata-se de um profissional de provas dadas, exigente e metódico, profundo conhecedor das especificidades do futebol português e, concomitantemente, da realidade Benfiquista.
Vejamos se se fará luz no ninho das águias ou se, pelo contrário, será um «ai Jesus».

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Curtas: Bruno Carvalho I


Bruno Carvalho é o candidato da Lista B às eleições do Sport Lisboa e Benfica.
Para alguém que estabeleceu como bandeira de campanha recuperar a «democraticidade do Benfica», Bruno Carvalho tem dado constantes tiros no pé.
Quem quer pugnar pela democracia não tenta vencer as eleições através de artimanhas jurídicas mas sim através dos votos, quem diz que os sócios são a força do Benfica não os pode temer e votar ladeado por seguranças privados.
Os sócios, maiores agentes da democracia do clube, saberão dar uma resposta cabal.

sábado, 22 de novembro de 2008

Claques: Bodes Expiatórios


No mundo torpe do Futebol as claques, são muitas vezes, o bode expiatório ideal.

Esta semana assistimos a mais um capitulo de uma série que envolve as claques dos principais clubes nacionais.

Este artigo não serve para escamotear o que aconteceu, acontece e acontecerá sempre, apenas procura explicar o fenómeno das claques à luz do fenónemo desportivo.

Claques não são viveiros de criminosos, são apenas microcosmos da própria sociedade, no que ela tem de positivo e no que tem de negativo, no que ela tem de filantrópica, no que ela tem de perversa.

As claques, que são apenas o elemento que mais vivacidade e colorido traz aos recintos desportivos, têm um destaque ínfimo nos órgãos de comunicação. Uma segregação que toma a parte pelo todo, que apenas exalta o que de mau aconteceu, as agressões, os ânimos exaltados, apenas focando elementos geradores de conflitos, mais propícios ao «show-off» preterindo os adeptos ordeiros que dignificam a claque e o clube em si. Uma marginalização que perpassa para a opinião pública e que torna estes adeptos menos propensos à integração.

As televisões que possuem os direitos de transmissão dos jogos, preenchem o apogeu das performances das claques (falo na exibição de panos, tarjas, fumos) com spots publicitários, ignorando os grandes espectáculos visuais que estes grupos proporcionam. Por outro lado, ao mais pequeno distúrbio, as câmaras são focadas incessantemente nas curvas em prejuízo da visualização do próprio jogo.

Nas claques encontramos um pouco de tudo, do desempregado ao trabalhador bem remunerado, do católico ao anticristo, do jurista ao anarquista, do mulherengo sem emenda, ao respeitoso pai de família, do correio de droga, ao escuteiro. As claques são, por isso, autênticos casos de estudo para os sociólogos mais interessados. Mas o que terão as claques de especial para congregarem pessoas tão distintas entre si?

Acima de tudo essas pessoas não estão unidas por interesses individuais, estão ali por amor a um clube, deixam de ter rosto, são apenas uma voz de incentivo. Para os jovens que a sociedade marginaliza, não lhes dando oportunidades de singrar na vida, discriminando-os pela cor da pele ou pelas origens humildes as claques funcionam como importante membro de integração, possivelmente com maior relevância do que Escola ou Família alguma vez terão.

Estar noventa minutos rodeado de pessoas que desconhecemos, mas que têm os mesmos objectivos, estar imbuído num espírito festivo, de movimentos sincronizados e vozes vibrantes constitui, para estes jovens, talvez um dos poucos momentos de realização pessoal que têm. Um fenómeno que, para os que não estão familiarizados com os universos das claques, poderemos ilustrar com o "Flower Power" que o movimento "Hippie" da década de 60 produziu.

Poderemos estar a falar de comportamentos desviantes mas eles são explicados em nome de uma utopia que constitui uma força motriz.

Num mundo de corrupção e tráfico de influência como o é o Futebol agentes desportivos instrumentalizam estes grupos. Tornam-se os seus maiores aliados quando necessitam, tornam-nos os seus exércitos de defesa pessoal, mas são os primeiros a atacá-los quando algo corre mal, usando-as geralmente como bodes expiatórios camuflando os desaires das equipas ou a gestão danosa dos clubes.

