sexta-feira, 20 de junho de 2008

Euro 2008: Sonho Esfumado

E terminou com uma derrota o sonho luso.

Muitos dirão que terá sido inesperado, que esta selecção tinha potencial para augurar chegar mais longe na competição.

Infelizmente o futebol não se joga com a precisão matemática e pequenos momentos e erros colectivos deitam tudo a perder.

Este foi sobretudo um Euro ambivalente no que toca aos objectivos a atingir. Scolari foi peremptório ao definir como objectivo máximo atingir as meias finais, mas fazê-lo jogo a jogo evitando assim pressão acrescida para os seus pupilos.

Não sei se por motivos de marketing televisivo o broadcaster português que adquiriu os direitos sempre fez perpassar a mensagem de que o objectivo era «chegar a Viena», «levantar a taça». Estranhas estas disparidades entre o discurso oficial e aquele que de quem tem interesses mediáticos..

Culturalmente somos um país que lida mal com o sucesso, basta uma vista de olhos pela história da fundação do nosso país para verificarmos que o Português tem o desenrascanço entranhado no sangue e que é nos momentos em que ninguém nos dá crédito que mostramos de que massa somos feitos. Foi assim em Aljubarrota, foi assim na construção dos Estádios do Euro é assim em tudo.

Portugal não rima definitivamente com superioridade. Ao contrário de outras imprensas que são mais acutilantes nas críticas aos seus jogadores a nossa tece rasgados elogios mesmo que se tratem de jogadores sem provas dadas a nível de selecção. Não que não tenham sido meritórios mas cria-se um estatuto que por vezes não se coaduna com a postura em campo.

O Euro, apelidado pela imprensa do “Ronaldo e Companhia” foi mais companhia do que Ronaldo. Excessivo mediatismo, muitos lances com fintas injustificadas, inúmeras perdas de bola em fase de construção que desequilibraram a equipa. Não foi o Euro do Ronaldo.

Outro aspecto que quebrou a dinâmica da selecção foi o abrir de precedentes de Scolari. Alguém que pede aos jogadores para concentrarem baterias para o euro e esquecerem eventuais contratos e que depois, após a garantia de qualificação anuncia o desertar perde algum respeito. Todos sabemos que estes estágios desportivos vivem num clima “big-brothiano”, ou seja, que devido à exclusão do mundo exterior qualquer estimulo tem uma dimensão incomensuravelmente maior do que se vivido no dia-a-dia. Como se sentirá algum atleta quando alguém que nos jurou lealdade sai alegando motivações financeiras?

Foi uma saída duplamente inglória para Scolari. Mas não esqueceremos o quanto fez pelo nosso país. Nunca.

1 comentário:

  1. Pedro Cabraljunho 20, 2008

    "Mas não esqueceremos o quanto fez pelo nosso país." não te entendo que fez ele pelo país? Não ganhou nada criou conflitos, e por vezes até nos envergonhou, conseguimos sim um 2 lugar no Euros 2004 e 4 lugar no mundial 2006. Mas citando um grande treinador - "só um falhado é que pode pensar que quase ter ganho algo é um grande sucesso". Estou e devemos lhe estar gratos por nos ter levado a lugares onde poucas vezes tivemos, mas era o mínimo que ele devia fazer pois era esse o trabalho dele e estava a ser pago para tal. Mas digo-te já o trabalho dele deixa muito a desejar, não preparou nunca os jogos a nível táctico as substituições quase sempre eram erradas. Como é possível perdemos o Euro em Portugal exactamente com o mesmo erro que tínhamos cometido contra a Grécia no 1º jogo e agora passados 4 anos voltamos a perder com o mesmo erro contra a Alemanha, isto só prova que ou não existiu trabalho, reflexão, ideias e o que mas me preocupa é que não ouve evolução nenhuma. Uns anos antas de Scolari não íamos a fases finais porque tínhamos jogado bem mas perdemos por azar ( a chamada vitória moral), agora é exactamente a mesma coisa temos a vitoria moral só que é a nível das fases finais, jogamos melhor que eles mas perdemos. Com o exactamente o mesmo erro com o qual já estávamos alertados anteriormente. Temo aninda pelo futuro porque agora ainda temos as os cristianos, os velosos, os moutinhos, mas Portugal em sub 17, 18, e 20 ficou de rasto porque o Scolari não esteve a preparar para o futuro como o Queirós e no presente não ganhou nada é esta a verdade. Podem dizer o Scolari deu-nos o espírito ganhador mas se calhar foram outros que esses sim ganharam algo por Portugal que nos deu esse espírito. O que Scolari fez não foi mau estamos gratos, mas foi apenas o mínimo que lhe tinha e ser exigido.

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