
No mundo torpe do Futebol as claques, são muitas vezes, o bode expiatório ideal.
Esta semana assistimos a mais um capitulo de uma série que envolve as claques dos principais clubes nacionais.
Este artigo não serve para escamotear o que aconteceu, acontece e acontecerá sempre, apenas procura explicar o fenómeno das claques à luz do fenónemo desportivo.
Claques não são viveiros de criminosos, são apenas microcosmos da própria sociedade, no que ela tem de positivo e no que tem de negativo, no que ela tem de filantrópica, no que ela tem de perversa.
As claques, que são apenas o elemento que mais vivacidade e colorido traz aos recintos desportivos, têm um destaque ínfimo nos órgãos de comunicação. Uma segregação que toma a parte pelo todo, que apenas exalta o que de mau aconteceu, as agressões, os ânimos exaltados, apenas focando elementos geradores de conflitos, mais propícios ao «show-off» preterindo os adeptos ordeiros que dignificam a claque e o clube em si. Uma marginalização que perpassa para a opinião pública e que torna estes adeptos menos propensos à integração.
As televisões que possuem os direitos de transmissão dos jogos, preenchem o apogeu das performances das claques (falo na exibição de panos, tarjas, fumos) com spots publicitários, ignorando os grandes espectáculos visuais que estes grupos proporcionam. Por outro lado, ao mais pequeno distúrbio, as câmaras são focadas incessantemente nas curvas em prejuízo da visualização do próprio jogo.
Nas claques encontramos um pouco de tudo, do desempregado ao trabalhador bem remunerado, do católico ao anticristo, do jurista ao anarquista, do mulherengo sem emenda, ao respeitoso pai de família, do correio de droga, ao escuteiro. As claques são, por isso, autênticos casos de estudo para os sociólogos mais interessados. Mas o que terão as claques de especial para congregarem pessoas tão distintas entre si?
Acima de tudo essas pessoas não estão unidas por interesses individuais, estão ali por amor a um clube, deixam de ter rosto, são apenas uma voz de incentivo. Para os jovens que a sociedade marginaliza, não lhes dando oportunidades de singrar na vida, discriminando-os pela cor da pele ou pelas origens humildes as claques funcionam como importante membro de integração, possivelmente com maior relevância do que Escola ou Família alguma vez terão.
Estar noventa minutos rodeado de pessoas que desconhecemos, mas que têm os mesmos objectivos, estar imbuído num espírito festivo, de movimentos sincronizados e vozes vibrantes constitui, para estes jovens, talvez um dos poucos momentos de realização pessoal que têm. Um fenómeno que, para os que não estão familiarizados com os universos das claques, poderemos ilustrar com o "Flower Power" que o movimento "Hippie" da década de 60 produziu.
Poderemos estar a falar de comportamentos desviantes mas eles são explicados em nome de uma utopia que constitui uma força motriz.
Num mundo de corrupção e tráfico de influência como o é o Futebol agentes desportivos instrumentalizam estes grupos. Tornam-se os seus maiores aliados quando necessitam, tornam-nos os seus exércitos de defesa pessoal, mas são os primeiros a atacá-los quando algo corre mal, usando-as geralmente como bodes expiatórios camuflando os desaires das equipas ou a gestão danosa dos clubes.
Quando muitos deles vêm a público condenar acções das claques, já antes acicataram o ambiente incitando a um clima de hostilidade e de suspeições sobre outros intervenientes. No dia em que os intervenientes que ocupam o topo da hierarquia sejam exemplarmente punidos teremos um efeito de pacificação generalizado nos patamares inferiores.
Como disse não poderemos tomar a parte pelo todo. Por termos noticias que envolvem polícias em esquemas de tráfico de droga isso não torna as polícias, no seu geral, corruptas. Por serem descobertos episódios de pedofilia com membros da igreja isso não faz da Igreja Católica um antro pecaminoso.
Claques não desvirtuam pessoas com princípios mas podem acirrar aqueles que os não tenham.
Se procurarmos entender o dissemelhante e tivermos espirito de abertura mais semelhante ele se tornará.