Quando muitos deles vêm a público condenar acções das claques, já antes acicataram o ambiente incitando a um clima de hostilidade e de suspeições sobre outros intervenientes. No dia em que os intervenientes que ocupam o topo da hierarquia sejam exemplarmente punidos teremos um efeito de pacificação generalizado nos patamares inferiores.

Como disse não poderemos tomar a parte pelo todo. Por termos noticias que envolvem polícias em esquemas de tráfico de droga isso não torna as polícias, no seu geral, corruptas. Por serem descobertos episódios de pedofilia com membros da igreja isso não faz da Igreja Católica um antro pecaminoso.

Claques não desvirtuam pessoas com princípios mas podem acirrar aqueles que os não tenham.

Se procurarmos entender o dissemelhante e tivermos espirito de abertura mais semelhante ele se tornará.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Pinto da Costa: Último Cruzado

Pinto da Costa reapareceu uma vez mais ao seu sobejamente conhecido estilo.

Não fossem os manuais escolares a garantirem-me que a terra é esférica, que já tinhamos abandonado o teocentrismo, que a sucessão de estados de tempo e as intempéries não eram explicadas por intervenção ou mau génio divino julgaria, perante as declarações do presidente do futebol clube do porto, que ter-se-ia dado a negação de longos séculos de evolução civilizacional.

Na inauguração de mais uma casa do Futebol Clube do Porto em São João da Madeira o discurso de PInto da Costa foi de um de mediavalismo atroz.

Julguei ver o último reduto cristão a norte nos últimos preparativos antes de iniciar a incurssão rumo a sul a fim de reconquistar a Península Ibérica subjugada ao domínio mouro.

«Eu, infelizmente, não tenho, mas vós tendes um grande presidente da câmara».

«É do poder local que temos que fazer a resistência para com o centralismo absurdo que cada vez mais quer fazer de nós os parentes pobres de um país que nós fundámos».

«Por mais pontos que façam, por mais milhões que nos levem, por mais que nos hostilizem, por mais que nos esqueçam; nos havemos de mostrar que daqui nasceu Portugal e daqui há-de continuar a ser o baluarte número um da nação que todos amamos».

É de facto antagónica a realidade desportiva do Futebol clube do Porto e a evolução do discurso do seu presidente.

Enquanto que o FCP tem vindo a sedimentar o seu estatuto internacional vencendo uma Taça UEFA, uma Liga dos Campeões, um Campeonato do Mundo de Clubes, integrando o G8 da UEFA o seu presidente mantém uma tónica de discurso pigmeu e bairrista. Este discurso só pode ser lido segundo duas orientações: ou estamos perante uma mensagem subliminar para o interior da estrutura do clube ou então é um discurso marcadamente para o exterior.

Primeira hipótese. Jorge Nuno Pinto da Costa sente que a nota de culpa que recebeu por causa do processo apito dourado pode causar instabilidade no clube e então recorre ao populismo arrivista, criando inimigos imaginários, reforçando a adesão de sócios e simpatizantes ao emblema do dragão mantendo assim a coesão interna que tem sido, aliás, o segredo para a hegemonia portista das últimas décadas.

Segunda hipótese. A insistência nesta tónica denota um projecto pararelelo ao desportivo: o político.

Pinto da Costa, um confesso proponente da regionalização, tem-se degladeado por um Futebol Clube do Porto que constitua um motor identitário e económico, por outras palavras, que um clube de futebol seja o aglutinador entre identidade, cultura, economia e sentimento de pertença a uma região, «o povo do norte, o povo mais forte» que os GNR popularizaram.

É do conhecimento público os célebres episódios em que vimos um Pinto da Costa mais afoito nas palavras foram aqueles em que se verificou uma tentativa de intervenção política dos destinos do futebol clube do porto. Recuando a 1994 o episódio da "bomba" por causa de um possível processo de penhora por parte do Estado ao Estádio da Antas e mais recentemente a crispação entre o presidente Rui Rio e Pinto da Costa.

«No meio da nossa euforia, no meio da nossa grande vitória e no meio do grito "Campeões" nós vamos ignorá-los com o desprezo que merecem os vermes, com o desprezo que merece quem não presta, com o desprezo de quem faz do ódio a sua razão de viver».

O Futebol Clube do Porto e os seus adeptos merecem mais do que este discurso instigador de animosidade e de violência. O emprego destas expressões no futebol não trás resultados desportivos, só um ódio exacerbado e uma onda conspirativa numa actividade que necessitada de transparência; cada vez mais.

