sexta-feira, 13 de abril de 2007

Espaço Político Mediático


O último mês terá sido, certamente, uns dos mais difíceis de sempre para o Primeiro-Ministro e, por inerência, para o seu Governo.


Desde que assumiu funções, o Governo socialista tem controlado, semana após semana, a agenda mediática, enchendo as páginas de jornais e usufruindo dos directos televisivos.


O Governo de Sócrates é um governo vanguardista, com consciência do tempo e da realidade em que opera e, desde o primeiro momento soube, através de manobras de marketing político, conquistar o seu espaço político, arrasando a concorrência.


Não é preciso um olhar treinado para constatar o cuidado milimétrico do Primeiro-Ministro com o mais ínfimo dos pormenores. Voz, entoação, gestos, postura, pausas, tudo é ensaiado para que surta o efeito desejado na opinião pública.


As Conferências de Imprensa sobre o pacote de medidas apelidado de “Simplex”, o Choque Tecnológico e o Aeroporto da OTA perpassam para a opinião pública a imagem de um executivo optimista, dinâmico e ciente do rumo que tem para o país.


Durante estes dois anos de governação o executivo foi, em termos mediáticos, omnipresente. Foi-o, em grande parte, por mérito próprio, mas há também que frisar que PSD e CDS-PP se encontram em convalescença após o arraso político das últimas legislativas.


Muito se tem falado da instrumentalização da RTP e da domesticação de alguns media por parte do Governo. Uma coisa é clara, há neste Governo um claro intuito de reformar o país.


Ao afectarem o grosso da população, mudanças na Saúde, na Justiça, nas Finanças. na Segurança Social, na Função Pública, podem ser trunfos se bem sucedidas, ou então, transformarem-se no pé de Aquiles do Governo.


Para o sucesso de qualquer operação politica há que haver predisposição para a mudança. É nesse sentido que entendo a instrumentalização da RTP, através de um jornalismo inócuo, pouco opositor ao regime.


Não o entendo como uma manipulação pura e dura, mas sim como uma necessidade actual. O país está mergulhado numa crise profunda e todos sabemos que, quando assim é, existe uma aversão à mudança porque ela acarreta riscos que não estamos dispostos a correr. O Governo tem-na usado para difundir uma mensagem de confiança (reparem na quantidade de vezes que esta palavra é usada pelo PM) aos portugueses.


Na história, são inúmeros os períodos em que os Governos se “apoderam” dos meios de comunicação para conseguirem os seus intentos, mais ou menos legítimos. Em 1933, Franklin Roosevelt, presidente dos EUA, via o seu país mergulhado numa crise profunda após o Crash da Bolsa de 1929 e a Grande Depressão.


O New Deal (Novo Acordo), o programa de retoma económica protagonizado por Roosevelt, teria a oposição dos mais poderosos sectores americanos. Roosevelt necessitava de apelar às massas e fê-lo através dos meios de comunicação. Instituiu as Firesite Chats, conversas à lareira, em que explicava aos cidadãos, usando uma linguagem simples, vários aspectos da sua politica.


Afinal de contas, ninguém consegue cultivar um terreno que não esteja lavrado.


Com 2009 a aproximar-se a passos largos, Luís Filipe Menezes (PSD) e Paulo Portas (PP) procuram chegar à liderança dos seus partidos, substituindo Marques Mendes e Ribeiro e Castro respectivamente.


A convergência do tempo político (Legislativas 2009) com o tempo mediático (Polémica da Licenciatura do PM e Aeroporto na OTA) poderá ter sido o ponto de viragem no espaço politico nacional, até então dominado pelo Governo.


2 comentários:

  1. Na minha opinião o problema neste momento da politica portuguesa é, como bem disseste no teu post, o facto de simplesmente não haver oposição ao governo de Sócrates. O PSD, o PP, o PCP e o BE não aproveitam os deslizes, por poucos que seja. Também verdade seja dita o nosso primeiro ministro não deixa margem de manobra para a comunicação social. Acho que a secretaria de imprensa do Socrates consegue segurar toda esta maquina pesada. A questão que se coloca é até quando isto vai durar? Acho que os nossos "media" ainda vão explorar mais um pouco a imagem de Sócrates no que diz respeito à sua licenciatura. Aqui entre nós, que ninguem nos ouve, penso que isto tudo foi muito mal explicado.

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  2. Nuno Cabralabril 15, 2007

    Finalmente este Governo insípido e muito light ao bom estilo de um actimel sem bífidos activos, está a tirar os "saltos altos" de que gozava desde a maioria absoluta das últimas legislativas.

    O que os tem salvado é, de facto, uma oposição mediocre.

    Na Direita deparamo-nos com Ribeiros sem conteúdo (água) e com um líder do maior partido de oposição que, com os seus 1.60m, praticamente se esconde das ideias e vem à praça para denunciar superficialidades dignas dum 24 Horas qualquer.

    Na Esquerda a acção política resigna-se a manifestações constantes da Função Pública onde prolifera mais a bifana assada e o conhecimento do vinho regional do k a discução de ideias para uma Função Pública moderna.

    Espera-se, no entanto, que algum político determinado e com projectos mas sustentáveis tenha nascido em alguma maternidade deste País (de baixa natalidade)que ainda não tenha fechado!!

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