sexta-feira, 13 de março de 2009

TVI24


Depois da SIC e da RTP foi a vez da TVI se lançar, com um canal de informação, na televisão por cabo.
Logo na sua génese a criação deste canal me pareceu um passo arriscado para a Estação de Queluz.
Como mandam as regras do Marketing e dos estudos de mercado antes de lançar um novo serviço há que fazer uma vasta avaliação dos concorrentes a fim de se ter sucesso na profusão do produto.
Como se sabe, o sucesso de qualquer produto depende das expectativas e da imagem mental que a entidade que o promove tem na opinião pública. Ora ai reside o primeiro lapso da TVI. Apesar dos esforços que tem efectuado nos últimos anos, o canal não possui uma informação de referência, ou melhor, de todos os serviços que presta (Informação, Entretenimento. Ficção) a informação será o seu calcanhar de Aquiles.
A juntar a esse facto juntam-se os outros actores no mercado; SIC Noticias e RTP-N possuem já uma posição firmada e uma tradição jornalística incomparavelmente superior ao da TVI.
Transpor para o cabo o tipo de jornalismo sensacionalista característico da TVI, repetindo-o até à exaustão durante 24 horas de emissão seria um autêntico tiro no pé.
Que lógica teria criar um novo produto quem em tudo seria igual ao pré-existente?
Foi pois com grande expectativa que vi as primeiras emissões do TVI24 a fim de estabelecer uma comparação com o tipo de informação praticado no canal-mãe. Como previa a TVI optou por uma estratégia de diversificação, sendo que o TVI24 tem uma informação marcadamente virada para o internacional.
Qualquer pessoa que tenha uma experiência de redacção sabe que a maioria das noticias internacionais, salvo os casos excepcionais onde existem correspondentes ou enviados especiais, são feitas através da compra de serviços de agência.
Quando, por exemplo, assistimos a um "Jornal do Dia" no TVI24, repleto de noticias sobre o Mundo aquilo que estamos a ver é um trabalho realizado inteiramente por jornalistas estrangeiros, imagens filmadas por um operador de câmara exterior à TVI, declarações gravadas por alguém que não pertence aos seus quadros.
Falo num autêntico serviço de outsourcing, no qual os profissionais da TVI apenas terão que editar o que foi feito por outros.
Isto não é jornalismo é serviço de tradução.
O TVI24 será certamente utilizado como tubo de ensaio de programas, como espaço de formação de profissionais e de desenvolvimento de programas temáticos. Apostar nos espaços informativos "puros e duros" será um erro estratégico uma vez que existem actores que oferecem serviços de maior qualidade.
Outro facto prende-se com a estratégia de comunicação do canal. Utilizar o canal TVI para promoção dos programas do TVI24 parece-me, no mínimo, irrisório.
A TVI tem seguramente bem radiografado o seu mercado alvo e quando vemos, num vídeo de promoção, António Peres Metelo a anunciar o programa de economia "Contas à Vida" não estamos a ver as fervorosas consumidoras da ficção da TVI abandonarem as novelas para se inteirarem sobre o Subprime internacional.
Porquê apostar no Mundo em tempo Real quando se é melhor na Ficção?

6 comentários:

  1. Sr. Joao Pinto,

    Apesar do cenário dantesco que criou para a TVI24 o canal tem obtido audiências fantásticas e neste momento tem mais cota de mercado que a RTP N, segundo a Lusa. Que pena!!

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  2. Caro leitor,

    A qualidade não se mede pelas audiências. Ou considera os malucos do riso e os Batanetes a fina flor do humor?

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  3. Nuno Cabralmarço 15, 2009

    Boas grand Joao,

    Uma saudação por mais uma boa análise.

    Efectivamente, apesar de considerar que o aumento da oferta e da possibilidade de escolha ser benefica ao telespectador, o canal TVI 24 acabou por defraudar qualquer expectativa. O canal não trouxe nenhuma evolução, a estrutura é a tradicional da praticada pelos concorrentes, o grafismo é pobre, nada que já não nos tinha habituado o generalista, como refere o João. Quanto à forma das notícias, teremos que esperar para ver se não se trata de uma transposição da mediocridade praticada na TVI. Esperemos!

    Abraço Joao

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  4. sim o comentario esta bem analisado ate que ja havia canais de informaçao seria melhor um canal com filmes ou de pogramas de intertenhamento para os idosos pensando neles que tambem sao humanos de certerza que teria uma maior audiencias e as pessoas agradeciam

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  5. Eu não creio que a ideia transmitida neste post serja real, porque a qualidade da informação é o público que decide se é boa ou má, e no que diz respeito à TVI, no seu horário nobre diário (das 20 às 21) consegue bons resultados na informação conseguido ficar muitas vezes em 2º lugar, e à sexta-feira atinge mesmo o topo sendo por vezes um dos programas mais vistos da semana. A sexta-feira tem sido muito criticada pela forma como os jornalistas, uma em particular, apresentam as notícias... Mas a televisão é feita para o público... e se dizemos que a informação da RTP é a melhor, é porque nos baseamos naquilo a que o público adere. E é um facto que à sexta - feira o público sintoniza a sua TV na TVI. Outro aspecto mensionado na sua opinião, é o facto de a TVI apostar na informação quando devia dar mais relevância à ficção já que é lider em sinal aberto nessa área. Mas temos o caso da RTP, que apostou na informação e não consegue liderar com a RTPN. Já a SIC, que é uma informação de valor (audiências) idêntico à tvi, lidera não só a informação portuguesa como também os canais de cabo mais vistos.
    Não quero deste modo ser uma espécie de defensor dos canais privados e contra o público, até porque acho que todos eles nos dão uma excelente oferta que me deixa muito satisfeito.

    com os melhores cumprimentos e com vontade de que este espaço nunca termine, já que tenho sido um espectador atento ao seu blog e só por motivos profissionais não entrevenho mais...
    DIOGO PEREIRA

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  6. Caro Diogo,

    Discordo da primeira metade da sua opiniao, concordo com a segunda.

    Não me parece correcto medir a qualidade de ofertas pelas audiências. Há muitos exemplos de programas sem qualquer conteúdo e que têm elevadas assistências. O publico fideliza-se a certos géneros noticiosos e a determinados rostos da informação. Percebo que a maioria das pessoas comuns, depois de um cinzento dia de trabalho, prefira um jornalismo acutilante de uma TVI a um jornalismo mais sóbrio e institucionalizado com é feito na RTP.

    O que disse em relação ao Canal TVI24 é diferente. Num mercado pequeno como o é o Português as marcas necessitam de encontrar soluções para diversificar os seus proveitos. Aquilo que digo em relação ao TVI24 é que a aposta num jornalismo internacional demonstra esse espirito economicista com que foi criado o canal. Os conteudos internacionais sao comprados a agencias e "traduzidos" e adaptados pelos jornalistas de TVI..é quase um take away jornalistico..comprado feito..

    Agradeco os seus comentarios elogiosos, farei tudo para continuar a merecer a confiança. Abraço

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