Deixo aqui também um vídeo que demonstra o manutenção do discurso de Pinto da Costa ao longo dos anos:

sexta-feira, 14 de março de 2008

Camacho: Salir sin ganar


Em Agosto de 2007 escrevi aqui mesmo «Camacho não poderá pedir tempo, terá de apresentar resultados».

Sete meses volvidos os factos validaram esta tese.

Camacho regressou ao Benfica, para gáudio dos seus adeptos, como um Sebastianista em manhã de nevoeiro.

As "ganas" que o treinador murciano conseguiu imprimir na equipa na sua primeira passagem pelo clube da luz entre 2002/2003 e 2003/2004 seriam, na opinião de muitos, o tónico de que a equipa necessitava depois de um Benfica formatado à imagem de Fernando Santos, vistoso mas inconsequente nos momentos chave.

Camacho chegou com um discurso ambicioso e claro. O objectivo passava por ser campeão.

É certo que o técnico espanhol poderia não ter um plantel construído à sua imagem mas, ao contrário de Trapattoni, não teve o mérito de se resignar com as peças de que dispunha e de as explorar ao limite das suas capacidades.

Nem só de vitórias vive um clube como o Benfica, há a "chama imensa" que a voz de Luís Piçarra entoa e com Camacho até essa chama foi extinta.

A imensidão do Benfica que foi a força propulsora para Camacho mas foi também a sua força opressora quando os resultados não surgiram. É a muito citada mas pouco explicada mística.

No Benfica, ao deficit colectivo que tem sido uma constante nos últimos anos, pautado a espaços por talentos individuais decisórios, juntou-se uma inércia, um desacreditar que perpassou dos relvados para o público.

Camacho passou a ser vítima do seu discurso agressivo e das terapias de choque que foi infligindo ao criticar a atitude da equipa, a falta de mentalidade, a banalidade de alguns jogadores não condescendes, nas suas palavras, com a grandeza do clube.

Á medida que passou a justificar os desaires monossilabicamente pela falta de atitude dos jogadores Camacho distanciou-se da equipa, deixou de ser a voz de comando dentro do balneário. O Benfica, enquanto equipa de futebol, passou de individualidades num colectivo para um colectivo resumido às suas individualidades.

O Benfica deixou de ser uma estrutura coesa para passar a ser um conjunto de jogadores estanques, com margem de manobra reduzida a um esquema táctico rígido que penalizava os jogadores pois não se adequava às suas características. Camacho tentou adaptar os jogadores ao seu modelo de jogo e não adaptar o modelo de jogo aos jogadores de que dispunha. Perdeu por isso.

Quando uma equipa não joga como colectivo, com um modelo de jogo perfeitamente delineado, cada jogador sofre as consequências dessa desorganização.

Deixamos um Luís Filipe que tem dificuldades a defender à mercê dos avançados porque não se joga com extremos que fechem a ala direita, obriga-se o Rui Costa que devia ser poupado jogando numa parcela de terreno reduzida a fazer sprints durante 90 minutos, desaproveita-se o talento de um Di Maria porque o resto da equipa não abre linhas de passe e vê-se obrigado a insistir em acções individuais, coloca-se um Maxi Pereira a deambular em campo das alas para o meio campo, para o ataque, desaproveita-se um Makukula que é um jogador de área porque não há extremos para cruzar.

Uma série de erros que foram minando a equipa vítima de uma incompetência atroz do seu treinador.


De uma forma hábil Camacho soube sair novamente pela porta grande. Aproveitou (mais) um empate caseiro frente ao último classificado, nas vésperas da segunda mão da Taça UEFA (seria a primeira eliminatória a sério que perderia) para justificar que a sua capacidade para motivar os jogadores tinha terminado. Passou de incompetente para homem sensato que afinal colocou o clube à frente dos seus interesses pessoais.

Não escamoteando alguns aspectos negativos por parte da direcção do Benfica, sobretudo na falta de definição de um modelo e política desportiva Camacho é o grande responsável pelos desaires desta época.

Teimoso, resignado, incompetente.


Sin ganas no ganas nada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ouro sobre Azul



«É uma liga sem interesse (..) Mesmo que o FC Porto perca pontos, pelo que se tem visto, Benfica e Sporting vão perder mais».