Esta semana assistimos a mais um capitulo de uma série que envolve as claques dos principais clubes nacionais.
Este artigo não serve para escamotear o que aconteceu, acontece e acontecerá sempre, apenas procura explicar o fenómeno das claques à luz do fenónemo desportivo.
Claques não são viveiros de criminosos, são apenas microcosmos da própria sociedade, no que ela tem de positivo e no que tem de negativo, no que ela tem de filantrópica, no que ela tem de perversa.
As claques, que são apenas o elemento que mais vivacidade e colorido traz aos recintos desportivos, têm um destaque ínfimo nos órgãos de comunicação. Uma segregação que toma a parte pelo todo, que apenas exalta o que de mau aconteceu, as agressões, os ânimos exaltados, apenas focando elementos geradores de conflitos, mais propícios ao «show-off» preterindo os adeptos ordeiros que dignificam a claque e o clube em si. Uma marginalização que perpassa para a opinião pública e que torna estes adeptos menos propensos à integração.
As televisões que possuem os direitos de transmissão dos jogos, preenchem o apogeu das performances das claques (falo na exibição de panos, tarjas, fumos) com spots publicitários, ignorando os grandes espectáculos visuais que estes grupos proporcionam. Por outro lado, ao mais pequeno distúrbio, as câmaras são focadas incessantemente nas curvas em prejuízo da visualização do próprio jogo.
Nas claques encontramos um pouco de tudo, do desempregado ao trabalhador bem remunerado, do católico ao anticristo, do jurista ao anarquista, do mulherengo sem emenda, ao respeitoso pai de família, do correio de droga, ao escuteiro. As claques são, por isso, autênticos casos de estudo para os sociólogos mais interessados. Mas o que terão as claques de especial para congregarem pessoas tão distintas entre si?
Acima de tudo essas pessoas não estão unidas por interesses individuais, estão ali por amor a um clube, deixam de ter rosto, são apenas uma voz de incentivo. Para os jovens que a sociedade marginaliza, não lhes dando oportunidades de singrar na vida, discriminando-os pela cor da pele ou pelas origens humildes as claques funcionam como importante membro de integração, possivelmente com maior relevância do que Escola ou Família alguma vez terão.
Estar noventa minutos rodeado de pessoas que desconhecemos, mas que têm os mesmos objectivos, estar imbuído num espírito festivo, de movimentos sincronizados e vozes vibrantes constitui, para estes jovens, talvez um dos poucos momentos de realização pessoal que têm. Um fenómeno que, para os que não estão familiarizados com os universos das claques, poderemos ilustrar com o "Flower Power" que o movimento "Hippie" da década de 60 produziu.
Poderemos estar a falar de comportamentos desviantes mas eles são explicados em nome de uma utopia que constitui uma força motriz.
Num mundo de corrupção e tráfico de influência como o é o Futebol agentes desportivos instrumentalizam estes grupos. Tornam-se os seus maiores aliados quando necessitam, tornam-nos os seus exércitos de defesa pessoal, mas são os primeiros a atacá-los quando algo corre mal, usando-as geralmente como bodes expiatórios camuflando os desaires das equipas ou a gestão danosa dos clubes.
Quando muitos deles vêm a público condenar acções das claques, já antes acicataram o ambiente incitando a um clima de hostilidade e de suspeições sobre outros intervenientes. No dia em que os intervenientes que ocupam o topo da hierarquia sejam exemplarmente punidos teremos um efeito de pacificação generalizado nos patamares inferiores.
Como disse não poderemos tomar a parte pelo todo. Por termos noticias que envolvem polícias em esquemas de tráfico de droga isso não torna as polícias, no seu geral, corruptas. Por serem descobertos episódios de pedofilia com membros da igreja isso não faz da Igreja Católica um antro pecaminoso.
Claques não desvirtuam pessoas com princípios mas podem acirrar aqueles que os não tenham.
Se procurarmos entender o dissemelhante e tivermos espirito de abertura mais semelhante ele se tornará.