quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mário Lino: Deserto de Ideias


"A Margem Sul é um deserto. Na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio. Seria necessário deslocar milhões de pessoas" foi assim que o Ministro das Obras Pública, Mário Lino justificou a impossibilidade de construir, na margem sul do Tejo, um Aeroporto alternativo à hipótese da OTA.


Mário Lino ainda comparou, metaforicamente, a opção de Rio Frio a um doente aparentemente de boa saúde, mas "com um cancro nos pulmões".

As declarações são profundamente infelizes. E mesmo que devidamente contextualizadas são inadmissíveis quando proferidas por uma figura de Estado.


A Mário Lino bastar-lhe-ia justificar, através de aspectos técnicos, a inviabilidade da obra, nomeadamente por razões ambientais, possibilidade de colisão com aves ou até a existência de aquíferos. Pelo contrário, optou por descrever a margem sul como um ermo, ferindo as susceptibilidades de quem lá reside e deixando exposta uma ferida que ao Governo compete debelar: o facto de existir um fosso entre a margem norte, vanguardista e moderna e margem sul, desordenada, depauperada e esquecida. É um Portugal ambivalente, um Portugal de duas realidades cada vez mais distintas.


Mas declarações deste género não são um exclusivo do Ministro das Obras Públicas.


Já este ano, na abertura do Fórum de Cooperação Empresarial, aquando da visita da comitiva governamental portuguesa à China, o Ministro da Economia, Manuel Pinho, comprometeu o Governo com declarações.


Em causa esteve o facto de Manuel Pinho ter apelado ao investimento chinês no nosso país referindo como o aliciante os custos salariais portugueses, segundo o próprio, "inferiores à média da União Europeia" e com menor previsibilidade de aumento se comparados com os dos novos países do alargamento.


Estes argumentos até podem ser verdadeiros, mas é lamentável ver um ministro propagandear, num outro país, os baixos rendimentos dos portugueses ao invés de ressalvar a sua formação. Mas, por mais que nos custe, há que se ser realista. O que Manuel Pinho disse é a mais pura das verdades: Portugal tem salários inferiores à média da UE e a margem de progressão será menor que nos países da Europa Central e de leste que se encontram em clara expansão económica. Em política por vezes estes subterfúgios trazem impopularidade mas atingem os seus intentos: investimento.


Dois Ministros, duas declarações feitas "on the record", difundidas para milhões de pessoas. Resultados? Dois esclarecimentos, nenhuma medida coerciva aplicada aos Ministros.


Esta semana uma piada privada deu direito a suspensão. O protagonista foi o Professor Fernando Charrua que alegadamente terá feito um comentário jucoso ofensivo para a pessoa do Primeiro Ministro.


"Epá, tu não precisas já de ser considerado licenciado porque já és, mas se precisares de um doutoramento tens que me mandar por fax".


A piada valeu a suspensão ao professor de Inglês que trabalhava há mais de vinte anos na Direcção Regional de Educação do Norte.


Ao que parece renasceram os bufos da PIDE.


É caso para dizer "quando o exemplo não vem de cima.."


2 comentários:

  1. André Carapetomaio 31, 2007

    A unica coisa que tenho a dizer é que cada vez mais estes politicos só dizem merda quando abrem a boca!!! Aconselhava seriamente este senhor a ter mais cuidado senão um dia destes os gangstas lá da Margem Sul ainda lhe fazem um arrastão lá em casa!!!

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  2. São os dois pesos e as duas medidas de sempre

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