Estas foram as declarações de Manuel José, treinador do Al-Ahly, à chegada a Lisboa para um período de férias no início de Janeiro.

Apesar de arrebatador de troféus no Egipto não se reconhece a Manuel José nenhum poder premunitório. De facto perante a realidade da liga portuguesa não são necessários quaiquer dotes metafísicos para adivinhar o seu desfecho.

Tem sido um filme muito visto. Muito Porto para pouco Benfica e Sporting.

Mas perante uma metragem cada vez mais longa, realizadores de águias e leões insistem nas cenas que estão condenadas ao insucesso.

A um Futebol Clube do Porto de estrutura consolidada opõem-se os dois de Lisboa cada vez mais à deriva.

O mais estranho desta Liga é que o Porto limita-se a jogar o "quanto baste" para fazer face ao constante perdulário pontual de Benfica e Sporting. Trata-se de uma hegemonia de uma gestão quase irrepreensível que se vai repercutindo nos relvados.

Há anos, arriscava mesmo décadas, que o Futebol Clube do Porto ganha campeonatos não em campo mas no escritório, gerindo a estrutura do futebol, mantendo a estabilidade dos quadros e a filosofia do clube intacta. Pelo contrário Benfica e Sporting denotam graves lacunas, insistindo numa gestão a curto prazo, mudando de treinador ao sabor dos resultados, contratando remessas de jogadores de qualidade duvidosa.

A época 2007/2008 é apenas um exemplo dessa incapacidade dos grandes de Lisboa denotando a micro visão do planeamento desportivo.

Enquanto que o Futebol Clube do Porto cria os fundamentos para a época que se avizinha renovando com Quaresma, Raúl Meireles e com outros jogadores basilares, Benfica e Sporting são recorrentes na contratação de "tapa-buracos", jogadores que vêm para remendar insuficiências e que raramente se conseguem afirmar em tempo útil.

Um exemplo gritante daquilo a que chamo gestão danosa é o caso concreto de Bergessio um jogador comprado pelo Benfica em Junho por 4 milhões de euros, que fez no máximo três jogos pelo Benfica e que é vendido, sete meses depois, por menos de 2 milhões de euros.

Pior do que as exibições dos grandes de Lisboa começa a ser dramático o sentimento de impunidade que transparece dos dirigentes, treinadores, jogadores e o discurso quase conformista para com os maus resultados.

Inoperância, incapacidade ou conformação?

Não admira que o Porto tenha sucesso na Europa, não tem que suar em Portugal para ser primeiro.

Como vem a ser dito nos meandro do Futebol, qualquer dia o Porto começa a jogar apenas na segunda volta do campeonato.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Liga: Tragédia Grega


O país parou por causa de um empurrão e de um dedo em riste.

Katsouranis e Luisão, ambos jogadores do Benfica, foram os protagonistas do episódio bizarro da semana.

Mas este artigo não visa analisar o incidente em si nem tomar partido nem do Grego nem do Brasileiro, nem sequer aferir quem, dentro da estrutura do clube, terá que acartar com as responsabilidades. Aquilo que pretendo evidenciar é a falta de ética desportiva da Liga de Clubes, entidade que gere os casos de indisciplina no Futebol Português.

Que se saiba Portugal é um Estado de Direito e que, curiosamente, segundo o artigo 13 da Constituição da Portuguesa, denominado de Principio de Igualdade, está contemplado o principio de que «Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei».

Agora pergunto, porque é que a Comissão Disciplinar da Liga (CD) é recorrente no desrespeito por este principio?

Estará o futebol acima do direito e das leis?

Após o incidente que envolveu Katsouranis o jogador foi alvo de processo disciplinar imposto pelo Benfica a que se veio juntar um processo sumaríssimo instaurado pela Liga.

Para que se perceba o processo sumaríssimo apenas é instaurado caso um acto atentatório para a ética desportiva passe despercebido à equipa de arbitragem. Neste caso a Comissão Disciplinar da Liga baseia-se nas imagens televisivas para decidir os castigos a aplicar.

A comissão disciplina considerou a conduta de Katsouranis "grave" e punível com o artigo 126º do regulamento disciplinar que contempla que "os jogadores que usem expressões (..) ou gestos de carácter injurioso, difamatório ou grosseiro devem ser punidos.». O relatório da CD acrescenta que, para a tomada de decisão recorreu «às fotografias e imagens do jogo»

É aqui que a porca torce o rabo.

Katsouranis foi suspenso por causa de uma foto do jornal "A Bola", não pelas imagens televisivas.

Em Portugal, à excepção dos jogos que envolvem os três grandes poucos são os que têm transmissão televisiva e uma grande cobertura mediática.

Aquilo que está em causa não é a legitimidade do castigo de Katsouranis, é o principio de igualdade entre todos os atletas dado que nem todos os encontros da liga estão munidos de meios técnicos que permitam detectar comportamentos semelhantes.

Ou se abandona esta prática ou se dotam todos os Estádios dos mesmo meios de forma a garantir um tratamento equitativo dos atletas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

José Veiga: Persona non grata

Dia 7 de Dezembro José Veiga, empresário de futebol, lançará um livro.

Não admira então que um profundo conhecedor dos meandros dos negócios se faça valer de uma boa polémica para alimentar a sua imagem e arrecadar mais uns trocos com vendas. Há que pregar a obra de arte enquanto os subsidios de natal não se esfumam.

Uma vez mais vemos o mercado literário ser invadido por um género menor. Já nem chega a ser o problema de não serem pessoas idóneas a publicar livros, aquilo a que temos vindo a assistir é um uso de livros como meios de reclamação, de lançamento de denúncias e criação de climas de suspeição.

José Veiga lançará então um "livro", que tem como mote "Como tornar o Benfica campeão", uma obra que retrata algumas questões internas da gestão do clube
encarnado e constitui uma critica ao trabalho de Luís Filipe Vieira com quem Veiga se terá incompatibilizado.

Veiga concedeu uma entrevista à TVI, citada pelo jornal abola, lançando duras críticas à presidência benfiquista.
Talvez seja melhor dissecar alguns pontos as suas declarações:


«os grande inimigos com quem temos de lutar constantemente estão dentro do clube e o plantel tem de estar protegido de todas essas pessoas, que gostam de interferir, de mexer no futebol sem qualquer conhecimento, sem qualquer base ou experiência no futebol.»


José Veiga foi campeão pelo Benfica na época 2004/2005. Ocupava o lugar de Director-Geral do Benfica, o responsável máximo pelo futebol. Nessa época o Benfica foi o menos mau entre os péssimos. Venceu o campeonato não pela qualidade do seu futebol, mas pelo espírito combativo que demonstrou.
Há também a acrescentar que houve um Futebol Clube do Porto irreconhecível e totalmente descaracterizado daquele que vencera a liga dos campeões, ou seja pós-Mourinho, e um Sporting que, apesar de um final de temporada pujante, foi penalizado pelo mau arranque de campeonato.

José Veiga trouxe, na época de 04/05, para o Benfica jogadores como
Everson, Karadas, Paulo Almeida. Em 05/06 trouxe Manduca, Robert, Marcel, Beto. Nenhum destes jogadores se impôs, todos eles se revelaram medíocres (não me ocorre nada
mais pejorativo).

Se para Veiga é a «falta de conhecimento» de futebol que é inimiga do clube, que dizer de um profissional que, conhecendo esse mundo há décadas, não acerta na
maioria das contratações?


«Acho que o Benfica não se pode desculpar constantemente com o Apito Dourado para disfarçar os maus resultados alcançados ao longo dos anos»


Para quem não tem a memória limitada Veiga é o homem da «fruta» e do «café com leite» expressões-código usadas para falar dos préstimos sexuais prestados a árbitros no âmbito da corrupção desportiva.

De uma forma recorrente, quando lhe colocavam um microfone, Veiga critica invariavelmente a corrupção desportiva, «as mentiras dos últimos 25 anos no
futebol português», as ligações «aos Guímaros, aos Quinhentinhos, aos Silvanos, aos Chicos Silva, aos Calheiros», «as viagens para o Brasil».

Nunca nestas declarações foi feita uma distinção clara entre Veiga empresário e Veiga dirigente do
Sport Lisboa e Benfica. Todos sabemos como apelidar os casos em que se misturam divergências pessoais com a profissão que se exerce: Falta de Profissionalismo.


Esperemos que num próximo livro Veiga se lembre de abordar a razão pela qual foi "corrido" do Futebol Clube do Porto, explique as acusações de burla agravada no caso João Vieira Pinto/Sporting e o episódio do arresto na casa.

Quer uma sugestão para o titulo do livro? "Como banir pessoas inconvenientes do
Futebol?"

Fica a sugestão.


quarta-feira, 29 de agosto de 2007

SLB: Rei Morto, Rei Posto


Há muito que pairava uma onda de desconfiança pelas bandas da Luz.


Após a renúncia ao cargo de treinador, no final da época 2005/2006, por parte do Ronald Koeman (Holandês) , que havia sucedido a Giovanni Trapattoni (Italiano) e José António Camacho (Espanhol) a direcção do clube benfiquista decidiu apostar num treinador português.


A escolha para a época 2006-2007 acabaria por recair em Fernando Santos, um treinador experiente, profundo conhecedor do futebol português dado ter já treinado o Futebol Clube do Porto (1998-2001) e o Sporting (2003-2004).


Fernando Santos recebeu um Benfica que vinha numa senda de vitórias: Taça de Portugal (2004), Campeonato Nacional (2005), Supertaça (2006).


Fernando Santos trouxe consigo do AEK, seu antigo clube, Katsouranis, um jogador polivalente, campeão europeu de selecções pela Grécia. O clube da Luz assegurou igualmente o regresso do filho pródigo, Rui Costa e prolongou, por mais um ano, o empréstimo com Fabrizio Miccoli, avançado da Juventos. Embora com uma segunda linha de opções medíocre, este afigurava-se com um dos plantéis mais equilibrados do passado recente do clube.


A época começou mal para o treinador luso, com uma pesada derrota (3-0) imposta pelo Boavista, na segunda jornada da Liga. Seguiu-se um empate (0-0) na Fase de Grupos da Liga dos Campeões com o modesto Copenhaga. Após um inicio de campeonato trémulo a turma da Luz conseguiu uma série 21 jogos sem perder, registada entre 25/11/06 e 20/05/07, tendo porém registado 6 empates. O Benfica foi eliminado da Taça de Portugal, pelo Varzim, equipa da Liga de Honra. No plano internacional, a participação na Liga dos Campeões ficou aquém das expectativas. O Benfica não passou da fase de grupos. Relegado para a Taça UEFA, eliminou o Dinamo de Bucareste e o PSG tendo sido arredado da competição pelo Espanyol de Barcelona.


O saldo final da época, embora não sendo fracamente negativo, deixou um amargo de boca e a sensação de que mais poderia ter sido alcançado.


O Benfica foi, durante toda a época, uma equipa à imagem da personalidade do próprio treinador: retraída, conformada e pouco ambiciosa.


Mas as culpas não podem ser atribuídas inteiramente a um treinador benfiquista convicto e sócio do clube. A postura de Fernando Santos para com o clube foi sempre da maior integridade, mesmo nas alturas mais críticas. Apesar disso, Fernando Santos nunca conseguiu granjear do apoio dos adeptos, sendo insistentemente assobiado sempre que o seu nome era pronunciado nos altifalantes do Estádio.


Com a chegada de época 2007/2008 pedia-se a Fernando Santos mais. O plantel foi visivelmente reforçado. Bergessio, Oscar Cardozo, Fábio Coentrão, Marc Zoro, Butt, FreddyAdu, Di Maria e recuperou Nuno Assis após prolongado castigo. Apesar disso o Benfica fez uma pré-temporada ténue em que apenas conseguiu, em jogos amigáveis, bater o Sporting no Torneio do Guadiana.


A poucos dias do fecho das inscrições o Benfica perderia duas das suas pedras basilares para esta época. Simão Sabrosa transferiu-se para o Atlético de Madrid e Manuel Fernandes para o Valência. Terão sido estes dois momentos que marcaram a cisão entre treinador e a direcção.
«Perder Simão seria um pesadelo horrível» chegou a dizer Fernando Santos.


Em parte Fernando Santos tem razão. A má gestão desportiva do Benfica tem sido constante. As últimas épocas do Benfica têm-se resumido a pré-épocas e defesos repletos de contratações dúbias, de jogadores sem créditos firmados, que chegam quase no limite do fecho das inscrições e que não se conseguem afirmar. Em Janeiro, habitualmente chegam uns remendos para completar alguma lacuna.


Para 2007/2008, a direcção deveria ter preparado o treinador para a iminente saída do capitão Simão Sabrosa de forma a mecanizar a equipa e criar um esquema que pudesse debelar a sua ausência.


O presidente, Luís Filipe Vieira, acérrimo critico da politica de contratações das anteriores gestões do clube, nomeadamente da de Vale e Azevedo na qual criticava o facto de o clube contratar um "plantel por época", lembre-se que já vai em dez contratações nesta época. Dez contratações a conta gotas.


Com o regresso de José António Camacho, o Benfica recuperou um treinador em estado de graça, um homem rigoroso e que tem na determinação um ponto a seu favor. Mas o carisma não ganha jogos.


Camacho não poderá pedir tempo, terá de apresentar resultados.


domingo, 24 de junho de 2007

Donos da Bola


O inevitável aconteceu.


Num outro artigo fiz referência às mudanças que se têm operado no futebol moderno. Embora através da prática desportiva a fachada dos clubes permaneça a mesma todos os seus alicerces mudaram.


Ao clube desportivo sobrepõe-se o clube-empresa, o adepto, através das relações públicas e departamentos de comunicação, deixa de ser visto como um apaixonado pelo emblema mas como cliente, potencial consumidor.



Mas o parâmetro que mais equipara o mundo do futebol com o empresarial é a constituição de SADS (Sociedades Anónimas Desportivas) e, concomitantemente, a cotação em bolsa.


A entrada dos clubes em bolsa torna-os vulneráveis a terceiros mas também o responsabiliza pois todas as operações passam a ter a obrigação de serem reportadas a comissões de valores.


A gestão passa a ter que ser coerente dado estar-se a gerir capital de accionistas que, em tempo real, poderão penalizar o clube através da venda (e consequente desvalorização) das acções.


Ao entrar no mundo bolsista e à semelhança de qualquer empresa, os clubes de futebol passam a ter um preço, passam a ser vendíveis.


O fenómeno de compra de clubes começou precisamente há 21 anos quando o ex-presidente Italiano Silvio Berlusconi comprou o AC Milan por 59 milhões de euros.


Mais recentemente a liga inglesa tem sido o paradigma do investimento de magnatas em clubes de futebol onde se destacam as compras do Chelsea, em 2003, por Roman Abramovich (163 milhões de euros), do Manchester United, em 2005, por Malcolm Glazer (1,1 mil milhões de euros) e do Liverpool, em 2007, por George Gillet e Tom Hicks (321 milhões de euros). Mas também West Ham, Aston Villa, Portsmouth, Fulham e Newcastle pertencem a multimilionários.



Em Portugal, à semelhança de outras coisas, esta realidade chegou tarde.


Joe Berardo, através da Metalgest, lançou uma Oferta Pública de aquisição sobre 60% (9 milhões de acções de categoria B) do capital da Benfica SAD. Acontece que ao contrário das mais recentes OPAS lançadas em Portugal nos tempos mais recentes (Sonae/PT ou BCP/BPI) [nas quais curiosamente Berardo teve influência no seu desfecho] a OPA lançada ao Benfica não é revestida do carácter coercivo das anteriores.



Para qualquer teórico de Marketing um factor decisivo para que uma marca seja apetecível para o mercado é que ela transmita valores para os consumidores. A Vodafone quer perpassar uma ideia de dinamismo, a MTV de irreverência, a Mcdonals de pragmatismo. A marca Benfica vende-se por si própria e ao contrário da maior parte das marcas comerciais não tem rosto, tem alma.


Enquanto empresário Berardo só investe com a intenção de ter contrapartidas e retorno financeiro.


Recuperado da profunda crise que atravessou na última década o Sport Lisboa e Benfica tem as suas contas em processo de equilíbrio, a maioria das dividas saldadas e tem apostado no património imobiliário (Estádio da Luz e Caixa Futebol Campus). O Benfica é o clube com mais associados (mais de 160 mil), figura entre os dez clubes míticos do mundo e tem uma dimensão global nos países de língua oficial portuguesa de que poucos clubes do mundo se poderão gabar.


E que empresa nacional conseguiria, apesar de dez anos de gestão danosa, manter essa projecção internacional?



Apesar da dinâmica actual o ex-ministro Bagão Félix considera que o Benfica se encontra «subvalorizado» e dá como exemplo do caso do Villareal, uma equipa de uma cidade com 45 mil habitantes, que «ganha três vezes mais que o Benfica em direitos televisivos.» Para Berardo há muita gente a ganhar dinheiro à custa do Benfica.